29 Outubro, 2008

Observações Sobre o Show do The National e os Eventos Subseqüentes…

…em Ordem Semi-Cronológica.

Postado por Luis Calil


*Não havia ninguém quando chegamos – nós sendo eu, Didier, Ana Paula e Kain, todos aparentemente fanáticos por The National (eu, é claro, sendo o mais pateticamente fanático – provavelmente de toda a platéia) – o que me fez pensar por alguns instantes que o The National tocaria pra uma platéia de 100 pessoas. Obviamente o número acabou aumentando pra pelo menos umas 600 quando a banda entrou no palco, e não é como se eles nunca tivessem tocado pra menos gente, especialmente considerando que o Brasil é um país tropical subdesenvolvido no qual rock independente não é exatamente um enorme chamativo. Mas mesmo assim, o fã em mim queria que eles recebessem a resposta apropriada ao talento.

*Falando em fãs, percebi que durante a noite, eu tomei várias atitudes cuja natureza tiética (derivado de tiete) não podia estar mais óbvia e clara. A primeira delas foi comprar um botão que estavam vendendo lá, com uma foto do Barack Obama, escrito “Mr. November” embaixo. Eu gosto do Obama, eu gosto da “Mr. November”, a idéia é cômica e pertinente (se há um refrão que eu espero que Barack cante num hipotético show de rock democrata, seria “I won’t fuck us over, I’m Mr. November”), e estava barato. Ainda sim, eu não vou ter muito uso pra esse botão agora.

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26 Outubro, 2008

SPIFF – Sábado 25

Postado por Luis Calil

Leonera (Pablo Trapero) – 7
Um daqueles casos onde o filme vai discretamente te fisgando: a primeira meia hora, introduzindo a situação da protagonista – uma mulher presa por assassinato e colocada na ala de maternidade de uma cadeia por estar grávida – se mantém num modo de observação naturalista respeitosa, sem nenhum aparente rumo, e embora o ambiente seja interessante (e inovador - não lembro de outros filmes sobre maternidade na cadeia), não parece que o filme vai chegar em lugar algum. De repente, o tédio sumiu, e eu notei que estava tentando segurar lágrimas - isso porque Trapero foge da brutalidade de filmes de cadeia e mostra a rotina da protagonista com extrema sensibilidade. E na segunda metade, o drama propriamente dito surge e dá um motor pra narrativa, que vira uma luta de uma mãe pelo seu filho, com direito a tensão Dardennesca. Tematicamente e psicologicamente simples, mas feito com bom gosto e inteligência.

Revanche (Gotz Spielmann) – 6
Gostaria de rever Revanche quando eu estivesse menos sonolento (o motivo desse sono eu não consigo compreender; a noite anterior foi a que eu mais dormi nessa semana). Não que eu tenha dormido durante a sessão, mas em alguns trechos eu tive que travar uma batalha com minhas palpebras, o que desviou a minha atenção de um filme que requer extrema concentração. O estilo de Spielmann é simples, sutil e quase clássico, sempre cortando no lugar certo, mexendo a camera na hora certa e mantendo um ritmo constante. E embora a premissa seja meio batida – é sobre vingança – ela é desenvolvida com bom gosto e inteligência (hoje foi o dia de bom gosto e inteligência). Mas eu acredito que mesmo uma experiência totalmente lúcida não ia acabar com a minha suspeita de que o filme poderia ter perdido uns 30 minutos (ou mantido um ritmo levemente mais veloz) sem nenhum problema.

The National @ Tim Festival
Eu não tenho tempo o suficiente agora para descrever a experiência; vou deixar isso para um post na terça ou quarta-feira, quando eu tiver voltado pra casa. Mas eles tocaram pra caralho, a voz do Matt tava macia como a bunda de um bebê francês, o set list foi bastante satisfatório, ”Baby We’ll Be Fine” destruiu meu coração, eu fiquei rouco de gritar e nós (eu e amigos) passamos uns 25 minutos em total falando com membros da banda (e sim, tirando fotos). Nada mal.

25 Outubro, 2008

Tim Festival

Postado por Fabiano Ristow

Neste dia pós-show do The National, eu me sinto como se tivesse terminado um namoro, ou como se tivesse apaixonado. Existe algo de extraordinário existindo, mas não posso (mais) tê-lo. Foi perfeito.

Já tem reviews do show espalhados pela internet, portanto só vou mencionar algumas curiosidades.

Em Slow Show, houve um problema com as caixas de som que forçou a banda a parar de tocar. Quando tudo se normalizou, foi o microfone do Matt que não funcionava. A platéia surpreendeu e o socorreu, cantando YOU KNOW I DREAMED ABOUT YOU FOR 29 YEARS BEFORE A SAW YOU a plenos pulmões. Matt não teve escolha a não ser apontar o microfone para a platéia. A banda entrou em êxtase.

Antes do show começar, eu estava no lounge de entrada quando reparo que ele, sim, ele, Matt Berninger, está vindo em minha direção. Tremendo que nem pau de vira tripa, fui em frente:

Eu: Hi. Excuse me. Sorry. We’re huge fans of The National.
Matt: Oh, hi. Nice to meet you.

Tirei foto. E agora estou feliz e apaixonado para sempre.

Perdi quatro quilos quando tocaram Squalor Victoria, na qual guitarras e metais se juntam a um único violino, insuficiente para reproduzir o conjunto de cordas que ouvimos na versão de estúdio. O resultado ficou perfeito, um arranjo crescente que explode num clímax orgasmático.

Setlist:

Start a War
Brainy
Secret Meeting
Baby we’ll be fine
Slow Show
Squalor Victoria
Abel
Racing Like a Pro
Mistaken for Strangers
Ada
Apartment Story
Fake Empire
Mr. November

Eu acho que eles iam terminar em Ada, mas o Matt insistiu umas três vezes para a equipe do Tim Festival os deixarem tocar uma saideira, depois mais outra e depois mais uma. Ele implorava com um dedo indicador balançando na direção dos homens ao fundo do palco que pareciam querer interromper o show. O pedido foi atendido – graças a Deus, porque o desfecho Fake Empire-Mr-November foi indescritível. Talvez o nosso amigo Luis, que vai assistir a eles hoje em São Paulo, possa nos oferecer uma descrição mais precisa para explicar o quão emocionante é vê-los ao vivo.

MGMT foi chato.

25 Outubro, 2008

SPIFF – Sexta 24

Postado por Luis Calil

O Silêncio de Lorna
(Irmãos Dardenne) – 8
Típica excelência Dardennesca. Tá tudo aí: narrativa espetacularmente econômica (a revelação da morte de um personagem é quase subliminar), os detalhes sugestivos, os momentos perturbadores que surgem da lógica inescapável da história (a cabeçada na parede é “dolorosa”), e aproximadamente no meio do filme, eu percebi que estava mais emocionalmente envolvido com a protagonista do que eu jamais tive na filmografia dos Dardenne. Nunca antes eu tinha visto um personagem deles num momento de felicidade, e a idéia de que ela ia eventualmente acabar fez meu estômago revirar. A “mudança” psicológica por qual a protagonista passa no terceiro ato é tematicamente simples e perturbadora, mas ela acabou distanciando o meu envolvimento na história. Mas é impossível não admirar.

Meu Winnipeg (Guy Maddin) – 6
Ocasionalmente hilário, mas a narração pirada e melodramática do Maddin fica monótona após um certo tempo, e as imagens – expressivas mas cansativamente frenéticas - servem mais para colorir o texto dele do que pra funcionar por si só ou adicionar novas dimensões. Eu consigo citar vários detalhes da prosa de Maddin (”toboganing children”) que eu adorei, mas as melhores cenas foram as recriações de momentos da sua infância com sua família (a maior parte interpretada por atores comicamente incompetentes). Se o filme inteiro fosse daquele jeito eu teria provavelmente o amado.

Queime Depois de Ler (Joel & Ethan Coen) – 8
Ocasionalmente hilário - Parte II, mas não tem a riqueza inventiva e emocional de O Grande Lebowski. Em outras palavras, eu não me importei muito com nada do que estava acontecendo, e as risadas eram secas e meio vazias. O que é a intenção, sim. É um filme sobre completos idiotas, ao contrário do Lebowski, que era um idiota admirável. Mas pra um filme funcionar sem nenhum ponto de identificação, ele teria que compensar formalmente ou tematicamente (ou pelo menos me fazer rir o suficiente pra esquecer). Não é o caso. Os Coen adicionam duas camadas paralelas de subtexto envolvendo o 11 de Setembro – uma realçando a paranóia desastrada dos personagens, e outra mostrando como a falha de comunicação entre a CIA e o FBI (e nesse caso, o Hardbodies) causou terríveis consequências – mas nenhuma das duas é particularmente incisiva ou desenvolvida. Eu ia ficar com um 7 respeitável pra esse, mas a profundamente engraçada cena final empurrou um pouco a nota.

24 Outubro, 2008

SPIFF – Quinta 23

Postado por Luis Calil

Adoração (Atom Egoyan) – 6
Qual é o ponto de começar o seu filme com a narrativa fragmentada e não-cronológica se você vai terminá-lo com monólogos explicativos longos e chatos recitados pela sua esposa? Fala sério. E como o D’Angelo disse, ocasionalmente surgem idéias no filme sobre terrorismo que, se fossem apropriadamente dramatizadas, teriam gerado um filme muito mais fascinante que o atual. O modus operandi do Egoyan - a fragmentação confusa citada acima - ainda é (inicialmente) excitante o suficiente pra valer a pena, sem falar nas ocasionais bizarrices, como a discussão com o taxista do sanduíche e a Sra. Egoyan aparecendo na rua usando máscaras do Oriente Médio. Mas ainda to esperando um Exótica 2.

Duska (Jos Stelling) – 3
Típica comédia preciosa deadpan de cinema de arte europeu, só que ainda mais retardada e previsível do que de costume, como Whisky para retardados. Eu não entendi o que o final “simbólico” teve a ver com o resto do filme, e nem quero. A única coisa que me manteve na cadeira foi o fato de que a atuação do cara que fez o Duska tinha momentos cômicos inspirados. Eu declaro que “Duska” a partir de agora é oficialmente gíria para “Mancada”.

Depois da Escola (Antonio Campos) – 9
Eu tava na Livraria Cultural ontem checando a sessão de CDs e fiquei alegremente surpreso quando achei o excelente disco novo do Burial - um artista obscuro o suficiente pra causar tal surpresa - numa das prateleiras. Minha reação foi pegar meu celular e tirar uma foto da minha mão segurando o disco, pra mostrar pros meus amigos fãs de Burial, nenhum dos quais possui o CD em si. Esse meu gesto é parte do tema de Afterschool, que lida com como a nossa capacidade e vontade de filmar e gravar e exibir nossas vidas (pelo o YouTube, por exemplo) afeta o jeito que nós comportamos. O próprio Campos chamou o filme de “ficção-científica no presente”, o que soa correto. O protagonista, Rob, é um Holden Caulfield da vida, usando essa recente tecnologia para tentar encontrar momentos não afetados, momentos de verdade pura. Campos, um pirralho (25 anos) filho de brasileiros, apresenta a jornada de Rob de uma forma extremamente perturbadora, capaz de causar lágrimas de orgulho em Michael Haneke (que não parece ser o tipo que chora). Um soco no estômago. Quero rever.

23 Outubro, 2008

SPIFF – Quarta 22

Postado por Luis Calil

Enquanto um cara conversa com sua esposa na Argentina via webcam aqui do meu lado esquerdo, e outro utiliza a foto de um pênis negro no seu MSN no meu lado direito…

A Rotina Tem Seu Encanto (Yasujiro Ozu) – 5
Quando o Ozu descobrir qual é tal encanto, por favor me avisar  - ele não chegou lá ainda. As composições são frequentemente elegantes e confiantes, obviamente o trabalho de alguém que dirigiu por várias décadas, e ele faz certas observações (aparentemente) pertinentes sobre o Japão pós-Segunda Guerra (título alternativo: Saquê & Chope: Embebedando Para Esquecer a Dor), mas a montagem e as atuações rígidas e primitivas dão uma leve impressão de novela mexicana, só que sem o melodrama histérico. Um moleque sentado na minha frente comentou com os amigos – quando ocorreu algum problema na exibição e as luzes acenderam por alguns segundos – que “não é pra ter história ou um clímax, é um retrato do Japão naquela época.” Correto, mas eu não quero ver um retrato. Eu quero que alguém dê um soco na minha cara com o retrato do Japão no meio.

Na Mira do Chefe (Martin McDonagh) – 8
Tecnicamente não está no festival, mas merece ser citado. Escrito por um dramaturgo aclamado, você nota imediatamente que o filme tem uma sensibilidade distinta. A trama fala de dois assassinos profissionais que são enviados pra cidade Belga medieval de Bruges para esperar a barra limpar em Londres depois de um serviço. Um filme convencional teria usado os primeiros 10 minutos para introduzir os dois assassinos, estabelecer suas personalidades distintas, mostrar seu conforto em ambientes urbanos e mostrar o assassinato em si que leva a essa fuga; McDonagh abre já em Bruges, com a comédia de peixes-fora-d’água (mais sutil do que se espera) a todo vapor. Os diálogos frequentemente saem do assunto principal e vão parar em pequenos becos sem saídas extremamente engraçados, lembrando Tarantino e Shane Black. Até o anão do filme foge do seu típico papel de humor barato e vira um personagem quase tridimensional (ele usa antidepressivos e é racista). Está sendo exibido comercialmente - corram.

Horas de Verão (Olivier Assayas) – 8
Ristow postou ali embaixo se gabando do realismo de Gomorrah; se ele está tentando armar uma competição de “Quem faz o Realismo Mais Ultra-Hardcore?”, o Assayas chegaria pelo menos nas semi-finais. É um drama familiar – tematicamente, está no território de Toy Story 2, i.e., o dilema entre o valor histórico e o valor pessoal de um objeto de arte - como Rachel, mas sem a histeria do roteiro que lutava contra o Dogmamento do Demme. E ele possui vários detalhes extremamente sutis, totalmente irrelevantes à história, que deixam a experiência mais vívida e rica: em um momento, um dos personagens num restaurante caminha até um garçon, que está anotando algo em cima do balcão, e pede um café. O garçon sorri para ele e continua fazendo o que estava fazendo, e o personagem pausa por um milésimo de segundo em desconforto. O filme poderia ter perdido esse momento, mas foram coisas assim que me fisgaram com tanta força (há vários outros exemplos, que eu nao lembro mais por ter preguiça de fazer anotações durante a sessão). Rodrigo Pinder achou “muito francês – ninguém parava de falar!”, mas quando se tem Juliette Binoche, Charles Berling e Jeremie Renier falando o diálogo, reclamar é de mau gosto.

22 Outubro, 2008

Festival & SPIFF

Postado por Fabiano Ristow

Luis, a respeito de O CASAMENTO DE RACHEL (5)… A cena em que o prato do Ethan aparece é, possivelmente, a melhor do filme. Especialmente porque ela é pateticamente tensa – na verdade, eu é que me senti patético quando me dei conta de que estava tenso. O cara tocando notas agudas no violino vem a calhar.

Por outro lado, você definiu exatamente a postura que assumi assistindo ao filme: uma mistura de comoção com apatia. Ele oscila entre tentativas de fugir do drama hollywoodiano artificial pré-fabricado e momentos que são, de fato, dramas hollywoodianos artificiais pré-fabricados. Ele praticamente está recebendo mais mérito pelo que tentou fazer pelo que de fato é – exatamente o caso da Anne Hathaway, que não merece o Oscar, mas diz-se que merece porque ninguém esperava vê-la numa atuação acima da média.

Fucking ultra realista é GOMORRA (7). Sim, ainda é possível fazer algo incrível envolvendo máfia italiana depois de Família Soprano. Aqui não tem cavalos decepados, assassinatos em restaurantes e esporros de sangue. Na verdade, é tudo meio sujo, meio suburbano, meio regata em vez de terno; tudo meio sem carisma, meio frio – enfim, como deve ser essa máfia na vida real. Os atores devem ter se esquecido de que havia câmeras filmando-os, e ficaram lá, explicando pra gente como funciona o quarto setor.

Gomorra é TÃO realista que faz O SILÊNCIO DE LORNA (6) (estrelando a irmã de Ellen Page – o quê, não era a irmã da Ellen Page?) parecer filme universitário com atores do Tablado, e olha que estamos falando dos Dardenne. Mas disso eu falo depois.

Luis e amigos, comprem a camisa da Mostra deste ano, custa apenas R$ 11.

THE NATIONAL amanhã.

22 Outubro, 2008

SPIFF – Terça 21

Postado por Luis Calil

Procedimento Operacional Padrão (Errol Morris) – 7
Procedimento operacional padrão pro Morris, que faz o seu esquema de sempre: consegue tanto questionar o julgamento duvidoso dos soldados envolvidos nas fotos grotescas de Abu Ghraib quanto sublinhar o fato de que eles estavam apenas “recebendo ordens”, e que foram irresponsavelmente jogados num ambiente cuja idéia de certo e errado ficava cada vez menos clara e relevante (a tal da “Névoa da Guerra”) – tudo isso filmado no seu típico estilo expressivo: em um momento, Morris explica como foi criada a linha de tempo de todas as fotos tiradas, e parece a apresentação de Power Point mais elegante de todos os tempos. Uma pena que Morris não decidiu investigar a natureza de Fotografias em si, como estava fazendo em suas dissertações no New York Times.

O Casamento de Rachel (Jonathan Demme) – 7
Fascinante pelo cabo de guerra entre o estilo ultra-naturalista, camera-na-mão, Dogmaesco que Demme escolheu e o roteiro de Jenny Lumet (filha do Sidney [opa, Sidney é o nome do noivo no filme. Hmmm...]), que tem uma leve dose de conveniências dramáticas – tipo o infeliz que ela encontra no salão de beleza, ou o prato de Ethan aparecendo naquela hora - e uma grande dose de monólogos e confrontos melodramáticos, as vezes dando um ar de novela das 8. Não sei mais o que falar, além de que eu me emocionei em alguns momentos, e passei o resto do filme – especialmente quando os personagens davam alfinetadas e roundhouse kicks emocionais nos outros - impressionado mas estranhamente apático.

Sinédoque, Nova Iorque (Charlie Kaufman) – N/A
Não venderam o ingresso pela internet, e não tive tempo de comprar quando cheguei, então esgotou. Mas não faz mal; com 3 horas de sono nas últimas 24, eu ia acabar dormindo mesmo.

20 Outubro, 2008

Reduzindo a Mostra de SP a Comentários Banais

Postado por Luis Calil


                                                                        Muito caro!”

Amanhã eu chego em São Paulo e começo a assistir filmes de arte da Mostra de SP aos montes por 6 dias, e de quebra o show do The National no TIM Festival. Tentarei providenciar curtos comentários sobre tais filmes de arte e tal show do The National diariamente neste local. Você pode querer checar aqui de vez em quando essa semana. Você pode não querer fazer isso. A escolha é sua. Ninguém vai ter forçar a fazer nada. Cada um Vive Como Quer.

Essa é a minha provável programação, caso você queira me perseguir:

Terça 21

Procedimento Operacional Padrão – 14:50 – Unibanco Arteplex
Novo filme do Errol Morris. Fabiano Ristow uma vez me pediu pra fazer um trabalho de faculdade dele sobre um documentarista, e eu fiz um enorme sobre a vida e filmografia de Errol Morris. Eu tirei a maior nota da sala dele. Agora eu estou recompensando o Morris.

O Casamento de Rachel – 17:40 – HSBC Belas Artes
Raquel está se casando.

Sinédoque, Nova Iorque – 21:40 – IG Cine
Charlie Kaufman está debutando.

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22 Julho, 2008

Trailerama: Quem Vigia O Batman Do Futuro?

Postado por Rodrigo Pinder

A seguir, duas amostras antagônicas do que esperar nos cinemas daqui a aproximadamente um ano:

Watchmen: Quando foi anunciado que a adaptação cinematográfica da graphic novel mais aclamada de todos os tempos – notória por sua complexidade temática, sua maturidade e seu tom frio, realista e sarcástico – seria deixada nas mãos do diretor de 300, uma dúvida pertinente surgiu na cabeça dos admiradores da obra de Alan Moore: será que Zack Snyder, cuja sensibilidade aparentemente se equipara à de um moleque de 14 anos, teria a capacidade de sequer entender o tom de Watchmen, quanto mais de reproduzi-lo em um filme?

O trailer parece confirmar o que já era um tanto previsível: como em 300, há uma preocupação obstinada com a reprodução exata de certos quadros icônicos da HQ. E, como em 300, a coisa toda é visualmente histérica e artificial. A diferença é que Os 300 de Esparta já era uma minissérie bastante adolescente e estilizada, então as frescuras visuais do Sr. Snyder acabaram servindo como uma luva na versão cinematográfica. Watchmen, por outro lado, pedia um mise en scène naturalista, cru e sombrio, algo similar ao que Christopher Nolan acabou de fazer em O Cavaleiro das Trevas.

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18 Julho, 2008

Toda a perspicácia da nossa PF

Postado por Fabiano Ristow

O assunto da moda é o banqueiro Daniel Dantas [1]. Porque sim, pra quem ainda não percebeu, existem modas no universo noticioso.

Elas não são desencadeadas pelas estações do ano, precisam se ajustar às idiossincrasias jornalísticas. O gatilho geralmente é um evento isolado que abre uma seqüência de outros semelhantes.

Se a Madeleine some, somem mais 300 crianças na semana seguinte. Se um avião bate, explode e mata 199 pessoas, logo batem e explodem outros cinco dias depois. Se a Isabella é arremessada do sexto andar pelo pai, em pouco tempo vários outros pais vão se predispor a matar seus filhos das formas mais formidavelmente apavorantes [2].

****

Como eu dizia, a bola da vez é o Daniel Dantas. O caso até ganhou repercussão lá fora, só que um jornal italiano publicou a foto do ator, não do banqueiro. A gente instantaneamente pensa que só um jornalista muito retardado e sem a menor capacidade de apuração cometeria tão tresloucado ato.

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15 Julho, 2008

Review: Batman – O Cavaleiro das Trevas

Postado por Rodrigo Pinder

Filmes de super-heróis costumam funcionar em um nível inversamente proporcional ao quanto se levam a sério. Homem-Aranha foi um sucesso de público e crítica principalmente porque manteve o clima juvenil e novelesco das histórias clássicas de Stan Lee, filtro dramático que ajudou as platéias contemporâneas – acostumadas a enxergar as coisas através das lentes do cinismo – a abstrair a absurdez do conceito e realmente se importar com os problemas românticos e familiares de Peter Parker.

No outro extremo mora o Hulk de Ang Lee, über-sisudo e consensualmente avaliado como uma obra artisticamente ambiciosa e irremediavelmente falha (apesar de ter seus defensores). O público teve dificuldade em levar o drama a sério ao mesmo tempo em que ficou exasperado com os artifícios de montagem, que acabaram servindo principalmente para disfarçar o fato de que em geral não havia muita coisa acontecendo ali.

Batman Begins foi talvez o primeiro exemplo do gênero que conseguiu ser realmente bem-sucedido buscando uma sobriedade naturalista, conseqüência de uma preocupação em levar a própria idéia do Batman – um herói sem poderes que se vale da tecnologia para combater o crime – às últimas conseqüências, vestindo o conceito de um realismo cru que não podia estar mais distante da fantasia gótica de Tim Burton.

Além da platéia não ter que engolir aranhas radioativas, mutações ou monstros esverdeados, todos os detalhes extranormais foram cuidadosamente justificados num nível obsessivo-compulsivo, processo extremamente facilitado pela era de aceleração tecnológica em que vivemos – a maioria dos bat-equipamentos corre o risco de deixar de ser ficção científica num futuro próximo.

Batman – O Cavaleiro das Trevas traz tudo isso de volta, acrescentando de quebra algo que faltou em Begins: um roteiro realmente bom, cortesia de Jonathan Nolan, invariavelmente colaborador nos melhores filmes de seu irmão Christopher (Amnésia, O Grande Truque). Desenvolvendo uma história de Chris e David S. Goyer (responsável pela franquia Blade), Jonathan se tornou o principal responsável pelo filme de super-heróis mais tematicamente complexo de todos os tempos. Não é à toa que críticos o estão comparando a dramas policiais como Fogo Contra Fogo.

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13 Julho, 2008

Recapitulando: 13/07/08

Postado por Luis Calil

Discreto Blog inicia sua campanha para a presidência da França.

Esta semana, aprendemos que:

*A linha que separa comédias do Blake Edwards de O Exorcista é espantosamente tênue.

*Os últimos 21 anos nos proporcionaram uma série de filmes incríveis.

*A Carla Bruni, além de ser fenomentalmente atraente, canta bem e tá pegando o presidente da França. Ponto para Sarkozy.

E em homenagem ao mestre avant-garde Stan Brakhage (citado numa das listas), aqui vai um dos meus curtas favoritos dele, Black Ice (1994):

“Imagine um olho não governado por leis de perspectiva criadas por homens, um olho não influenciado por lógica de composição, um olho que não responde ao nome de tudo mas que deve conhecer cada objeto encontrado na vida através da aventura da percepção. Quantas cores há num campo gramado para o bebê que engatinha, ainda não consciente do ‘Verde’? Quantos arcos-íris a luz pode criar para um olho desprovido de tutela? Imagine um mundo vivo povoado de objetos incompreensíveis e cintilando ao longo de uma gama infinita de movimentos e de inúmeras gradações de cor. Imagine um mundo ‘anterior ao conhecimento, antes de a palavra ser.’”
- Stan Brakhage

11 Julho, 2008

TV Bruni

Postado por Fabiano Ristow

Peço desculpas aos leitores do Discreto Blog por não participar dos posts anteriores, mas é que dias atrás tomei um gole estupidamente gelado de água sob um forte sol, o que causou em mim uma paralisia cerebral calafedolótica, um famoso efeito que induz um coma de alguns dias. Já estou melhor. Além disso, arrumei um emprego, porque alguém nesse blog tem que ganhar a vida.

De qualquer forma, fica registrado que sim, Mal dos Trópicos é o melhor filme da extensa lista abaixo. Estamos falando de um romance/terror que não se contenta em observar o ser humano; ele precisa abri-lo por dentro, depois destroçar sua alma, até alcançar a inominável natureza que nos constitui e nos condiciona a animais que caçam e se deixam ser caçados.

***

O Rio de Janeiro ganhou algo extraordinário ultimamente: TVs de plasma nos ônibus da linha 2016. Por um lado, me admira o esforço da equipe responsável pela produção de conteúdo dos programas que são exibidos: dificilmente me deparo com vídeos repetidos. Por outro, o conteúdo é tão ruim que não dá pra desgrudar os olhos da tela, o que me causa enjôo, literalmente.

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9 Julho, 2008

O Melhor Filme de Cada Ano Em Que Estive Vivo – Part Deux

Postado por Luis Calil e Rodrigo Pinder

Curtindo o Falcão Maltês Adoidado

Continuando o post de ontem:

1997

Luis: Fast, Cheap & Out of Control (Errol Morris)
Ano espetacular. Tsai Ming-Liang, Michael Haneke, David Fincher, Atom Egoyan, todos trabalhando num nível extremamente alto de qualidade, e um pouco mais abaixo, Mamet, Duvall, Armitage, Brakhage, etc. Eu escolhi este documentário do Morris porque foi o que deixou o lencinho mais úmido. Difícil de achar no Brasil… Usem as internets.

Rodrigo: Los Angeles – Cidade Proibida (Curtis Hanson)
Quem leu o livro vai te garantir que o filme nem esbarra em sua profundidade, mas isso aqui é um noir vigoroso e intrincado que não deve nada aos clássicos. O Hanson devia se aposentar ASAP, porque ele nunca vai chegar nesse nível de novo.

1998

Luis: Três é Demais (Wes Anderson)
Essa obra-prima sobre adolescência funciona como um teste de compatibilidade. Se você não gosta do filme, fique longe de mim. Não vai dar certo. (Na verdade, se você gostar de A Lula e a Baleia, eu te dou outra chance).

Rodrigo: Além da Linha Vermelha (Terrence Malick)
Terrence Malick leva seus voice-overs poéticos à guerra e, como esperado, ela é o Inferno. O corte original do filme tinha um pouco mais de 6 horas; Malick conseguiu reduzir para 170 minutos, duração que ainda ultrapassa o insuportável pra muita gente que eu conheço.

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