1 Outubro, 2009...2:00 am

Por que eu me desiludi com os festivais de cinema

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Postado por Fabiano Ristow

desilusão

Eu disse no Twitter que me desiludi com festivais de cinema porque a maior parte dos filmes realmente bons (os ruins ou medíocres não contam) acaba estreando depois, e foi como peidar na missa.

Antes de qualquer coisa, eu queria deixar claro que é uma postura pessoal e continuo achando totalmente válido e bonito todo mundo indo nos festivais. Na verdade, eu adoraria estar no Festival do Rio vendo filmes também, mas não estou. E a grande surpresa é que isso não me faz mais sentir culpado.

Minha desilusão, em termos gerais, é fruto de problema financeiro. Eu cheguei à conclusão de que, se você tá com grana e tempo sobrando, o festival é aproveitável. Caso contrário, desilusão. Pouco vale o esforço.

Enfim, o que me responderam no Twitter foi mais ou menos isso:

1) Claro que filmes bons não estream. Por exemplo: “Exemplo#1″, “Exemplo#2″, “Exemplo#3″ etc.
Sim, eu estou ciente disso. Alguns dos meus filmes favoritos eu vi em festivais e nunca estrearam. (sério) Mas são minoria. É uma proporção de ¼, sendo otimista. (Lembrando que filmes ruins ou medíocres não entram no cálculo, porque senão fica fácil, ok?)

2) Mesmo assim, eles existem. Então, no fim, vale a pena.
Vale se você tem dinheiro e tempo o suficiente pra ver tudo de uma vez só num espaço de dez dias, o que não é o meu caso. Depois de um tempo, você percebe que não consegue fazer mais nada a vista, só parcelado.

3) De qualquer forma, mesmo estreando, demora pra caralho.
Sim, por isso que eu veria um filme com todo o prazer do mundo se eu tivesse tempo e disposição. Mas, não tendo, eu posso aguentar seis meses assistindo a outros bons filmes. Eu realmente perdi aquela urgência que praticamente nos obriga a ver um filme quando ele aparece numa sessão única, como se um bilhete lotérico premiado passasse voando ao seu lado e aquele fosse o seu único momento de ficar milionário. Eu estou confiante de que isso não tem nada a ver com cinefilia em decadência, mas com ansiedade menor – ou ansiedade com outras coisas, o que, de qualquer forma, admito não saber se é melhor.

4) Você vê poucos filmes.
Talvez. Há vários anos eu vejo mais de 20 filmes no Festival do Rio. Depois, vou até São Paulo e assisto a mais 20 na Mostra (e compro a camisa). Eu reconheço que pra muita gente isso é pouco. Pra algumas pessoas, festivais são momentos em que elas veem, tipo, 150 filmes. Elas vão numa sessão atrás da outra, e durante dez dias elas eventualmente matam a fome com um pastel do china da esquina. Eu já fiz isso, mas não tenho mais idade tempo. Além disso, eu tenho um sério problema: eu gosto de refletir sobre os filmes que vejo. Eu não tenho a capacidade de fazer isso vendo dez por dia. Quando o filme é bom e complexo, eu preciso digeri-lo por horas, às vezes dias. É horrível, mas eu sinto prazer nisso.

5) Na verdade, MILHÕES de filmes não estream. É só saber procurar. Você não sabe procurar.
O meu critério é pesquisar sobre os filmes e diretores e descobrir quais foram aclamados em outros festivais e por críticos que admiro e em cuja opinião confio. Eu usava o critério Gostei-da-sinopse-e-vou-ver, mas eu o abandonei porque não valia a pena: eu vi filmes ruins e não eram de graça.

6) Mas, cara, tem toda aquela VIBE CINÉFILA NO AR.
Não me importo.

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