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	<title>O Discreto Blog da Burguesia</title>
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	<description>If they bomb their own troops, they must have their reasons.</description>
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		<title>Isto é Isto é Água</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Aug 2011 16:47:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Calil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Postado por Luis Calil Traduzi um texto sensacional do David Foster Wallace (chamado This is Water) pra um amigo, e o Sr. Fabiano Ristow sugeriu que eu poste o texto aqui no blog. Três coisas que vocês precisam saber antes &#8230; <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/08/31/isto-e-isto-e-agua/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=1150&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/yellowcalx">Luis Calil</a></em></p>
<p><img class="aligncenter" title="Dfw" src="http://niilismo.net/forum/images/uploads/dfwallace.jpg" alt="" width="550" height="449" /></p>
<p>Traduzi um texto sensacional do David Foster Wallace (chamado <em>This is Water</em>) pra um amigo, e o Sr. Fabiano Ristow sugeriu que eu poste o texto aqui no blog. Três coisas que vocês precisam saber antes de ler:</p>
<p>1) Wallace foi um dos escritores mais aclamados e respeitados das últimas décadas. Infelizmente, poucos textos dele foram traduzidos para o português. Ele tinha uma intensa curiosidade sobre praticamente qualquer tema, e uma incrível, profunda autoconsciência. E ele também era hilário. Se matou em 2008, aos 46 anos de idade, depois de uma longa batalha contra a depressão. Eu odeio escrever mini-biografias.</p>
<p>2) Já existe uma tradução desse texto vagando por aí, mas a minha é melhor, porque eu a fiz. QED.</p>
<p>3) Esse texto é na verdade um discurso de graduação que ele fez em 2005, na universidade onde ele dava aula. Quando caiu na internet, o texto fez bastante sucesso. Por que? Eu não ousaria tentar explicar a mágica dele. Vai fundo:</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#000000;"><strong>ISTO É ÁGUA</strong></span><br />
<span style="text-decoration:underline;color:#000000;"> David Foster Wallace</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Há dois peixes jovens nadando ao longo de um rio, e eles por acaso encontram um peixe mais velho nadando na direção oposta, que pisca para eles e diz, &#8220;Bom dia, rapazes, como está a água?&#8221;. E os dois peixes jovens continuam nadando por um tempo, e então um deles olha pro outro e diz, &#8220;Que diabos é água?&#8221;.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Se você está preocupado pensando que eu estou planejando me apresentar aqui como o peixe velho e sábio explicando o que é água, por favor não fique. Eu não sou o peixe velho e sábio. O ponto imediato da história dos peixes é que as realidades mais óbvias, ubíquas e importantes são frequentemente as mais difíceis de se ver e discutir. Declarada como uma frase, é claro, isso é só um lugar-comum banal &#8211; mas o fato é que, nas trincheiras diárias da existência adulta, lugares-comuns banais podem ter importância de vida ou morte.</span></p>
<p><span id="more-1150"></span></p>
<p><span style="color:#000000;">É claro que o principal requerimento de discursos de formatura como esse é que eu devo falar sobre o significado da sua educação de Ciências Humanas, tentar explicar por que o diploma que você acabou de receber tem algum valor humano real ao invés de apenas compensação material. Então vamos falar do maior clichê do gênero do discurso de formatura, que é que a educação de ciências humanas não tem o propósito de te encher de conhecimento, mas sim de ensiná-lo a pensar. Aqui vai outra historinha didática:</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Tem dois caras sentados juntos num bar numa região remota do Alaska. Um dos caras é religioso, o outro é ateu, e os dois estão discutindo sobre a existência de Deus com a intensidade especial que vem depois da quarta cerveja. E o ateu diz: &#8220;Olha, não é como se eu não tivesse razões verdadeiras pra não acreditar em Deus. Não é como se eu nunca tivesse experimentado essa coisa toda de Deus e oração. Mês passado uma nevasca terrível me pegou longe do acampamento, eu tava completamente perdido, e não conseguia ver nada, e tava 25 graus negativos, então eu tentei: eu caí de joelhos na neve e gritei &#8216;Ó Deus, se existir um Deus, eu tô perdido nessa nevasca, e eu vou morrer se você não me ajudar.&#8217;&#8221; E agora, no bar, o cara religioso olha pro ateu confuso. &#8220;Bem, então você deve acreditar agora&#8221;, diz ele. &#8220;Afinal, aqui está você, vivo.&#8221; O ateu rola os olhos. &#8220;Não, cara, o que aconteceu é que dois esquimós por acaso apareceram por lá e me mostraram o caminho do acampamento.&#8221;</span></p>
<p><span style="color:#000000;">É fácil fazer uma análise literária dessa história: A mesma exata experiência pode significar duas coisas completamente diferentes para duas pessoas completamente diferentes, considerando os diferentes modelos de crença e as diferentes formas de construir significado de uma experiência. Porque nós valorizamos tolerância e diversidade de crença, não queremos na nossa análise literária afirmar que a interpretação de um cara é verdadeira e a interpretação do outro cara é falsa ou ruim. O que não tem problema, só que nós também acabamos nunca falando sobre de onde vêm esses modelos e crenças diferentes.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Quero dizer: de onde eles vêm dentro dos dois caras? É como se a orientação ao mundo mais básica de uma pessoa, e o significado de sua experiência, fossem de alguma forma simplesmente impressos nos genes, como altura ou tamanho do sapato &#8211; ou automaticamente absorvidos da cultura, como linguagem. Como se a forma em que construímos significado não fosse uma questão de escolha pessoal e intencional. Além disso, há toda a questão de arrogância. O cara não-religioso está completamente certo na sua rejeição da possibilidade de que os esquimós tiveram qualquer coisa a ver com sua oração e pedido de ajuda. Verdade, existem também muitas pessoas religiosas que parecem arrogantes e certas de suas próprias interpretações. Elas provavelmente são muito mais repulsivas do que os ateus, pelo menos para a maioria. Mas o problema do religioso dogmático é exatamente o mesmo do descrente da história: certeza cega, uma mente fechada que representa um aprisionamento tão completo que o prisioneiro nem sabe que está encarcerado.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">O ponto aqui é que isso é uma parte do que me ensinar como pensar significa. Ser um pouco menos arrogante. Ter um pouco de consciência crítica sobre mim e minhas certezas. Porque uma grande porcentagem das coisas sobre as quais eu costumo automaticamente ter certeza é, na verdade, totalmente errada ou ilusória. Eu aprendi isso do jeito difícil, e eu aposto que vocês também vão.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Aqui vai um exemplo de algo completamente errado que eu costumo automaticamente ter certeza: tudo na minha experiência apóia minha crença profunda de que eu sou o centro absoluto do universo, a pessoa mais real, vívida e importante que existe. Nós raramente falamos sobre esse tipo de egocentrismo natural e básico, porque ele é tão socialmente repulsivo, mas é basicamente o mesmo para todos nós, no fundo. É a nossa configuração padrão, impressa nos nossos circuitos desde o nascimento. Pense nisso: você nunca teve uma experiência da qual você não foi o centro absoluto. O mundo como nós o vemos está bem na sua frente, ou atrás de você, ou à sua esquerda ou à sua direita, na sua TV, no seu monitor, ou o que for. Os pensamentos e sentimentos de outras pessoas precisam ser comunicados pra você de alguma forma, mas os seus próprios são tão imediatos, urgentes, reais&#8230; você entendeu.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Mas por favor, não se preocupe pensando que eu estou me preparando pra pregar pra você sobre compaixão ou desprendimento ou as supostas &#8220;virtudes&#8221;. Isso não é uma questão de virtude, é uma questão de eu escolher fazer o trabalho de alterar ou me livrar da minha configuração padrão natural, que é ser profundamente e literalmente egocêntrico, e ver e interpretar tudo pela lente do eu. Pessoas que conseguem ajustar sua configuração padrão natural dessa forma são geralmente descritas como &#8220;bem ajustadas&#8221;, o que eu lhe sugiro que não é um termo acidental.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Como vocês devem saber, é extremamente difícil se manter alerta e atento, ao invés de se hipnotizar pelo monólogo constante dentro da sua próprio cabeça (pode estar acontecendo agora). Vinte anos depois da minha gradução, eu cheguei à conclusão de que o clichê sobre a educação de Humanas sobre te ensinar como pensar é na verdade uma simplificação de uma idéia muito mais profunda e séria: aprender como pensar significa como exercer controle sobre como e o que você pensa. Significa estar ciente e consciente o suficiente para escolher no que você presta atenção e escolher como você constrói significado de uma experiência. Porque se você não exercitar esse tipo de escolha na vida adulta, você está lascado.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Pense no velho clichê sobre a mente ser &#8220;um ótimo servo mas um terrível mestre.&#8221; Esse, como vários outros clichês, tão bobo e broxante na superfície, na verdade expressa uma grande e terrível verdade. Não é mera coincidência que adultos que se suicidam com armas de fogo quase sempre atiram na cabeça. Eles atiram no terrível mestre. E a verdade é que a maioria desses suicídas estão mortos muito antes de puxarem o gatilho. E eu sugiro que esse é o verdadeiro valor da educação de Humanas: como evitar viver sua confortável e próspera vida adulta morto, inconsciente, um escravo da sua cabeça e da sua configuração padrão natural de ser unicamente, completamente, imperialmente sozinho, dia após dia. Isso pode soar como hipérbole ou baboseira abstrata. Vamos deixar mais concreto.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">O fato é que vocês jovens graduados não fazem idéia do que realmente significa &#8220;dia após dia&#8221;. Há por acaso partes enormes da vida adulta americana sobre as quais ninguém fala nesses discursos de formatura. Uma dessas partes envolve tédio, rotina e frustrações triviais. Seus pais vão saber muito bem do que eu estou falando.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Por exemplo, digamos que é um dia comum, e você acorda de manhã, e você vai pro seu trabalho exigente, e você trabalha duro por nove ou dez horas, e no fim do dia você está cansado e estressado, e tudo que você quer fazer é ir pra casa e jantar e talvez relaxar por algumas horas e então cair na cama cedo porque você tem que acordar no dia seguinte e fazer tudo de novo. Mas aí você lembra que não tem comida em casa &#8211; você não teve tempo de fazer compras essa semana, por causa do seu trabalho exigente &#8211; e então agora, depois do trabalho, você tem que entrar no seu carro e dirigir até o supermercado. É o fim do expediente, e o tráfego está horrível, então chegar no lugar demora muito mais do que deveria, e quando você finalmente chega lá, o supermercado está muito cheio, porque, é claro, é a hora do dia que todas as outras pessoas com emprego também tentam espremer um tempo pra fazer compras, e a iluminação da loja é fluorescente e medonha, e no som toca algum pop corporativo ou Muzak que destrói a alma, e é basicamente o último lugar que você quer estar. Mas você não pode entrar e sair rapidamente: você tem que vagar pelos corredores lotados dessa loja enorme e exageradamente iluminada para achar as coisas que você quer, e você tem que manobrar o seu carrinho de compras enferrujado por todas essas outras pessoas cansadas e apressadas que também empurram carrinhos, e é claro que também estão lá as pessoas idosas se movendo num ritmo glacial e as pessoas espaçosas e as crianças que bloqueiam os corredores e com as quais você tenta ser educado quando pede para elas deixarem você passar &#8211; e finalmente, você pega tudo que precisa pro jantar, só que agora não tem caixas abertos suficientes apesar de ser a correria do fim do dia, então a fila do caixa está incrivelmente longa, o que é estúpido e irritante, mas você não pode despejar sua fúria na moça agitada trabalhando no caixa, que está sobrecarregada num emprego cujo tédio diário e insignificância ultrapassam a imaginação de qualquer um de nós nessa faculdade prestigiada.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">De qualquer forma, você finalmente chega na frente do caixa, e paga pela sua comida, e espera receber seu cartão autenticado pela máquina, e então desejam-lhe &#8220;um bom dia&#8221; numa voz que é a absoluta voz da morte, e então você tem que levar seus sacos de plástico frágil no seu carrinho através do estacionamento cheio, esburacado e sujo, e você tenta colocar os sacos no seu carro de forma que tudo não caia das sacolas e role pelo seu porta-malas no caminho para casa, e então você tem que dirigir para casa no tráfego lento de hora do rush, cheio de SUVs e picapes, etc, etc.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">O ponto é que merda trivial e frustrante desse tipo é exatamente onde entra o trabalho de escolher. Porque os engarrafamentos e corredores lotados e longas filas do caixa me dão tempo para pensar, e se eu não tomar uma decisão consciente sobre como pensar e no que prestar atenção, eu vou ficar enfezado e miserável toda vez que eu for comprar comida, porque minha configuração padrão natural é a certeza de que situações como essa são na verdade só sobre mim, sobre minha fome e meu cansaço e meu desejo de chegar em casa, e vai parecer que todos os outros estão no meu caminho, e quem é esse povo, mesmo? E olha o quão repulsivo é boa parte deles, e como aqui na fila do caixa eles parecem estúpidos, olhos mortos, não-humanos, como vacas, ou o quão irritante e rude são as pessoas que estão falando alto no celular no meio da fila, e olha como isso é profundamente injusto: eu trabalhei duro o dia inteiro e estou faminto e cansado e não posso nem chegar em casa para comer e relaxar por causa de todo esse maldito povo idiota.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Ou, se eu estou na forma mais socialmente consciente da minha configuração padrão, eu posso passar o tempo no engarrafamento do fim do dia ficando irritado e enojado com todos esses SUVs e picapes e caminhonetes enormes, idiotas, que bloqueiam pistas, queimando e desperdiçando seus tanques egoístas de 40 galões de gasolina, e eu posso considerar o fato de que adesivos religiosos ou patrióticos costumam estar pregados nos veículos maiores e mais egoístas, dirigidos pelos motoristas mais feios, imprudentes e agressivos, que geralmente estão falando no celular enquanto cortam os outros pra avançar 10 metros idiotas num engarrafamento, e eu posso pensar sobre como os filhos dos nossos filhos vão nos desprezar por gastar todo o combustível do futuro e provavelmente estragar o clima, e quão mimados e estúpidos e nojentos nós somos, e como a sociedade consumista moderna é um saco, e assim por diante. Você entendeu.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Se eu escolher pensar assim na loja ou na rua, tudo bem, muitos de nós pensam &#8211; só que pensar dessa forma costuma ser fácil e automático e não precisa ser uma escolha. É a minha configuração padrão natural. É a forma automática de como eu vivo as partes chatas, frustrantes e lotadas da vida adulta quando eu estou operando na crença automática, inconsciente de que eu sou o centro do mundo, e que minhas necessidades imediatas e sentimentos são o que deve determinar as prioridades do mundo.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">A questão é que, é claro, há formas completamente diferentes de se pensar sobre esses tipos de situações. Nesse trafego, todos esses veículos parados no meu caminho, não é impossível que algumas dessas pessoas nas caminhonetes já estiveram em acidentes de carro horríveis no passado e agora acham dirigir tão aterrorizante que seus terapeutas praticamente ordenaram que elas comprem uma caminhonete grande e pesada para que se sintam seguras o suficiente para dirigir novamente. Ou que a picape que acabou de me cortar talvez esteja sendo dirigida por um pai cujo filho esteja ferido ou doente no banco de passageiros, e ele está tentando levar essa criança pro hospital, e ele está numa pressa maior e mais legítima que a minha &#8211; ou seja, sou eu que estou no caminho dele. Ou eu posso me forçar a considerar a possibilidade de que todo mundo na fila do supermercado está tão entediado e frustrado quanto eu, e que algumas dessas pessoas tem uma vida mais difícil, tediosa e dolorosa que a minha.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Novamente, por favor não ache que eu estou dando conselho moral, ou que estou dizendo que você deve pensar dessa forma, ou que qualquer um espere que você automaticamente faça isso. Porque é difícil. Requer determinação e esforço, e se você é como eu, alguns dias você não vai conseguir fazê-lo, ou simplesmente não vai querer.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Mas na maioria dos dias, se você está ciente o bastante para se dar uma escolha, você pode escolher outra forma de olhar para essa senhora obesa, de olhos mortos e maquiagem exagerada, que acabou de gritar com o filho na fila do supermercado. Talvez ela não seja assim, geralmente. Talvez ela esteja acordada três noites seguidas segurando a mão do seu marido que está morrendo de câncer ósseo. Ou talvez essa mesma senhora seja a atendente do departamento de veículos motorizados, que ontem mesmo ajudou a sua esposa resolver algum problema chato através de um pequeno ato de bondade burocrática.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">É claro, nada disso é provável, mas também não é impossível. Só depende do que você quer considerar. Se você tem certeza automática de que sabe o que a realidade é, e você está operando na sua configuração padrão, então você, como eu, provavelmente não vai considerar possibilidades que não são irritantes ou miseráveis. Mas se você realmente aprender como prestar atenção, então você saberá que existem outras opções. Estará dentro da sua capacidade vivenciar uma situação lotada, lenta e quente como não só significante, mas sagrada, uma chama como a que criou as estrelas: amor, companheirismo, e a unidade mística de todas as coisas, no fundo.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Não que essa coisa mística seja necessariamente verdade. A única coisa que é Verdade com v maiúsculo é que você decide como vai tentar vê-la.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Essa, eu afirmo, é a verdadeira educação, a de aprender como ser bem ajustado. Você vai conscientemente decidir o que tem significado e o que não tem. Você decide o que venerar.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Porque aqui está algo que é estranho mas real: nas trincheiras diárias da vida adulta, não existe algo como o ateísmo. Não existe &#8220;não venerar&#8221;. Todo mundo venera. A única escolha que temos é o que venerar. E a razão convincente para talvez escolher venerar algum tipo de deus ou coisa espiritual &#8211; seja JC, Alá, ou a Deusa Mãe dos Wicca, ou as Quatro Nobres Verdades, ou algum conjunto de princípios éticos invioláveis &#8211; é que praticamente qualquer outra coisa que você venerar vai te comer vivo.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Se você venera dinheiro e coisas, se é aí que você encontra significado verdadeiro na vida, então você nunca terá o suficiente. É a verdade. Venere o seu corpo e beleza e atração sexual, e você sempre vai se sentir feio. E quando o tempo e idade começarem a aparecer, você vai morrer um milhão de mortes antes de finalmente te enterrarem. De certa forma, nós já sabemos dessas coisas. Elas já foram codificadas em mitos, provérbios, clichês, epigramas, parábolas &#8211; o esqueleto de toda grande história. O truque é manter a verdade evidente na consciência diária..</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Venere o poder, e você vai acabar se sentindo fraco e medroso, e você vai precisar de ainda mais poder sobre os outros para entorpecer o seu próprio medo. Venere seu intelecto, ser visto como esperto, e você vai acabar se sentindo estúpido, uma fraude, sempre à beira de ser descoberto. Mas a coisa insidiosa sobre essas formas de veneração não é que elas são más ou perversas &#8211; é que elas são inconscientes. Elas são a configuração padrão. São o tipo de veneração em que você gradualmente se acomoda, dia após dia, ficando mais e mais seletivo sobre o que você vê e como você mede valor sem jamais estar totalmente ciente do que está fazendo.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">E o suposto mundo real não irá te desencorajar de operar na sua configuração padrão, porque o suposto mundo real de homens e dinheiro e poder cantarola alegremente numa piscina de medo e raiva e frustração e desejo e veneração de si mesmo. Nossa própria cultura atual canalizou essas forças de formas que geraram extraordinária riqueza e conforto e liberdade pessoal. A liberdade de sermos senhores dos nossos pequenos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, sozinhos no centro de toda a criação. Esse tipo de liberdade tem vários méritos. Mas é claro que há vários tipos diferentes de liberdades, e no grande mundo lá fora de querer e conseguir, você não irá ouvir muito sobre o tipo mais precioso. O tipo realmente importante de liberdade envolve atenção e consciência e disciplina, e ser capaz de realmente se importar com outras pessoas e se sacrificar por elas repetidamente numa miríade de formas triviais e pouco excitantes.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Essa é a verdadeira liberdade. Isso é ser educado, e saber como pensar. A alternativa é a inconsciência, a configuração padrão, a corrida maluca, a constante e torturante sensação de ter tido, e perdido, alguma coisa infinita.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">Eu sei que essas coisas não soam divertidas ou joviais ou grandiosamente inspiradoras como um discurso de formatura deve soar. O que isso é, até onde eu sei, é a Verdade com v maiúsculo, com uma porção de sutilezas retóricas removidas. Você está, é claro, livre para pensar disso o que você quiser. Mas por favor não o rejeite como algum sermão hipócrita. Nada disso é realmente sobre moralidade ou religião ou dogma ou questões fantasiosas sobre vida após a morte. A Verdade com v maiúsculo é sobre vida antes da morte. É sobre o valor real de educação real, que não tem quase nada a ver com conhecimento, e tudo a ver com simples consciência &#8211; consciência daquilo que é real e essencial, tão escondido na obviedade ao nosso redor, o tempo todo, que nós temos que continuar relembrando repetidamente:</span></p>
<p><span style="color:#000000;">&#8220;Isto é água.&#8221;</span></p>
<p><span style="color:#000000;">&#8220;Isto é água.&#8221;</span></p>
<p><span style="color:#000000;">É inimaginavelmente difícil fazer isso, se manter consciente e vivo no mundo adulto dia após dia. O que significa que mais um grande clichê acaba sendo verdade: sua educação realmente é o trabalho de uma vida toda. Eu lhes desejo muito mais que sorte.</span></p>
<p><em>Tradução: Luis Calil </em></p>
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		<title>A Origem Da Conquista Do Planeta Dos Macacos Também Se Levanta</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2011 10:56:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Pinder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Postado por Rodrigo Pinder O título original de Planeta dos Macacos: A Origem é Rise of the Planet of the Apes, similar a G.I. Joe: The Rise of Cobra, aqui chamado de A Origem de Cobra, ou quiçá o próximo filme &#8230; <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/08/30/a-origem-da-conquista-do-planeta-dos-macacos-tambem-se-levanta/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=992&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/rodrigopinder">Rodrigo Pinder</a></em></p>
<p><a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/08/rise-of-the-planet-of-the-apes-movie-image-0411.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1117" title="&quot;Take your stinkin' wand off me, you damn dirty Slytherin!&quot;" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/08/rise-of-the-planet-of-the-apes-movie-image-0411.jpg?w=500&#038;h=280" alt="" width="500" height="280" /></a></p>
<p>O título original de <em>Planeta dos Macacos: A Origem</em> é <em>Rise of the Planet of the Apes</em>, similar a <em>G.I. Joe: The Rise of Cobra</em>, aqui chamado de <em>A Origem de Cobra</em>, ou quiçá o próximo filme de Christopher Nolan, <em>The Dark Knight Rises</em>, mas definitivamente não como o filme anterior de Christopher Nolan, <em>A Origem</em>. Seria concebível alguém enxergar um padrão aí, talvez um serial killer que decifrou uma mensagem nesse padrão depois de uma maratona de <em>Fringe</em> e decidiu se fantasiar de macaco e matar o John Lightgow, que além de estar em <em>Planeta</em> também participou da série <em>Third Rock From The Sun</em> com Joseph-Gordon Levitt, que por sua vez está em <em>A Origem</em>, <em>Rise of Cobra </em>e <em>The Dark Knight Rises</em>. Hello. Is this on?</p>
<p>Oi. Por motivos entediantes demais pra comentar, faz mais de um ano que eu não escrevo aqui. Decidi voltar em fluxo de consciência seguindo o &#8220;raciocínio&#8221; mais imbecil que consegui pensar porque eu escolhi falar de um filme de ação com pretensões sci-fi que não faz o menor sentido. Não me entendam mal, <em>Planeta dos Macacos: A Origem</em> é um bom filme e tem grandes momentos. E, claro, 100% deles envolvem macacos. O problema, como já se suspeitava desde o trailer, é o quociente Homo Sapiens, que parece ter sido definhado de propósito, como se torna-lo psicologicamente bidimensional deixasse os macacos mais verossímeis como criaturas visualmente tridimensionais, ou algo assim. Acompanhem-me enquanto eu tento explicar o que diabos eu estou dizendo, se é que eu ainda me lembro como se usa isso aqui.</p>
<p><span id="more-992"></span></p>
<p>A boa notícia é que a manipulação emocional não é nem de longe tão descarada como em <em>Avatar <em>–</em> </em>há pelo menos a <em>tentativa</em> de balancear as coisas. Por mais que a PETA queira fazer você acreditar no contrário, <em>Planeta dos Macacos: A Origem</em> não odeia humanos, pelo menos não da forma indiscriminada e cheia de entusiasmo que alguns amantes de animais parecem compartilhar. Talvez seja de bom-tom mencionar que eu sou totalmente a favor de macacos, especialmente os grandes símios retratados no filme. Eu os acho fascinantes e acredito que tem tanto direito à vida quanto nós. Sim, eles são meus parentes, e é peculiarmente empolgante vê-los fazendo coisas que teoricamente não conseguiriam fazer. Mas eu tenho parentes mais próximos, que são extremamente entediantes de assistir sendo pessoas estúpidas e/ou desinteressantes que agem de formas inexplicáveis e/ou contraditórias.</p>
<p>Oh, sim. É um <em>daqueles</em> filmes, onde em geral a motivação se resume a “porque está no roteiro.” Considere, por exemplo, o chefe de James Franco, cujo nome eu não lembro então vamos chamar de Corporate Asshole. Corporate Asshole é o maior antagonista do filme, e no terceiro ato sua ganância histérica e irresponsável tem consequências desastrosas.  O problema é que para chegarmos lá sua postura tem que fazer um 180 completo sem a menor explicação, já que no primeiro ato James Franco (que vamos chamar de James Franco) só adota nosso herói, o chimpanzé Caesar, porque Corporate Asshole é paranóico o suficiente sobre riscos de contaminação para mandar sacrificar todos os macacos inoculados com o vírus mágico que James Franco inventou para curar o Alzheimer. Talvez Coporate Asshole seja bipolar, mas eu acredito ser mais provável que o roteiro tenha sido apressado em diversos pontos.</p>
<p><a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/08/planet-apes.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1114" style="border-color:initial;border-style:initial;" title="&quot;Dude.&quot;" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/08/planet-apes.jpg?w=500&#038;h=279" alt="" width="500" height="279" /></a></p>
<div>
<p>Por falar em James Franco e Alzheimer, há também incômodos problemas de tom no Planeta dos Humanos, envolvendo especificamente aqueles humanos pelos quais você teoricamente deveria sentir alguma conexão emocional, ou no mínimo não torcer para que morressem. Franco, sua bela namorada indiana [1] Freida Pinto e seu pai John Lightgow (sim, ele tem Alzheimer) são tão cheios de boas intenções quanto o Inferno, mas quando o Franco está tão entediado quanto estava no Oscar e Lightgow parece fazer parte de algum skit de comédia peculiarmente controverso, não dá pra levar os conflitos dramáticos muito a sério. Nesse aspecto o pior elemento é o coitado do vizinho. O que começa como dano colateral acaba como punição cruel por sabe-se lá quais pecados. O cara só estava querendo proteger a própria família e propriedade, jesus.</p>
<p>Esses são os problemas fundamentais, não detalhes como os números que Caesar consegue juntar em seu exército (estima-se que o total de grandes símios em São Francisco seja algo em torno de 25), tampouco a velocidade de aprendizado necessária para organiza-lo. Em menos de duas horas acompanhamos o protagonista da infância ao cativeiro à liderança de um povo. É uma história de heroísmo (o que vai criar uma bela mudança de tom quando chegar a hora de fazer aquela sequência distópica, mas enfim); Caesar é Spartacus, e a logística exata de como ele libertou os escravos não é terrivelmente importante. Veja bem, eu não sou um cientista. Eu sou um homem simples, um homem que vê filmes. Mas eu tenho quase certeza de que a ficção científica aqui tem uma grande ênfase na parte da &#8220;ficção.&#8221; Eu confesso não lembrar quase nada da série original, mas, se não me engano, os humanos haviam sido dizimados por causa da boa e velha Terceira Guerra Mundial, ou algo parecido. Aqui nós temos um vírus que não apenas torna macacos hiperinteligentes, bem como <em>mata pessoas horrivelmente</em>. Ou seja, uma forma de vida cuja existência parece ter o único propósito de criar a trama de <em>Planeta dos Macacos: A Origem</em>.</p>
<p><a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/08/rise_of_the_planet_of_the_apes-152.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1118" title="&quot;Gee, this is extremely convenient!&quot;" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/08/rise_of_the_planet_of_the_apes-152.jpg?w=500&#038;h=243" alt="" width="500" height="243" /></a></p>
<p>Mas e os macacos? Bom, Andy Serkis está obviamente se tornando o maior especialista do mundo em motion capture de criaturas, e os efeitos são ótimos, dentro das limitações. Tendo intenções de fotorrealismo ou não, CGI ainda é animação, afinal. Fazer o King Kong não é muito diferente de fazer o Buzz Lightyear. Caso houvessem alternado entre símios de verdade e virtuais, todavia, os efeitos seriam mais óbvios ainda. Desse jeito, além de não enfurecer ativistas, há uma ampla variedade de escolhas de detalhes para deixar os macacos mais diferentes entre si, criando personagens visualmente únicos com os quais a platéia tem tempo de se acostumar. Esses personagens são o suficiente para gerar um número satisfatório de set-pieces que envolvem os macacos formando sua hierarquia, silenciosamente conspirando e, finalmente, escapando pela Golden Gate numa daqueles raras sequências de ação onde você entende tudo que está acontecendo (oi, Michael Bay).</p>
<p>Eu estou evitando falar sobre subtexto social porque eu desconfio que ele não existe. Sejamos francos, no entanto: a série original nunca teve uma mensagem muito elaborada e a premissa obviamente surgiu em alguma viagem de ácido. Eu suponho que naquela época qualquer cenário que misturasse apocalipse com insurgência seria relevante de uma forma ou de outra. Mas e <em>A Origem</em>? O que este filme está <em>dizendo</em>, exatamente? Isso importa? Discutam, sociólogos. Seja como for, se você parar pra pensar, a dinâmica é quase <em>sui generis</em>: estamos vendo uma revolução do ponto de vista de uma classe desprivilegiada que tem uma vantagem inédita pelo fato de seus captores mal fazerem idéia de que eles tem uma linguagem. Bom, pelo menos até até o momento em que alguém diz “Take your stinkin&#8217; paws off me, you damn dirty ape!” E se você tem sangue correndo nas veias, quando esse momento chegar você vai sentir que valeu à pena pagar pelo ingresso.</p>
<p>[1] Grande variedade étnica nesse filme. Até Corporate Asshole é um negro com sotaque britânico.</p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/discretoblog.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/discretoblog.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/discretoblog.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/discretoblog.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/discretoblog.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/discretoblog.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/discretoblog.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/discretoblog.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/discretoblog.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/discretoblog.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/discretoblog.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/discretoblog.wordpress.com/992/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/discretoblog.wordpress.com/992/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/discretoblog.wordpress.com/992/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=992&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Depressão, desespero e tranquilidade no fim do mundo, tudo ao mesmo tempo</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 22:08:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiano Ristow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[fim do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[lars von trier]]></category>
		<category><![CDATA[melancholia]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Fabiano Ristow &#8220;Sookie&#8221; Um fator angustiante para quem já teve depressão de verdade: &#8220;Melancolia&#8221; a ilustra perfeitamente. Não a introduz, nem a desenvolve, apenas a despeja lá em seu estado mais avançado e cruel, no ponto em que &#8230; <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/08/08/depressao-desespero-e-tranquilidade-no-fim-do-mundo-tudo-ao-mesmo-tempo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=966&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/fabianoristow">Fabiano Ristow</a></em></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/08/casamento.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-968" title="Melancolia casamento" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/08/casamento.jpg?w=500&#038;h=281" alt="" width="500" height="281" /></a><em>&#8220;Sookie&#8221;</em></p>
<p>Um fator angustiante para quem já teve depressão de verdade: &#8220;Melancolia&#8221; a ilustra perfeitamente. Não a introduz, nem a desenvolve, apenas a despeja lá em seu estado mais avançado e cruel, no ponto em que a pessoa não consegue mais se mexer, quando perde noção de consequência ou não se importa mais com ela, ou, como <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/24/advogado-do-diabo-a-ingrata-tarefa-de-defender-anticristo/">resumiu nosso amigo Rodrigo Pinder ao falar de &#8220;Anticristo&#8221;</a>, quando &#8220;a mente fragilizada é um balão cheio de ar, e cada ideia destrutiva serpenteando em seu subconsciente um alfinete&#8221;. Ou você entende, ou acha exagero. Não é exagero. Talvez esse tenha sido um erro do Lars Von Trier. Ele não pede licença para apresentar a depressão. Se você não tem experiência com ela, direta ou indiretamente, será como uma incógnita, um filme com uma personagem misteriosa, ou, como algumas pessoas gostam de definir, &#8220;maluca&#8221; &#8211; porque é mais fácil. Mais uma vez, não que elas tenham culpa. Vai ver o Trier fez mesmo um filme fechado demais. Tanto ele quando a Kirsten Dunst já sofreram com a depressão, e eles sabem que não adianta explicá-la sem parecer meio ridículo e incompreensível para quem está de fora, e não fizeram esforço para desmistificá-la, apenas para retratá-la. Ela existe, é daquele jeito, e é isso.</p>
<p>Com relação aos outros personagens de &#8220;Melancolia&#8221;, não sei se dá para dizer o mesmo. São muito improváveis. Stellan Skarsgård é um empresário fanático e ganancioso demais, Charlotte Rampling é uma mãe pessimista e amargurada demais, Alexander Skarsgård é um marido bonzinho e compreensível demais, Brady Corbet é um aprendiz manipulável e ingênuo demais, e Kiefer Sutherland é um cunhado insensível e arrogante demais. Talvez a história de vida de cada um deles os tenha tornado realmente assim, mas Trier não dá seus históricos. Mais uma vez dispensa satisfações e você se vê na única saída possível, a de tentar desesperadamente entender com muito esforço e imaginação quem são aquelas pessoas e por que elas são desse jeito. Eu não sei por que Trier fez isso. Talvez ele tenha tido a intenção de criar personagens estereotipados que não devem ser encarados literalmente, e sim sob a perspectiva de uma mente depressiva e deturpada, que enxerga qualquer traço de personalidade como um golpe de faca. Talvez ele tenha cagado a capacidade de compor personagens humanos e identificáveis (não necessariamente realistas) como ele já fez outras vezes como poucos. De qualquer forma, o resultado é que, se você não conseguiu estabelecer simpatia com a Dunst e a sua depressão já no começo, é possível que nessa altura você encare &#8220;Melancolia&#8221; como uma piada sem graça.</p>
<p><span id="more-966"></span></p>
<p>Mas aí tem a Charlotte Gainsbourg, atriz (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=-RSRmQ6WiUU">e cantora</a>) corajosa, que incorporou em &#8220;Anticristo&#8221; a personagem que é possivelmente a mais intensa, trágica e sofredora de todos os filmes do Trier. Se você sabe que ele é conhecido por submeter as suas atrizes a métodos cruéis durante as gravações, há de se supor que Charlotte tenha conhecido a epítome do que um diretor é capaz de fazer para conseguir o papel que ele quer, e em &#8220;Melancolia&#8221; ela faz, de novo, com bravura, uma mulher que tem tudo a perder diante da expectativa do fim do mundo. Antes disso, no entanto, ela desponta como o elo que finalmente pode unir o espectador desesperançoso. É o contrapeso da Kirsten Dunst: é uma mulher comum, com entusiasmo para manter as relações e rituais sociais funcionando, mas, ainda assim, uma mulher &#8220;normal&#8221; no meio de tanta impalpabilidade.</p>
<p>O que é &#8220;Melancolia&#8221;: um filme dividido em dois capítulos, o primeiro focado na Dunst e num casamento, o segundo na Charlotte e no fim do mundo. A gente sabe que o mundo vai mesmo acabar em algum momento por causa das já famosas e tão faladas composições que abrem o filme como um pesadelo, formalmente impecáveis, verdadeiras pinturas que, se são megalomaníacas, podem ser porque satisfazem a pretensão.</p>
<p><a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/08/melancoliaquadros.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-969" title="melancoliaquadros" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/08/melancoliaquadros.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>Mesmo que você ignore deliberadamente os milhares de elementos metafóricos e as referências, e também o irrealismo dos personagens e o absurdo das situações, &#8220;Melancolia&#8221; funciona como um drama, especialmente na segunda metade, impregnada de tensão. Quando o fim do mundo se ameaça próximo, a personagem da Charlotte, naturalmente, cai em desespero, enquanto a da Dunst encontra uma certa paz, mas, mais interessante ainda, uma certa racionalidade, ou, sendo mais preciso, equilíbrio. É hilário quando a Charlotte, tendo consciência do fim iminente, sugere fazer um ritual brega, mas bonito, no momento da morte, e você surpreendentemente espera que o filme vá aceitá-lo, primeiro por causa da sinceridade e urgência com que é feito, segundo porque funcionaria como um payoff dramático para o espectador. Dunst recusa, diz com a lógica que passou a crescer dentro dela que o plano é uma bela de uma bosta. É uma decepção para o espectador. Algumas horas antes ou depois, ela anuncia que sabe que estamos sozinhos, que não há vida em outros planetas e que o fim do mundo provocará um vazio eterno em que não haverá ninguém para sentir falta da gente, só que num tom ateísta de &#8220;mas está tudo bem, não tem nenhum problema nisso&#8221;.</p>
<p>Dá para tirar algumas conclusões automáticas da oposição entre essas duas metades do filme. A mais fácil é que a &#8220;normalidade&#8221; existe na convenção e na aceitação dos rituais sociais; você é normal e estável se enxergar os padrões estabelecidos como agradáveis, ou pelo menos corretos. A depressão, ou a &#8220;anormalidade&#8221;, por outro lado, está do lado do destrutivo, do caos. É confortável então assumir que isso explica a inversão de comportamento das duas personagens entre o primeiro e o segundo ato do filme. O fim do mundo traz horror aos sãos e paz aos insanos.</p>
<p>O problema desse pensamento é que ele também dá margem à interpretação simplista de que a depressão é o Mal. Definitivamente a depressão não é o apropriado para o estilo de vida que o mundo ocidental-cristão-capitalista-whatever leva, e certamente ela é autodestrutiva, mas eu acho que o filme vai além de constatar esse maniqueísmo. Ele mostra que não é preciso lidar com os ânimos como sendo Bons ou Ruins intrinsecamente, mas como estados que estão ou não em sintonia com o ambiente, ou, mais pretensiosamente, com o mundo. Talvez não seja uma mudança de conceito que faça tanta diferença na prática, mas implica numa postura de mais solidariedade e de menos julgamento rápido &#8211; o que, lendo dias depois da estreia o que o povo anda falando na Internet sobre a personagem da Dunst (e também na vida real desde muito tempo a respeito de pessoas deprimidas), é exatamente do que as pessoas precisam.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/discretoblog.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/discretoblog.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/discretoblog.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/discretoblog.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/discretoblog.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/discretoblog.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/discretoblog.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/discretoblog.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/discretoblog.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/discretoblog.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/discretoblog.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/discretoblog.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/discretoblog.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/discretoblog.wordpress.com/966/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=966&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Senhor De Todos Os Livros Sobre Estar Preso Numa Ilha Deserta</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 22:37:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiano Ristow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[nobel]]></category>
		<category><![CDATA[o senhor das moscas]]></category>
		<category><![CDATA[ralph]]></category>
		<category><![CDATA[william golding]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Fabiano Ristow Ficar preso numa ilha deserta é um dos grandes medos do imaginário coletivo, como o monstro debaixo da cama é para a criança. O que é curioso, porque não é um medo que envolve necessariamente a &#8230; <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/07/26/o-senhor-de-todos-os-livros-sobre-estar-preso-numa-ilha-deserta/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=954&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/fabianoristow">Fabiano Ristow</a></em></p>
<p><a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/07/flies.jpg"><img src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2011/07/flies.jpg?w=500" alt="" title="flies"   class="aligncenter size-full wp-image-955" /></a></p>
<p>Ficar preso numa ilha deserta é um dos grandes medos do imaginário coletivo, como o monstro debaixo da cama é para a criança. O que é curioso, porque não é um medo que envolve necessariamente a ideia de morte, talvez o suprassumo dos temores do homem &#8211; pelo menos não num primeiro nível, porque você não espera morrer imediatamente de fome ou sede como se estivesse à deriva num barco. Você vai comer frutas e se proteger contra a chuva num abrigo improvisado, e o resto você aprende com o tempo, como o Tom Hanks ensinou em &#8220;Náufrago&#8221;. Claro, ao primeiro sinal de uma doença grave você estará perdido porque não haverá tratamento, mas essa é uma preocupação futura (se você não for hipocondríaco).</p>
<p>O que torna a situação da ilha realmente apavorante, eu acho que é o tédio e desconforto que ela implica. Estar num pedaço de terra sem ter o que fazer, a não ser as coisas básicas para a sobrevivência, comer e beber, e sempre através de muito esforço, sem talheres nem papel higiênico. O terceiro fator, se você chegou à ilha sozinho, é a solidão. Talvez, finalmente, a noção da morte apareça indiretamente aí. Muita gente já se matou por causa dessas coisas.</p>
<p>O fato é que se perder numa ilha deserta tem a aura de uma casa mal assombrada, e todo mundo já brincou de perguntar &#8220;o que você faria se fosse parar numa ilha deserta?&#8221;, como uma espécie de versão negra e deprimente de &#8220;o que você faria se ganhasse na loteria?&#8221;. Como consequência, a premissa foi, é e será explorada pelos livros e filmes. Não só ela, como também os temas que aprendemos a esperar dela, de uma história sobre uma ou um grupo de pessoas isoladas da civilização por tempo indeterminado e perdendo a esperança de serem salvas: o retorno à selvageria, o lado obscuro da natureza humana, o medo do desconhecido e a relação com o poder.</p>
<p>São temas praticamente obrigatórios nessas histórias, onde, no caso de um grupo de pessoas, elas precisam conviver umas com as outras num espaço físico limitado por tempo ilimitado. Isso é aterrorizante: lidar com o jeito do outro sem que em um momento específico uma autoridade possa interferir e apontar quem está errado &#8211; e mesmo que você seja julgado como o errado, pelo menos é um ponto final na história, para que você possa continuar a vida e seguir para outras preocupações. Eu acho que esse é um conforto em todos os conflitos humanos, e também o que os torna suportáveis: saber que em algum momento eles vão acabar, que em algum momento você poderá dizer &#8220;então deixe a Justiça decidir&#8221;. E mesmo que você não possa fazer isso, mesmo que não possa delegar o fardo da decisão a qualquer outra coisa que não você, ainda existe a segunda opção, que é sair de perto. O Big Brother só é possível porque termina 3 meses depois, o casamento sem amor só é possível porque você pode pedir o divórcio.</p>
<p><span id="more-954"></span></p>
<p>Não ter o conforto da certeza de que os problemas são passageiros é mais do que aterrorizante, é enlouquecedor. A loucura, inclusive, é mais um tema recorrente em histórias de ilhas desertas. Nelas, as dificuldades não têm um fim delineado e a solução não é certa, porque os instrumentos a que você sempre recorre para superar empecilhos não estão lá. É um mundo imprevisível. A gente quer saber o que aconteceria com essas pessoas em convívio forçado e sem governo &#8211; ou obrigadas a formar o seu próprio sistema de governo -, e é por isso que essas histórias são atraentes. E elas podem se manifestar de várias formas. Não precisam necessariamente se passar numa ilha. Podem ser numa prisão, como em &#8220;Ensaio sobre a cegueira&#8221;, ou numa casa, como em &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0056732/">O anjo exterminador</a>&#8220;.</p>
<p>&#8220;O Senhor das Moscas&#8221; é apenas mais uma dessas histórias com essa premissa, só que com o cenário clássico. Quando foi publicada na década de 50, não era novidade. Robinson Crusoé foi escrito séculos antes. Mas &#8220;Moscas&#8221; tem uma diferença crucial e envigorante: os presos na ilha são crianças. Não é mesmice. É incrível. É sobre uma ilha e alguns mistérios, mas é sólida e penetrante como &#8220;Lost&#8221; nunca poderia ter sido, porque tem personagens fortes. É sobre crianças que precisam se reunir para criar regras e decidir o que é o certo e o errado e que acabam chegando num resultado desastroso.</p>
<p>É claro que a relação dessas crianças é uma representação da sociedade em geral, porque o livro é um clássico, e clássicos falam sobre coisas importantes ou maiores do que parecem ser. Apesar de as atitudes dos meninos-de-12-anos-para-baixo serem marcadas pela ingenuidade/impulsividade característica da idade, eles são guiados e eventualmente prejudicados por denominadores comuns a qualquer estrutura política e social.</p>
<p>Ao tomarem uma lança e caçar, ao convencerem alguém através de argumentos e ao humilharem uma outra criança usando palavras ou a força, os meninos são tomados pelo prazer de se sentirem uma autoridade. O que evita que a gente veja esses comportamentos e pensamentos como meros delírios infantis é a facilidade com que conseguimos reconhecê-los à nossa volta, na vida real, o tempo inteiro. No livro, os menores sonham com monstros e bichos e são logo caçoados pelos maiores, mas até os mais velhos sabem pouco da vida, e, influenciados pelas noites, as tempestades, a escuridão, a floresta, o frio e o silêncio, inevitavelmente se perguntam: e se houver mesmo um monstro? Bem, na vida real, graças a essa pergunta, coisas como a religião são possíveis.</p>
<p>Ao longo do livro existe um arco muito claro que começa com dias alegres até o horror. O começo tem o tom de uma história fantástica infantil, o final tem o peso de uma tragédia repugnante, e a última página faz querer chorar. Na luta das crianças para, primeiro, atingir o senso comum e, depois, para defender os seus lados, dá para identificar grandes questões do mundo real e outras pessoais, situações do trabalho ou em casa ou no bar, ou onde quer que você esteja interagindo com outras pessoas. A diferença é que os personagens de &#8220;Moscas&#8221; não podem sair daquele lugar. E como são crianças, dá pena. Mas talvez o grande golpe do livro não seja só a carga dramática, e sim, igualmente, o reconhecimento de que, mais do que identificar o mundo real naquela ilha, você identifica a ilha e aqueles atos infantis em todas as pessoas supostamente maduras com quem você convive.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/discretoblog.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/discretoblog.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/discretoblog.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/discretoblog.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/discretoblog.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/discretoblog.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/discretoblog.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/discretoblog.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/discretoblog.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/discretoblog.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/discretoblog.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/discretoblog.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/discretoblog.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/discretoblog.wordpress.com/954/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=954&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Top 20 Músicas de 2010</title>
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		<comments>http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Jan 2011 18:41:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Postado por Luis Calil James Blake, que não aparece na lista de 2010, mas vai na de 2011 Agora que já se passaram 25 dias (!) do fim de 2010, nós podemos finalmente ter a perspectiva (!) pra considerar o &#8230; <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=926&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/yellowcalx">Luis Calil</a></em></p>
<p style="text-align:center;"><em><img class="aligncenter" src="http://images.xlr8r.com/files/news/blake_091710.jpg" alt="" width="530" height="353" />James Blake, que não aparece na lista de 2010, mas vai na de 2011 </em></p>
<p>Agora que já se passaram 25 dias (!) do fim de 2010, nós podemos finalmente ter a perspectiva (!) pra considerar o que os artistas musicais pelo mundo a fora (i.e. EUA e Inglaterra, basicamente) produziram de fantástico e especial ao longo do ano.</p>
<p>Uma regra: Só incluirei uma música por artista, caso contrário o The National ocuparia um terço da lista e estragaria a festa.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>20.<br />
</strong>&#8220;Why Won&#8217;t You Make Up Your Mind?&#8221; &#8211; Tame Impala</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/AcH4KcrGGZk/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">John Lennon voltou, agora como um hippie australiano, e não gostou de nada que aconteceu com a música nos últimos 30 anos. Portanto, de volta às raízes.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>19.</strong><br />
&#8220;Runaway Love&#8221; &#8211; Justin Bieber</h2>
<h2 style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/mLxJYlYtshQ/2.jpg" alt="" /></a></span></h2>
<p style="text-align:center;">Michael Jackson também voltou, agora como um pirralho com cabelo terrível, mas sem perder sua voz maravilhosamente aguda e elástica. Uma das melhores músicas pop mainstream desde a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=x1TsfShR5ZY">obra-prima do <em>outro</em> Justin</a>.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>18.</strong><br />
&#8220;Odessa&#8221;  - Caribou</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Yq_tDOFU5tY/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Falando em Michael Jackson, essa aqui começa como se tivessem colocado uma banda disco numa mansão mal assombrada na Groenlândia. O falsete do Dan Snaith é a arma principal, sua repetição hipnótica no refrão confirmando que nenhum lugar é sombrio ou gelado demais pra se começar a dançar.</p>
<p style="text-align:center;">&nbsp;</p>
<p><span id="more-926"></span></p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>17.</strong><br />
&#8220;Bonny Doon&#8221; &#8211; Gamble House</h2>
<h2 style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Qk9CKclabt4/2.jpg" alt="" /></a></span></h2>
<p style="text-align:center;">O tema até agora vem sendo Reencarnação, mas o líder de Gamble House, Ben Becker, não esperou o Daniel Rossen nem aposentar pra começar a incorporar descaradamente o estilo e a &#8220;vibe&#8221; do Grizzly Bear/Department of Eagles nas suas composições. Pelo menos ele faz muito bem feito.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>16.</strong><br />
&#8220;Diplomat&#8217;s Son&#8221; &#8211; Vampire Weekend</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Qd_dNHh3PSo/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Como é possível resistir essa abertura? Um groove eletrônico reaggeano usando um sample da M.I.A. é sequestrado por backing vocals angelicais, te levando pra algum país de litoral da América Latina onde não há pobreza ou violência ou hipsters.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>15.</strong><br />
&#8220;New York Is Killing Me&#8221; &#8211; Gil Scott-Heron</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/WiuorrXsngM/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Eu quero que o David Simon, o criador de THE WIRE (a melhor série de todos os tempos) faça uma série sobre crime e corrupção em Nova York, e use essa música na abertura. <em>&#8220;Let me tell ya, city living ain&#8217;t all that it&#8217;s cracked up to be.&#8221;</em> Tão badass.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>14.</strong><br />
&#8220;Night Air&#8221; &#8211; Jamie Woon</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/2AqTvu5_plM/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Mesmo quando o Burial não lança música ele acaba aparecendo. Aqui ele ajuda o cantor inglês Jamie Woon a produzir uma das canções mais sexy do ano. Se eu tivesse uma boate, ia tocar isso aqui todo dia.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>13.</strong><br />
&#8220;Boyfriend&#8221; &#8211; Best Coast</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/y40TsOIpuEU/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">E se o Sonic Youth fizesse uma música de girl-group dos anos 60? Não consegue imaginar? Escuta aí. A melodia de abertura é um dos maiores ganchos do ano.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>12.</strong><br />
&#8220;Blue As Your Blood&#8221; &#8211; The Walkmen</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/8mwhr2O7aYg/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Deve ter uma competição rolando entre o The Walkmen e o The National pra ver qual banda consegue ser mais sofisticada e elegante e adulta. Quando os violinos entram no meio dessa faixa, parece que o Walkmen ganhou a disputa. Mas&#8230;</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>11.</strong><br />
&#8220;Do the Astral Plane&#8221; &#8211; Flying Lotus</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/yYHypCyo7ZY/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Na minha boate hipotética mencionada acima, essa música também tocaria toda noite, porque, francamente, quem iria conseguir se segurar? Se o baixo-synth de &#8220;Astral Plane&#8221; fosse uma pessoa, ela seria fantástica na cama. Pense sobre isso.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>10.</strong><br />
&#8220;Brightest Minds&#8221; &#8211; Department of Eagles</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/qxP_CrVJN-k/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Já cheguei a um ponto em que se o Daniel Rossen se gravasse arrotando por 8 minutos, eu iria chamar de obra-prima e colocar nessa lista. Felizmente, ele não faz isso aqui, então todas as outras pessoas do mundo também poderão se deleitar.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>09.</strong><br />
&#8220;Green Monster&#8221; &#8211; Paul Cary</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/r_ggrayzIy0/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Há um feedback macabro assombrando essa música inteira, como se a voz magnífica do Paul Cary não fosse o suficiente. No final, inclusive, só restam esses dois elementos, e é um dos momentos mais devastadores do ano.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>08.</strong><br />
&#8220;Slow Motion&#8221; &#8211; Panda Bear</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/oHRMC-ZhWJg/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Sim, a batida hip-hopesca é chique, a guitarra parece que vem de outra dimensão, as harmonias vocais são gloriosas, etc etc etc. Mas vamos reservar um momento pra apreciar a letra do Noah Lennox:  <em>&#8220;Everyone knows what they say/And then/I slow it down/it&#8217;s clear just how/it&#8217;s what they don&#8217;t say/that&#8217;s what counts&#8221;</em>. Uma salva de palmas, por favor.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>07.</strong><br />
&#8220;Heather in the Hospital&#8221; &#8211; Avey Tare</h2>
<h2 style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/rYstQPMHHdc/2.jpg" alt="" /></a></span></h2>
<p style="text-align:center;">O final é legal e tal, mas essa é uma daquelas músicas que começa <em>tão bem </em>que você não aguenta nem esperar ela terminar pra poder recomeçar. Eu fico reouvindo a abertura, a melodia mágica e melancólica do Avey (Animal Collective na área, galera) flutuando por cima de um synth que soa como um espírito solitário dançando numa caverna (liguem pro Apichatpong e dêem essa idéia pra ele).</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>06.</strong><br />
&#8220;Don&#8217;t Change For Me&#8221; &#8211; Ramadanman</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/0pLzBTmmt0E/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Ouvir essa faixa pela primeira vez foi um dos momentos musicais &#8220;transcendentais&#8221; do ano pra mim. Quando aquele sample de vocal picotado e manipulado e <em>absurdamente eufórico</em> apareceu, meu cérebro pifou; eu só consegui ouvir e babar, completamente perdido.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>05.</strong><br />
&#8220;All Delighted People (Original Version)&#8221; &#8211; Sufjan Stevens</h2>
<h2 style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/c3bQr8laLLU/2.jpg" alt="" /></a></span></h2>
<p style="text-align:center;">Esse é <span style="text-decoration:underline;"><em>o</em></span> grande épico de 2010. O arranjo é tão bombástico e grandioso que parece que eu devia ouvir a música de pé, com uma mão no peito, olhando pro céu. E a coisa toda é tão bonita e bem feita que eu consigo aguentar os 11 minutos (!) sem olhar pro relógio (e ainda ouvir tudo de novo logo em seguida).</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>04.</strong><br />
&#8220;Steppin&#8217; Up&#8221; &#8211; M.I.A.</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/RS6H9EYJI14/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Aqui, a M.I.A. revela todo o potencial do Metal, e como ele é desperdiçado pelos metaleiros. Tudo nessa faixa grita agressão e energia: começa comicamente com o som de britadeiras e serras elétricas, depois entra uma batida dupstepica com um baixo &#8220;<em>sub-sub-sub</em>&#8220;, e no refrão surge um riff distorcido digno de Slayer. E é claro, tem a M.I.A., que não precisa rasgar a voz nem gemer feito um elfo dramático pra acabar com o seu bem-estar mental. <em>&#8220;I light up like a genie and I blow up on this song&#8221;</em>. Sim, realmente.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>03.</strong><br />
&#8220;England&#8221; &#8211; The National</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/8Hl6GnmvMMA/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Um amigo meu disse que, nessa música, parece que o The National tá acompanhando uma orquestra, e não o contrário. Tem tantas cordas e metais e backing vocals que é difícil discernir o que é o que. Mas aí o Matt Berninger começa a cantar, com uma imponência que diz &#8220;Relaxa, gente, tá tudo sobre controle&#8221;, e a música toda faz sentido. Estonteante.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>02.</strong><br />
&#8220;10 Mile Stereo&#8221; &#8211; Beach House</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/3-rYQRxzaJM/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">A música mais perfeitamente construída dos últimos 12 meses. Parece uma canção de ninar que nossos descendentes ciborgues vão cantar pras suas crias quando estiverem viajando no espaço pra outra galáxia. Eu quero fazer um vídeo pra essa canção usando cenas daquela série COSMOS, do Carl Sagan, sobre astronomia. Aliás, dá pra alguém fazer isso pra mim por favor? Valeu.</p>
<h2 style="text-align:center;"><strong>01.</strong><br />
&#8220;Out Getting Ribs&#8221; &#8211; Zoo Kid</h2>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2011/01/25/top-20-musicas-de-2010/"><img src="http://img.youtube.com/vi/L9wLrAtcd6Y/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:center;">Nem sei por onde começar. A impressão é que, de alguma forma, enfiaram um microfone diretamente na angústia e melancolia desse moleque (de 16 anos) e por acaso captaram essa música. Não parece ter sido gravada com amplificadores num estúdio; o som é tão íntimo e cru e cheio de sutilezas que só pode ter saído direto da &#8220;alma&#8221; dele. E que alma, hein? Deixa eu repetir: o moleque tem 16 anos. Grandes músicos passam a carreira inteira tentando criar algo tão bonito e tocante quanto &#8220;Out Getting Ribs&#8221; e falham; esse Zoo Kid já chegou lá. Eu quero que ele se aposente e essa fique sendo sua única música lançada. Afinal, as chances de ele se superar não podem ser muito grandes. (podem?)</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<h2 style="text-align:center;">Outras Músicas Que Não Entraram Na Lista Mas Também São Ótimas Portanto Você Devia Procurar Elas No YouTube OK Então Tá</h2>
<p style="text-align:center;">&#8220;Yamaha&#8221; &#8211; The Dream<br />
&#8220;Tightrope&#8221; &#8211; Janelle Monae<br />
&#8220;Helicopter&#8221; &#8211; Deerhunter<br />
&#8220;City With No Children&#8221; &#8211; Arcade Fire<br />
&#8220;All of the Lights&#8221; &#8211; Kanye West<br />
&#8220;Wut&#8221; &#8211; Girl Unit<br />
&#8220;Midnight Directives&#8221; &#8211; Owen Pallett<br />
&#8220;You&#8221; &#8211; Gold Panda<br />
&#8220;6&#8217;7&#8242;&#8221; &#8211; Lil Wayne<br />
<em>Todas</em> as músicas que o James Blake lançou<br />
&#8220;Sound of Siren&#8221; &#8211; Major Lazer&#8221;<br />
&#8220;Ocean&#8221; &#8211; Dirty Projectors + Bjork<br />
&#8220;Senorita&#8221; &#8211; Actress<br />
entre outras&#8230;</p>
<p>Tire algumas horas do seu dia pra considerar todas as músicas aqui listadas.  O Justin Bieber, e eu, agradecemos.</p>
<p>PS: Sério, o Blake foi a maior revelação dele do ano, e o disco dele de 2011 que já vazou é uma obra-prima.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/discretoblog.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/discretoblog.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/discretoblog.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/discretoblog.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/discretoblog.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/discretoblog.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/discretoblog.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/discretoblog.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/discretoblog.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/discretoblog.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/discretoblog.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/discretoblog.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/discretoblog.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/discretoblog.wordpress.com/926/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=926&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Debate: A Credibilidade da 13 (House)</title>
		<link>http://discretoblog.wordpress.com/2010/12/13/debate-a-credibilidade-da-13-house/</link>
		<comments>http://discretoblog.wordpress.com/2010/12/13/debate-a-credibilidade-da-13-house/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 13 Dec 2010 17:30:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Debate]]></category>
		<category><![CDATA[meta]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[13]]></category>
		<category><![CDATA[beleza]]></category>
		<category><![CDATA[competência]]></category>
		<category><![CDATA[dan brown]]></category>
		<category><![CDATA[house]]></category>
		<category><![CDATA[lavoisier]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[olivia wilde]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Luis Calil [A seguir, a reprodução semi-fiel de uma conversa entre Fabiano Ristow e Luis Calil sobre a credibilidade da personagem 13 (Thirteen), da série HOUSE, interpretada pela atriz Olivia Wilde. A faísca dessa discussão foi um comentário &#8230; <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/12/13/debate-a-credibilidade-da-13-house/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=917&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/yellowcalx">Luis Calil</a></em></p>
<p><a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2010/12/thirteen-wallpaper-house-md-3126829-1024-768.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-923" title="Thirteen-wallpaper-house-md-3126829-1024-768" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2010/12/thirteen-wallpaper-house-md-3126829-1024-768.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><em>[A seguir, a reprodução semi-fiel de uma conversa entre Fabiano Ristow e Luis Calil sobre a credibilidade da personagem 13 (Thirteen), da série HOUSE, interpretada pela atriz Olivia Wilde. A faísca dessa discussão foi um comentário feito por Luis Calil sobre a incrível beleza da Srta. Wilde no trailer de TRON.]</em></p>
<p><strong>FABIANO</strong>: A 13 do House nunca seria bonita como a atriz que a interpreta,<br />
porque pra ser competente como ela é, ela não teria tempo pra academia e<br />
produtos de beleza, e, se fosse bonita assim, provavelmente teria passado a<br />
juventude mais na night do que em casa estudando medicina horas por dia.</p>
<p><strong>LUIS</strong>: Então você ta propondo que não existem no mundo mulheres que sejam<br />
muito inteligentes <span style="text-decoration:underline;">e</span> muito bonitas? [1]</p>
<p><strong>FABIANO</strong>: Existem, mas inteligentes <span style="text-decoration:underline;">e</span> competentes como a 13, talvez uma ou<br />
duas no mundo.</p>
<p><strong>LUIS</strong>: [risos]</p>
<p><strong>FABIANO</strong>: Inteligente, competente e mais importante: que trabalhe tanto<br />
quanto a 13. Ela fica tempos lá, ela é workaholic.[2] Portanto, não existe.</p>
<p><span id="more-917"></span></p>
<p><strong>LUIS</strong>: Ela tem uma doença degenerativa.</p>
<p><strong>FABIANO</strong>: A atriz?</p>
<p><strong>LUIS</strong>: Não, a personagem. Ela usa o trabalho pra se distrair, tirar esse<br />
problema da cabeça. Por isso ela fica muito tempo lá.</p>
<p><strong>FABIANO</strong>: Sim, OK. Mas e a parte que ela mantém o corpo dela PERFEITO, a<br />
pele PERFEITA, a alimentação PERFEITA? Você acha que ela chega em casa<br />
e tem uma academia particular a esperando com um personal trainer, cremes<br />
de beleza importados da Tailândia[3] e uma mesa com frutas e legumes?<br />
Depois de horas no trabalho, você acha que ela não chega em casa e sente<br />
vontade de comer um croquete ou uma coxinha? E mais: ela não tem interesse<br />
em usar a beleza avassaladora dela pra sair na night, pegar homens e beber?</p>
<p><strong>LUIS</strong>: Como você sabe que a alimentação dela é perfeita?<br />
Ela tem um belo físico, mas não quer dizer que ela não coma porcaria. E<br />
qual o problema de ela usar uma academia? Ela pode ter uma carga horária<br />
puxada com o House, mas não é tanto assim quanto você tá sugerindo; ela<br />
obviamente pode ter tempo pra se exercitar uma hora por dia, ou sei lá quanto<br />
ela precisaria. E ela costumava sair na night, pegar homens e beber durante<br />
a fase autodestrutiva por qual ela passou assim que descobriu que tinha uma<br />
doença degenerativa. Mas essa fase já ficou pra trás, e agora ela tá se jogando<br />
no trabalho. Ah, e ela não precisa passar tanto tempo se cuidando assim, ela é<br />
naturalmente bonita. Ela só precisa fazer o suficiente pra se manter.</p>
<p><strong>FABIANO</strong>:  &#8221;Eu nasci assim.&#8221;<a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2010/12/md-13-house-md-8284230-1032-782.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-924" title="MD-13-house-md-8284230-1032-782" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2010/12/md-13-house-md-8284230-1032-782.jpg?w=300&#038;h=227" alt="" width="300" height="227" /></a></p>
<p><strong>LUIS</strong>: [risos]</p>
<p><strong>FABIANO</strong>: Não, cara. Ela tem que ir ao salão, fazer a sobrancelha, depilar as axilas, etc. Tipo, ela pode fazer tudo isso, mas aí ela não faria mais nada. Ela<br />
jamais leria um livro, comeria uma pizza, veria um filme ou iria pra night. Sem<br />
contar o jeito elegante dela (entre 2000 livros de medicina e a preocupação<br />
com intensa disputa profissional e os cremes e a academia, ela aprendeu a ser<br />
educada, culta e elegante), a voz perfeita (ela também faz fono) e a maturidade<br />
(o que aconteceu pra ela amadurecer tão rápido? Alguém a estuprou na<br />
cadeia?). E ainda tem a segurança em relação aos homens, a autoestima&#8230;<br />
Ah, sim, ela se apaixona por um Negro. Porque além de tudo, ela não é uma<br />
menina americana clichê, ela tem uma mente aberta, livre de preconceitos,<br />
inclusive ela se apaixona pelo Médico Negro.</p>
<p><strong>LUIS</strong>: Você tá superestimando a carga horária dela.</p>
<p><strong>FABIANO</strong>: Cara—</p>
<p><strong>LUIS</strong>: Ela não trabalha sempre várias horas. Você tem essa impressão porque<br />
você assiste HOUSE, e não TREZE (e mesmo se você assistisse TREZE,<br />
a vida dela ainda pareceria bem mais dramática do que ela realmente é [no<br />
universo do show]). O House lida com crises, e crises forçam os lacaios do<br />
House a passarem mais tempo lá, virarem noites, etc. A verdade é que quando<br />
não tem uma platéia assistindo ao universo de House, a vida no universo de<br />
House deve ser bem banal e monótona. Deve ter dias que a Treze passa duas<br />
horas fofocando com as enfermeiras, volta pra casa pra fazer Yoga, passa no<br />
restaurante vegan e lê alguns artigos da Slate no iPad dela, depois volta pro<br />
hospital, passa algumas horas examinando pacientes aleatórios, enquanto<br />
isso o House ta pregando alguma peça no Wilson, aí ela volta pra casa, passa<br />
creme no rosto e põe aqueles rodelas de limão no olho—</p>
<p><strong>FABIANO</strong>: Mesmo que ela não trabalhe QUINZE horas por dia, o trabalho dela<br />
é desgastante, ela lida com pacientes bizarros, faz testes, passa o dia fervendo<br />
neurônios atrás de diagnósticos impossíveis, agüentando disputa profissional<br />
intensa, etc. É claro que a série não mostra 100% da vida de todos os personagens, reclamar disso seria como essas pessoas que reclamam que o Harry Potter não vai ao banheiro durante sete anos. Mas você tem que concordar que a dinâmica do trabalho dela implica que ela seja extremamente dedicada e ocupada, que ela se encaixe na catogoria da pessoa que diz “Eu estou sem muito tempo”. Além disso, uma pessoa normal, nessa situação, chegaria em casa e entraria no Orkut pra relaxar. Mas não, ela vai na academia e lê Shakespeare.</p>
<p><strong>LUIS</strong>: Ela não lê Shakespeare. De onde você tirou essa idéia? Digo,<br />
obviamente é impossível ter certeza, mas baseado no que eu sei sobre a 13,<br />
eu diria que ela só lê livros de medicina e coisas tipo “thrillers de aeroporto”<br />
e.g. John Grisham, Dan Brown, O ENIGMA DE LAVOISIER, O DIÁRIO DOS<br />
VAMPIROS, essas merdas. Ela é claramente muito inteligente, mas isso não quer dizer que ela é necessariamente uma apreciadora de arte sofisticada. Ela<br />
deve comprar uns 8 discos por ano, e deve ser coisa tipo Cat Power, Feist,<br />
Coldplay, Kanye West, etc.</p>
<p><strong>FABIANO</strong>: Ela não precisa ser CULT—</p>
<p><strong>LUIS</strong>: E por que você ta tão obcecado com academia? Ela passa a maior parte<br />
do tempo usando um jaleco; eu nem me lembro de cenas em que o corpo dela<br />
aparece em detalhe. Quem diz que ela é perfeitamente malhada? Talvez ela<br />
tenha uns pneus e ninguém nunca vai notar. Você tá usando informação sobre<br />
a atriz, não sobre a personagem.</p>
<p><strong>FABIANO</strong>: Ok, mas ela tem um vocabulário maravilhoso, não gagueja, sempre<br />
tem as palavras certas pra argumentar.</p>
<p><strong>LUIS</strong>: Ah, mas aí você já ta querendo demais. É uma série de TV, não é<br />
um filme dos irmãos Dardenne. Todo mundo em House é hiper articulado<br />
e inteligente e tal. E é claro que na vida real, ela ia chegar algum dia meio<br />
descabelada na sala do House, ou com uma sujeira no dente, ou com a pele<br />
imperfeita, etc. Não quer dizer que a idéia de uma personagem extremamente<br />
bonita e que tenha competência e inteligência o suficiente pra lidar com o<br />
trabalho de alto nível dela seja uma idéia absurda, ou incrivelmente rara.</p>
<p><strong>FABIANO</strong>: Eu acho que é você que tá subestimando a carga horária<br />
necessária pra manter a beleza magnífica da 13.</p>
<p><strong>LUIS</strong>: Então vamos concordar em discordar e passar o debate pros nossos<br />
leitores e leitoras: o que vocês acham? A 13 é um Unicórnio? Uma combinação<br />
de beleza estonteante, inteligência e competência profissional que não existe<br />
na vida real? Ou será que o Fabiano Ristow está simplesmente projetando<br />
a sua própria avassaladora preguiça e frequente procrastinação em outras<br />
pessoas que não são o Fabiano Ristow? Você decide.</p>
<p>***</p>
<p>[1] Gostaria que as leitoras muito bonitas e muito inteligentes do nosso blog<br />
deixassem comentários nesse post em protesto contra a afirmação ofensiva do<br />
Fabiano Ristow, e que deixassem também seus e-mails e telefones.</p>
<p>[2] “workaholic” significa que ela é viciada em trabalho, embora 5 anos atrás eu<br />
achasse que significava uma pessoa que bebia no trabalho.</p>
<p>[3] Curiosamente, a 13 viajou pra Tailândia em algum ponto da série, então faz sentido ela ter cremes de beleza de lá. Ponto para Luis.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/discretoblog.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/discretoblog.wordpress.com/917/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/discretoblog.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/discretoblog.wordpress.com/917/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/discretoblog.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/discretoblog.wordpress.com/917/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/discretoblog.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/discretoblog.wordpress.com/917/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/discretoblog.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/discretoblog.wordpress.com/917/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/discretoblog.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/discretoblog.wordpress.com/917/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/discretoblog.wordpress.com/917/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/discretoblog.wordpress.com/917/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=917&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Dez Trailers Memoráveis da Última Década</title>
		<link>http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/</link>
		<comments>http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 20:02:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiano Ristow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[comedian]]></category>
		<category><![CDATA[corpo fechado]]></category>
		<category><![CDATA[inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[irreversível]]></category>
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		<category><![CDATA[sangue negro]]></category>
		<category><![CDATA[trailers]]></category>
		<category><![CDATA[um homem sério]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Fabiano Ristow A não ser que você seja uma pessoa amargurada, assistir aos trailers antes do filme começar é uma das experiências interessantes no ritual de ir ao cinema, mesmo que não seja a principal. É provável que &#8230; <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=892&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/fabianoristow">Fabiano Ristow</a></em></p>
<p>A não ser que você seja uma pessoa amargurada, assistir aos trailers antes do filme começar é uma das experiências interessantes no ritual de ir ao cinema, mesmo que não seja a principal. É provável que alguns esperem que um bom e honesto trailer apresente uma pequena prévia do que será o filme. Mas aí você pega o caso de Dama na Água, por exemplo, cujo <a href="http://www.youtube.com/watch?v=deAiChBmjGQ">teaser</a> indica que se trata de uma fantasia doce – quando na verdade é também um suspense/terror. Ele é então um trailer trapaceiro? O que é um trailer bom? Basicamente, eu consigo pensar em dois casos: o que termina e te deixa pensando “Eu preciso ver esse filme” e o que tem uma boa edição. É curioso como um trailer elegantemente editado é o suficiente pra me fazer crer que o filme precisa ser visto, ainda que muito comumente ele tenha sido produzido por um departamento publicitário sem nenhuma relação com o diretor e suas ideias.</p>
<p>Então listei os 10 trailers memoráveis dos anos 2000, pra mim, que são um caso ou o outro, ou ambos. Em ordem alfabética:</p>
<p><strong>A.I. Inteligência Artificial (2001)</strong></p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/1aoCk2GTohI/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>É o trailer que absorve toda a sua atenção imediatamente. O feixe de luz que jorra na tela escura nos primeiros segundos é tipo uma representação visual da trilha do Zbgniew Preisner, na qual uma nota aguda surge de repente de um acorde grave. A partir daí parece que você está em um plano transcendental pós-morte, as mensagens na tela falam de um menino que caminha indistinguível em direção à câmera justamente como um fantasma. Depois que você entende que é um robô, parte da letra “A” se solta e forma a sigla “A.I.” – o título -, num truque de design tão perfeito que até hoje tenho vontade de pendurar o logo desse filme na parede do meu quarto.</p>
<p><span id="more-892"></span></p>
<p><strong>Bastidores da Comédia (2002)</strong></p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/fVDzuT0fXro/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Eu não sei se é uma impressão estritamente pessoal, mas nos últimos anos parece que a quantidade de trailers contendo aquela narração de voz especificamente grave diminuiu nos últimos anos por ter finalmente ganho um pouco o status de elemento brega &#8211; além do fato do Don LaFontaine, o mais famoso locutor de trailers do cinema americano, ter morrido. Em 2002, a coisa já era meio previsível, então quando o trailer de Comedian parodiou todos os clichês e vícios daquele narrador, foi, além de hilário, praticamente uma crítica. No fim, você não fica sabendo nada a respeito do filme, mas passa a querer vê-lo mesmo assim com a esperança de que seja tão engraçado quanto a prévia.</p>
<p><strong>Corpo Fechado (2000)</strong></p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/R_f1uCWKZQs/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>O quadro é perfeito: em primeiro plano, bem discretamente, uma massa branca respira com dificuldade. Em segundo plano, o Bruce Willis é informado, detalhe por detalhe, que um acidente terrível aconteceu. É o que o Shyamalan sabe  &#8211; ou sabia &#8211; fazer de melhor: sugerir situações grandiosas e catastróficas através da simplicidade e silêncio. Até os flashbacks inúteis entrando no meio da sequência não são o suficiente pra arruinar a beleza da cena.</p>
<p><strong>O Homem Que Não Estava Lá (2001)</strong></p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/htxvLcSnOU0/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Os primeiros 15 segundos do trailer são planos em preto e branco de vários cortes de cabelo descritos pela voz do Billy Bob Thorton; no fundo, a trilha melancólica do Carter Burwell. Por mim, podia parar por aí. Os outros 80 segundos elegantemente montados são só a cobertura do bolo.</p>
<p><strong>Um Homem Sério (2009)</strong></p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/9FYtprwg1As/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Existe algum outro trailer que utiliza samples? Começa com o som da cabeça do protagonista sendo esmagada numa parede repetidamente, e tal som é mantido e empregado pelo resto do vídeo como uma bateria pro baixo da trilha sonora. Mais samples são adicionados &#8211; um coadjuvante dizendo ao protagonista que ele &#8220;vai ficar bem&#8221;; um rabino tossindo &#8211; até formar uma sinfonia de sons e imagens monótona e desesperadora, uma perfeita reflexão da crise existencial do personagem. Pena que o filme não tenha sido tão sofisticado.</p>
<p><strong>Irreversível (2002)</strong></p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/hGvfGS9JjQU/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>A cena da Mônica Belucci entrando no corredor escuro subterrâneo é entrecortada com takes violentos, e instantaneamente você quer ver o filme pra dizer pro seu cérebro de que forma ele deve correlacionar todos esses eventos. O trailer usa a conhecida mistura de musica clássica com imagens fortes. De alguma forma, no entanto, o resultado é desesperadamente tenso e original. Se na época de Beethoven existisse MTV, este seria o clipe da 7ª Sinfonia.</p>
<p><strong>Pecados Íntimos (2006)</strong></p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/IiJLJd7cH1c/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Com rimas visuais que surpreendentemente não soam ridículas, este trailer parece dizer: “Se pessoas comprometidas com corpos sarados se juntam, alguma merda vai acontecer”, só que de forma muito mais elegante e insana.</p>
<p><strong>Primer (2004)</strong></p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/4CC60HJvZRE/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>O trailer da obra-prima hi-tech lo-fi de Shane Carruth funciona quase como uma sátira daqueles comerciais &#8220;refinados&#8221; de cartão de crédito/seguro de vida. &#8220;O que é essencial?&#8221;; &#8220;O que é desejado?&#8221;; &#8220;Amigos, esposa, filho, lar&#8230; Feito.&#8221; Esses textos cruzam a tela com fontes estilosas, sobre wipes e gráficos do tipo que ensinam em cursos de publicidade. Shane maliciosamente joga na tela todas as possibilidades do que um ser humano pode querer (amor, justiça, clareza, dinheiro, poder) até chegarmos ao que é &#8220;realmente desejado&#8221;. É aí que você percebe que o que esses personagens estão construíndo (&#8220;you&#8217;re talking about making a bigger one&#8221;) trará resultados e consequências tão profundas que mal podem ser articuladas.</p>
<p><strong>Sangue Negro (2007)</strong></p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/6Po-UfB6Ipk/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>O protagonista narrador diz “Eu olho para as pessoas e não enxergo nada de que valha a pena gostar” enquanto um bebê chora, e logo depois somos informados de que “there will be blood”. Como alguma coisa pode ser mais assustadora que isso?</p>
<p><strong>Violência Gratuita (2007)</strong></p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/24/dez-trailers-memoraveis-da-ultima-decada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Ec-70W_K77U/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Um trailer que reflete a visão doentia e deturpada dos psicopatas (e não das vítimas, como aconteceria em 99% dos casos) e que encaixa na tese do diretor Michael Haneke sobre como o espectador usa, casualmente, violência como entretenimento. Eu lembro das pessoas no cinema vendo esse trailer e rindo, apesar de ele mostrar uma mãe, um pai e uma criança sendo torturados. Dava até pra imaginar o sorrisinho arrogante aparecendo no rosto do Haneke se ele tivesse na plateia.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/discretoblog.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/discretoblog.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/discretoblog.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/discretoblog.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/discretoblog.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/discretoblog.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/discretoblog.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/discretoblog.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/discretoblog.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/discretoblog.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/discretoblog.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/discretoblog.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/discretoblog.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/discretoblog.wordpress.com/892/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=892&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Girl Talk Não Nos Convidou</title>
		<link>http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/22/girl-talk-nao-nos-convidou/</link>
		<comments>http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/22/girl-talk-nao-nos-convidou/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 02:08:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[autoindulgência]]></category>
		<category><![CDATA[equipe de produção]]></category>
		<category><![CDATA[festival]]></category>
		<category><![CDATA[girl talk]]></category>
		<category><![CDATA[gregg gillis]]></category>
		<category><![CDATA[phoenix]]></category>
		<category><![CDATA[planeta terra]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Luis Calil Ao me posicionar em frente ao palco Indie do festival Planeta Terra, às 02:00am, pra ver meu último show da noite, eu reparei (lembrei, na verdade) em algo que me deixou semi-apreensivo: o Girl Talk não tem &#8230; <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/22/girl-talk-nao-nos-convidou/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=868&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/yellowcalx">Luis Calil</a></em></p>
<p><a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2010/11/girltalk_0.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-874" title="girltalk_0" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2010/11/girltalk_0.jpg?w=368&#038;h=237" alt="" width="368" height="237" /></a></p>
<p>Ao me posicionar em frente ao palco Indie do festival Planeta Terra, às 02:00am, pra ver meu último show da noite, eu reparei (lembrei, na verdade) em algo que me deixou semi-apreensivo: o Girl Talk não tem banda; é só um cara e uns laptops. Não que Yeasayer ou Phoenix &#8211; outras bandas que também tocaram no festival - sejam o auge do carisma no palco, ou que as fantasias dos &#8220;dançarinos&#8221; de Of Montreal fossem visualmente instigantes, mas pelo menos essas bandas fornecem algum tipo de distração, algo pra observar enquanto você escuta o som (nem que seja pro meu colega Fabiano Ristow reparar que certo guitarrista de certa banda parece o Fiuk).</p>
<p>Na verdade, o conceito de um show onde o palco e o artista não são o centro das atenções é algo extremamente nobre; a música eletrônica ao vivo sempre operou dessa forma, desinflando o ego dos artistas, colocando o foco no prazer e movimento e interesse visual da própria platéia. O festival Planeta Terra, no entanto, não é uma boate ou uma rave, e indies são treinados por experiência a olhar pro palco. Eu temia que a plateia não fosse ficar visualmente distraída o suficiente pra se entregar ao show &#8211; a não ser que o Girl Talk tivesse um às na manga.</p>
<p><span id="more-868"></span></p>
<p>A carta na manga não chegou a ser um às (foi mais tipo um par de oitos offsuit, ou algo assim [i.e. uma carta que você não daria All In mas não teria medo de apostar blind]), mas serviu: ele trouxe o que pareceu ser a equipe de produção/organização do Planeta Terra[1] pro palco pra dançar, bolinar, jogar papel higiênico pro alto e se abraçar em paz e harmonia. E pelos primeiros 20 minutos, foi definitivamente o palco mais interessante e cômico do festival, muito mais eficiente do que as fantasias retardadas do Of Montreal.[2]</p>
<p>Logo, porém, uma outra impressão foi se formando na minha cabeça: a de que tava rolando uma festa fantástica no palco &#8211; cheia de pessoas bonitas, gelo seco e papel higiênico &#8211; e ninguém da platéia lá embaixo havia sido convidado. Nós teríamos no máximo a honra de observar e admirar a diversão dessas pessoas privilegiadas. Eu relatei essa impressão para meu colega Fabiano Ristow, que concordou comigo imediatamente (o que significa que não era frescura minha). Não que a platéia tenha perdido ânimo por causa dessa vaga impressão, mas certamente teria sido nobre do Gillis convidar alguns espectadores não-insiders pra subir lá também, como a M.I.A. costuma fazer[3].</p>
<p>Lá pelos 45 minutos de show, os tais dançarinos privilegiados do palco já tinham se transformado na minha cabeça em adversários/competidores, e eu já tava vendo a hora de aparecer uma votação estilo-BBB no telão perguntando quem devia continuar lá em cima e quem devia ser retirado. Meu voto pra continuar teria ido pra Garota de Laço Vermelho Na Cabeça, que &#8211; além de dançar com incrível habilidade e sensualidade e nenhuma auto-consciência &#8211; parecia ter quase tanta energia quanto o Gillis. E meu voto pra remover iria pros crachás que os privilegiados usaram; se é pra ser um show meio elitista, podiam ter pelo menos disfarçado.</p>
<p>P.S.a: Sobre a música do Girl Talk (você já deve ter lido descrições dela em várias outras publicações mais respeitosas que esse blog), deixa eu só comentar que fiquei orgulhoso ao ver a maior parte da platéia cantando junto tanto com o sample de &#8220;Since U Been Gone&#8221; da Kelly Clarkson quanto com o de &#8220;War Pigs&#8221; do Black Sabbath. Aliás, o uso desse último sample deve ter sido o momento mais eletrizante do festival inteiro (2° lugar: Phoenix abrindo com &#8220;Lisztomania&#8221;; 3° lugar: Yesayer fechando com &#8220;Ambling Alp&#8221;).</p>
<p>P.S.b: É &#8220;conversa de garotas&#8221; ou &#8220;conversa, garota&#8221;? Eu sempre li do primeiro jeito, mas um amigo imaginou uma vírgula implícita no título. Deve ser algum tipo de teste de personalidade.</p>
<p>[1] Vamos notar aqui que se realmente foi a equipe de produção do Planeta Terra &#8211; e pelos crachás que eles estavam usando, eu imagino que foi &#8211; ela parece ter sido inteiramente composta de pessoas jovens e bonitas, o que talvez explica certos aspectos retardados da organização e do Twitter do festival.[1.a]</p>
<p><span style="font-size:x-small;">[1.a] Um destes aspectos retardados foi que a organização do Planeta Terra se referiu ao Girl Talk, desde que ele foi anunciado na programção, como &#8220;Girl Talk 3rd band&#8221;, o que deve ter sido um erro grotesco de ctrl+c ctrl+v. Como isso não tinha sido corrigido mesmo depois de meses de anúncio, eu finalmente mandei uns quatro tweets pro @planeta_terra, até eles reconhecerem a merda que tinham feito. Agora me arrependo de ter feito isso, pois queria ter visto &#8220;Girl Talk 3rd band&#8221; aparecendo naquele telão ao lado do palco, tirado uma foto e mostrado pro resto do mundo a nossa estupidez.</span></p>
<p>[2] O fator visual do show foi intensificado também pelo próprio Girl Talk, aka Gregg Gillis, que é basicamente um personagem de desenho animado. Seu uniforme inclui uma headband icônica, prendendo seu cabelo pra baixo[2.a], e ele não para de pular em momento algum do show (a não ser pra subir em cima da sua mesa e mandar a platéia levantar as mãos e gritar). Quando ele tá mexendo nos laptops, o Gillis dá pulinhos movendo seu corpo de um lado pro outro, uma dança executada com tanta perfeição que parece ter sido treinada e refinada ao longo de centenas de shows, e que faz ele parecer estar andando na esteira mais divertida do mundo.</p>
<p><span style="font-size:x-small;">[2.a] A parte do cabelo dele inferior ao headband faz uma curva pra cima, algo que imagino ter sido causado pela incapacidade do Gillis de parar de pular.</span></p>
<p>[3] Isso pode ter acontecido; eu saí depois de uma hora de show.[3.a]</p>
<p><span style="font-size:x-small;">[3.a] Acabo de ser informado pelo meu colega Fabiano Ristow, que ficou até o final, que isso não aconteceu.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/discretoblog.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/discretoblog.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/discretoblog.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/discretoblog.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/discretoblog.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/discretoblog.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/discretoblog.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/discretoblog.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/discretoblog.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/discretoblog.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/discretoblog.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/discretoblog.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/discretoblog.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/discretoblog.wordpress.com/868/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=868&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>High School Classical</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Nov 2010 13:41:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiano Ristow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Postado por Fabiano Ristow “Quem é fã de Penderecki?” Daí que o ensino de música passa a ser obrigatório nas escolas a partir do ano que vem, o que pareceu uma ideia muito bacana até o momento em que não &#8230; <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/17/high-school-classical/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=854&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/fabianoristow">Fabiano Ristow</a></em></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2010/11/kids20raising20hands.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-863" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2010/11/kids20raising20hands.jpg?w=500&#038;h=330" alt="" width="500" height="330" /></a>“Quem é fã de Penderecki?”</p>
<p>Daí que o <a href="http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/11/lei-torna-ensino-de-musica-obrigatorio-nas-escolas-brasileiras-partir-de-agosto-de-2011.html">ensino de música passa a ser obrigatório nas escolas a partir do ano que vem</a>, o que pareceu uma ideia muito bacana até o momento em que não pareceu mais. Fui então regredindo em uma série de pensamentos aterrorizantes e culposos, a começar pela pergunta: mas o que a música <em>ensina</em>?</p>
<p>Ensina concentração, cooperação, linguagem e memória. É o argumento pedagógico. Ok, aprender a tocar instrumentos desenvolve todas essas habilidades. Isso provavelmente é muito útil para as crianças e encerra a questão da validade do ensino de música nas escolas.</p>
<p>Se eu tivesse tendo essa discussão ao vivo, é possível que eu concordasse com a conclusão, mas iria embora pensando com os meus botões: ok, é válido, mas não teriam outros assuntos <em>mais válidos</em> para se ensinar?</p>
<p>Eu odiava quando meus amigos falavam que Química e Física não adiantavam pra porra nenhuma, que eles fariam Letras ou Jornalismo e todas aquelas fórmulas e leis não adiantariam para nada. Aí eu, que já sabia que faria Jornalismo e teoricamente era para concordar com eles, dava a resposta pedagógica e fácil: “Vocês <em>acham</em> que essas matérias são inúteis, mas elas estão desenvolvendo em vocês o raciocínio lógico, a memória, a concentração, habilidades que serão úteis em qualquer profissão”, etc.</p>
<p>O problema é que logo depois que eu saí da escola eu percebi que tinha uma carência absurda de conhecimento a respeito de coisas práticas e importantes para a Humanidade. Por exemplo, economia e política. Aí eu pensei: certo, Química e Física desenvolvem todas aquelas habilidades e tudo, mas outros assuntos não teriam sido mais válidos? Aos 16 anos, você já pode eleger um presidente que vai definir, no mínimo, o futuro de um PAÍS. Se fosse obrigatório nas escolas o ensino de economia e política, você poderia tomar essa decisão de forma muito mais consciente e embasada, e contribuir para um mundo melhor e tudo o mais. Não seria mais <em>útil</em>?</p>
<p>Acontece que sair por aí defendendo o fim da Física, da Química (e da Música) seria de uma irracionalidade e pateticismo formidáveis, até porque, para muitos (muitos), essas matérias acabam sendo úteis na prática, e quem sou eu para definir uma grade escolar sentenciando o que deve sair para entrar Política e Economia. Isso significa que eu não vou defender nenhuma posição sobre essa questão. Então vou retomar de onde parei: aprender a tocar instrumentos musicais na escola é útil porque ensina um monte de habilidades.</p>
<p><span id="more-854"></span></p>
<p>Mas e <em>ouvir</em> música, ensina alguma coisa? É claro que isso deixa de ser uma questão meramente pedagógica e se torna mais ampla, porque sai do ambiente escolar e cai em todos nós. Bem, se você considerar que <em>canções</em> têm letras, letras, que, como poemas, carregam mensagens, temas, etc, a resposta para a pergunta é: sim, claro que ensina alguma coisa.</p>
<p>Mas e ouvir música <em>instrumental</em>, ensina alguma coisa? Vamos pegar a música clássica orquestrada, por exemplo, para fins didáticos. Ela é considerada <em>arte</em>. Não que por ser arte ela esteja implicada a alguma função específica, até porque para fazer essa afirmação a gente teria, primeiro, que definir o que é arte, e essa é uma outra história que terá de ser contada em outra ocasião. Mas se a gente pegar a característica mais básica e crua da arte, a de que é a expressão de alguma coisa, então, por ser arte, a música clássica expressa alguma coisa.</p>
<p>Como e o quê ela pode expressar? É muito mais fácil identificar o que outras artes expressam. Um filme ou um livro podem seguir uma trama linear, relatar um acontecimento histórico, transmitir um modo de pensar através de ritmo, etc. Seu objeto de estudo está na sua frente para ser analisado. É quase natural assumir que a arte ensina alguma coisa, e ponderando do ponto de largada, é muito mais instantâneo e lógico assumir que é mais fácil apontar o que o cinema e a literatura (ou a pintura, escultura) têm de edificante. No outro lado, está a música, a única arte, de todas, que é abstrata na forma, o que torna esse processo menos óbvio. Quando a gente fala em música clássica, definir como ela transmite informações e ensinamentos ou o porquê de ela ser arte me parece mais complexo ainda, mas definitivamente ela o é, e assim é considerada há muito tempo, inclusive como sendo mais “artística” do que um rock.</p>
<p>Eu não tenho certeza se isso automaticamente delega à música clássica o objetivo de ensinar alguma coisa, mas é uma expectativa praticamente involuntária. Existe essa relação &#8211; e eu não vou citar nenhuma fonte porque não é totalmente empírico, mas eu tenho certeza de que você sabe do que eu estou falando &#8211; entre música clássica e inteligência. Essa imagem da família intelectual e fina indo a concertos vestida como se estivesse concorrendo ao Oscar. A música clássica também é pretensiosamente conhecida como música erudita &#8211; como se ela própria fosse inteligente, ao contrário da música&#8230; ignorante?</p>
<p>É óbvio que a música clássica é famosa pela complexidade, camadas de melodias amarradas soando em harmonia, etc. E com certeza requer um considerável grau de dedicação identificar e apreciar essas sutilezas. Mas essa capacidade exige, necessariamente, uma mente <em>intelectualmente</em> desenvolvia? Seria estúpido pressupor que o analfabeto do grotão não seria capaz de sentir prazer com a música clássica. Para mim, o que ela realmente exige, na maioria dos casos, é só paciência &#8211; o que na camada mais superficial não tem nada a ver com intelecto, mas sim com o aspecto emocional.</p>
<p>E aí o ciclo fecha: se a música clássica requer o mínimo de boa vontade de quem está ouvindo, é também justamente isso o que ela tem a ensinar: paciência, sensibilidade. Tem até <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1407477-5603,00-UM+POUCO+DE+MOZART+PODE+BENEFICIAR+BEBES+PREMATUROS+DIZ+ESTUDO.html">bebê dormindo bem</a> e <a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/11/mozart-reduz-criminalidade-em-shopping-de-cidade-da-nova-zelandia.html">índices de criminalidade caindo</a> por conta de Mozart. Eu não faço a menor ideia de como entrar no mérito de processo cognitivo, de como o nosso cérebro reage ao ouvir música clássica, mas o som em si evoca sensações &#8211; “sombrio”, “alegre”, etc.</p>
<p>Então, se eu tivesse que opinar, diria que a música clássica é capaz de atingir com ferocidade e direção mais a parte emocional do que a intelectual (aliás, justamente por ser abstrata que em algum lugar eu sempre acreditei que a música era a forma mais imediata de se comunicar com as emoções, mas isso é uma outra história e etc etc), mas não posso afirmar com 100% de certeza. De qualquer forma, uma conclusão é simples. Quando eu comprei aquela coleção de música clásica da Folha, recebi junto um livro do crítico musical Arthur Nestrovski (na contracapa tem um elogio exagerado do Harold Bloom a ele, o que achei chique). Ele abre refutando a ideia de que a música clássica “deva” ser aprendida com vista a qualquer propósito pedagógico. Ele diz: “A única razão que se pode apresentar é que escutar os clássicos é melhor do que não escutar os clássicos”, o que de fato parece o suficiente.</p>
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		<title>Autoexclusão Não Intencional Em Se Tratando De Cinema</title>
		<link>http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/05/autoexclusao-nao-intencional-em-se-tratando-de-cinema/</link>
		<comments>http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/05/autoexclusao-nao-intencional-em-se-tratando-de-cinema/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Nov 2010 20:54:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiano Ristow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[filme comercial]]></category>
		<category><![CDATA[filme de arte]]></category>
		<category><![CDATA[filme de festival]]></category>
		<category><![CDATA[filme gay]]></category>
		<category><![CDATA[gênero]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
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		<category><![CDATA[separação]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Fabiano Ristow &#8220;Filme de arte&#8221; Mais alguns casos de pessoas fazendo coisas e tendo em retorno exatamente o contrário do que elas esperavam. Eu vi esse editorial hoje chamado “Nojento”, do Cahiers du Cinema. Ele diz que o &#8230; <a href="http://discretoblog.wordpress.com/2010/11/05/autoexclusao-nao-intencional-em-se-tratando-de-cinema/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&amp;blog=3883558&amp;post=841&amp;subd=discretoblog&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/fabianoristow">Fabiano Ristow</a></em></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://discretoblog.files.wordpress.com/2010/11/filmedearte.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-842" title="filmedearte" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2010/11/filmedearte.png?w=500&#038;h=286" alt="" width="500" height="286" /></a>&#8220;Filme de arte&#8221;</p>
<p><strong>Mais alguns casos de pessoas fazendo coisas e tendo em retorno exatamente o contrário do que elas esperavam.</strong></p>
<p>Eu vi esse <a href="http://www.virtuel-book.com/cdc/cdc00/">editorial</a> hoje chamado “Nojento”, do Cahiers du Cinema. Ele diz que o rótulo “filme de festival”, dado por comitês e mecanismos franceses a certos filmes que precisam de apoio, é falso e nojento. (só reforçando que falso e nojento é o <em>rótulo</em> “filme de festival”, não <em>o</em> “filme de festival”) Rotular um filme como “filme de festival” seria marginalizá-lo e eventualmente destruí-lo, já que o colocaria numa classe separada dos “filmes reais” (i.e. filmes comerciais, que são exibidos pra maioria). E aí o texto aponta a ironia que é filmes sendo subestimados e excluídos por causa de um rótulo dado por grupos que foram criados originalmente justamente para promover a diversidade.</p>
<p><span id="more-841"></span></p>
<p>Aqui no Brasil, não existe nenhum órgão rotulando oficialmente um filme de “filme de festival” só por ele precisar de ajuda financeira, mas todo mundo já ouviu falar de “filme de arte” (muito presente em festivais), que na cabeça de muita gente é estereotipado como também sendo um filme barato, e &#8220;pior&#8221;: chato, lento e difícil.</p>
<p>A definição básica de um filme de arte é de um filme que faz o espectador participar da experiência e se esforçar mais do que ele está acostumado no “cinema comercial”. E aí há vários graus de esforço que diferentes filmes exigem. Dá para chamar <em>Onde os Fracos Não Têm Vez</em> dos Irmãos Coen e <em>O Rio</em> do Tsai Ming-liang de “filmes de arte”, e há um oceano entre os dois em termos de acessibilidade. É um oceano de variedades enorme demais para reduzi-lo a uma mesma concha. O filme de arte “chato, lento e difícil” é só <em>um</em> tipo de filme de arte.</p>
<p>Mesmo assim tem o cara que viu um trecho de um filme iraniano no Telecine Cult anos atrás, achou horrível, e desde então sai correndo só de ouvir a expressão “filme de arte”. Esse cara (muito comum) comete o erro de extrapolar a parte ao todo. Os espaços de cinema &#8220;alternativos&#8221; e &#8220;cults&#8221; viram uma espécie de exotismo a ser evitado. Provavelmente não tem comitês nem mecanismos que consigam ser mais destrutivos e segregadores do que os pré-conceitos que a gente mesmo inventa.</p>
<p>Eu não vejo problema em você ter uma preferência por um gênero ou por um tema &#8211; todo mundo tem. Quando o cara que tem uma vida profissional, amorosa e agitadas arruma um tempo valioso para se dedicar ao entretenimento, ele vai querer ser certeiro e ir atrás do quê ele tende a gostar e se identificar. Mas ser extremista ao ponto de considerar uma classificação ou um termo o suficiente para decidir se vale a pena ou não ver um filme, aí precisa de um nível de preconceito acima do considerado recomendável. Não custa nada usar usar mais dez segundos da sua vida para perguntar: mas <em>sobre</em> o que é esse filme? Já seria alguma coisa.</p>
<p>De qualquer forma, quando as pessoas não estão ocupadas estereotipando uma classificação e se tornando estereotipadas, o pretensioso e amplo termo “filme de arte” ainda consegue representar alguma coisa e levantar algum tipo de expectativa, a de que você está prestes a encarar algo que requeira de você uma atenção minimamente aguçada. Na pior das hipóteses, é uma expressão mais interessante que “filme gay”.</p>
<p>Eu falei sobre sobre a classificação “filme gay” e como ela pode, em certas circunstâncias, também causar uma autoexclusão não-intencional <a href="http://vidaordinaria.com/2010/09/filmes-gays/">nesse texto</a>, que claramente ficou mal escrito, desinteressante e feito às pressas, já que os dois únicos comentários vêm da Julia, que achou “muito longo, não li”, e do Claudio, que recomendou que eu “busque cultura depois fale dos gays”.</p>
<p>(Entendeu por que lá em cima eu achei necessário reforçar que o problema do texto era com a classificação e não com os filmes em si? Porque as pessoas confundem [ou a gente não explica direito]. Então, reforçando: eu não tenho problema com filmes gays, muito menos com <em>pessoas</em> gays [eu não acredito que eu estou falando isso], e sim com a <em>classificação</em> “filmes gays”.)</p>
<p>De forma resumida, eu gostaria de ter dito que “filmes gays”, a não ser que eles estejam falando <em>sobre</em> a sexualidade de um gay, são como qualquer outro filme de romance, suspense, drama ou comédia. Na teoria, é possível argumentar que “filme gay” seja específica ou principalmente sobre a homossexualidade. Na prática, o “gênero” é comumente atribuído a qualquer filme em que o roteirista tenha incluído em algum momento um personagem gay &#8211; o que aos meus olhos faz tanto sentido quanto chamar de “filme esquerdo” um filme com um personagem canhoto. Ou seja, virou um rótulo que não diz nada. Você espera rir com um filme de comédia e se assustar com um de terror, mas, hoje em dia, responda sinceramente: o que você espera de um <em>filme gay</em>? É como se o cinema estivesse sendo definido pela sexualidade e não pelo mérito artístico. Resultado: filmes complexos e interessantes (filme de arte!) entram em mostras gays e ficam ocupados demais sendo vistos majoritariamente (ou apenas) por gays. Ruim para o diretor que teve seu filme excluído a uma exposição limitada, ruim para o público que acaba não ouvindo falar dele.</p>
<p>Mas o caso mais interessante e fascinante sobre Autoexclusão Não-Intencional Em Se Tratando De Cinema (ANIESTDC) vem do Theo Panayides <em>nesse texto</em>. Ele apresenta uma verdade incrível: tempos atrás &#8211; na década de 50, por exemplo -, o que as pessoas viam no cinema era, por acaso, também o que levava o Oscar e o que era aclamado pela crítica, tudo ao mesmo tempo. Nem é preciso continuar para você perceber como hoje a situação é completamente diferente. Com o passar dos anos, ocorreu uma fragmentação. As três vertentes quase não se encontram mais. Se você estivesse numa festa ou num jantar na década de 50, é provável que todos pudessem conversar sobre cinema como um interesse em comum e discutir filmes que todos tivessem visto.</p>
<p>Hoje, isso é simplesmente impossível. Cada um, adolescente bobo ou intelectual, assiste ao filme que lhe convier, e quando se encontrarem, serão como habitantes de mundos diferentes. E essa ANIESTDC o Theo nem enxerga como um aspecto ruim, é só uma consequência da escolha do consumidor. É a natural individualização das práticas. E, como eu disse, é absolutamente legítimo a gente definir as nossas pereferências, ainda mais numa era em que passamos praticamente 24 horas por dia fazendo a mesma coisa: filtrando o excesso de informação (e de filmes).</p>
<p>De qualquer forma, o Theo faz conclusões com que eu não poderia concordar mais: filmes não são mais o que une diferentes idades e classes. A experiência de assistir a filmes reflete nosso preconceito escondido: se assistimos ao que gostamos, é, principalmente, porque assistimos a apenas o que gostamos.</p>
<p>Se a gente experimentasse o que está do outro lado, em vez de escolher morar no próprio mundo e acreditar em classificações simplistas só porque é mais fácil, é possível que tivéssemos um mundo melhor. E um cinema melhor.</p>
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