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	<title>O Discreto Blog da Burguesia</title>
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		<title>O Discreto Blog da Burguesia</title>
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		<title>Jogos, Trapaças e Amor Fraterno</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 20:45:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Pinder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Postado por Rodrigo Pinder

As pessoas deviam dar mais atenção a Rian Johnson. Ele está fazendo coisas raras no Cinema. São raras, por exemplo, as ocasiões em que você pode usar o termo “pastiche” com uma conotação positiva. Mesmo o imitador mais bem-sucedido do mundo (Tarantino) é ocasionalmente acusado de superficialidade. Nesse espectro, Johnson parece disposto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=720&subd=discretoblog&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Postado por </em><a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/rodrigopinder/"><em>Rodrigo Pinder</em></a></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-731" title="brothers-bloom-rs2" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/11/brothers-bloom-rs22.jpg?w=500&#038;h=333" alt="brothers-bloom-rs2" width="500" height="333" /></p>
<p>As pessoas deviam dar mais atenção a Rian Johnson. Ele está fazendo coisas raras no Cinema. São raras, por exemplo, as ocasiões em que você pode usar o termo “pastiche” com uma conotação positiva. Mesmo o imitador mais bem-sucedido do mundo (Tarantino) é ocasionalmente acusado de superficialidade. Nesse espectro, Johnson parece disposto a fazer carreira de exceções que provam a regra. <em>Brick</em>, o longa de estréia do diretor (lançado direto em DVD no Brasil com o título <em>A Ponta de um Crime</em>[1]) atiçou o circuito indie assim que apareceu em Sundance.</p>
<p>Trata-se de uma obra singular, que utiliza uma das premissas mais básicas da ficção (a investigação de um crime) para criar um drama complexo, injetando uma atmosfera noir e riffs de histórias de gangsters e detetives em um ambiente de filme colegial. A combinação a priori pode soar ridícula, mas a genialidade está justamente em mostrar o quanto os clichês de ambos os gêneros são parecidos: manipulação, um herói proscrito, violência, valentões, femme fatales, etc. Podia ter dado errado, mas funcionou porque a direção confiante acertou o tom exato entre sátira e seriedade.</p>
<p>Foi o suficiente para que seu segundo projeto contasse com um orçamento aproximadamente 40 vezes maior e dois <em>Academy Award Winners®</em> no elenco. <em><strong>The Brothers Bloom</strong></em> (lançado no Brasil com o título <em>Vigaristas</em> [2]) pode não ser tão original quanto <em>Brick</em>; a montagem e a trilha criam um clima vívido e amigável para o público (ocasionalmente evocando bastante o estilo de Wes Anderson), mas acessibilidade não é necessariamente uma característica ruim. <em>Brick</em> é talvez uma expressão mais pura da arte do autor, mas <em>Bloom</em> é simplesmente mais rico e divertido, além de discutivelmente mais maduro.</p>
<p><span id="more-720"></span></p>
<p>O prólogo é um microcosmo impecável de tudo que estamos prestes a assistir, telegrafando os temas e enfatizando o mise-en-scene estilizado com extrema desenvoltura: os irmãos do título são apresentados em sua infância como órfãos encrenqueiros que usam ternos e chapéus monocromáticos e vêm pulando de lar em lar devido a mau comportamento. Stephen, o mais velho, declara seu desprezo pelo bando de shiny happy children observado à distância, enquanto joga fora um <em>pixy stick</em> com um gesto digno de Bogart se livrando de uma bituca de cigarro.</p>
<p>Johnson está novamente trabalhando com heróis proscritos, mas aqui há uma esperança na forma de Bloom, o irmão mais novo, que demonstra o potencial para viver na colorida normalidade ao se mostrar apaixonado por uma garota. Em uma de muitas gags hilárias, Stephen literalmente o empurra na direção dela, mas o garoto simplesmente não sabe utilizar os mecanismos sociais necessários. Determinado a ajudar seu irmão, Stephen formula o plano que inadvertidamente irá definir o futuro de ambos.</p>
<p>Anos depois, Stephen e Bloom (Mark Ruffalo e Adrien Brody, respectivamente) já são golpistas consagrados, mas a personalidade da dupla se encontra estagnada nos arquétipos estabelecidos desde a infância: Stephen articula trapaças de progressiva complexidade artística, criando narrativas onde seu irmão pode “viver” situações através de papéis pré-concebidos. Bloom se encontra obviamente frustrado, sua personalidade aleijada pela artificialidade.</p>
<p>E aqui chegamos em outra raridade, aqueles casos onde estilo é substância e a metalinguagem tem uma razão de existir: a artificialidade do filme – e, em um certo nível, do Cinema em geral – obviamente reflete a artificialidade da vida de Bloom. O teatral desfecho de um golpe (a primeira cena dos protagonistas adultos) envolve balas de festim e sangue artificial, provavelmente os props mais básicos do cinema. Coincidência? Eu acredito que não.</p>
<p>Como Stephen, Rian Johnson está pintando um panorama romantizado através de referências e simbolismos, o que inclui um ex-mentor caolho positivamente dickensiano (ele é até referido como “nosso Faggin”) e um mecanismo de logística na forma da ajudante Bang Bang (Rinko Kikuchi) que “conhece as entradas e saídas”, explica Stephen. Proferindo apenas três palavras (sem contar uma inesperada performance de karaokê), Bang Bang é mais uma presença do que um personagem propriamente dito, mas é responsável por boa parte dos momentos mais hilários do filme.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-732" title="bangbang" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/11/bangbang.jpg?w=500&#038;h=333" alt="bangbang" width="500" height="333" /></p>
<p>Sendo uma história de golpistas, mesmo uma que pretende desconstruir o gênero, um golpe deve engatar a narrativa, então quando Stephen vai atrás de um aposentado Bloom, escondido em Montenegro, nós sabemos que o irmão mais novo vai aceitar um último trabalho. O alvo: uma herdeira obscenamente rica e tão entediada que “coleciona hobbies” (o que é demonstrado em uma montagem absurdista que envolve malabarismo com motosserras), o tipo de pessoa que obviamente pularia de cabeça na primeira oportunidade de aventura.</p>
<p>É nessa caracterização que mora uma terceira raridade, evidência indiscutível do talento do Johnson: depois de 30 filmes e um Oscar, essa é a primeira atuação realmente memorável da Rachel Weisz. Ela se mostra tão perfeita para o papel de Penelope quanto Penelope é perfeita como alvo de um golpe, encarnando a excentricidade da personagem com expressões e maneirismos completamente espontâneos. Mas há algo mais por baixo da superfície.</p>
<p>O desejo por aventura de Penelope a torna o alvo perfeito para um golpe, mas ela também é claramente o par perfeito para Bloom. A excelente cena em que ela conta toda a história da sua vida enquanto faz truques com um baralho é tão hilária quanto emocionante; há uma identificação real entre aqueles personagens, ambos socialmente comprometidos por suas origens. &#8220;Não se apaixone&#8221;, Stephen adverte, mas é isso que ele realmente espera? “O melhor golpe é aquele onde todos ganham o que queriam,” é a epifania anunciada desde o preâmbulo. Seria isso realmente possível?</p>
<p>Provavelmente seria de bom-tom parar por aqui, com a recomendação de que <em>Os Irmãos Bloom</em> (sim, eu me recuso) é uma história sobre histórias que conta com um pathos real permeando a ludicidade narrativa, já que somos constantemente lembrados de que as fabricações são motivadas pela necessidade de tornar uma pessoa amada feliz. É por isso que a considerável desaceleração de ritmo no terceiro ato é completamente necessária. As últimas peças se encaixam, e elas carregam peso demais para incluir trivialidades.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-733" title="bbloom_image1" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/11/bbloom_image1.jpg?w=500&#038;h=323" alt="bbloom_image1" width="500" height="323" /></p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>[1] Há crimes na história, mas de onde tiraram essa “ponta”? Eu não me lembro de nenhuma ponta relevante no filme todo. Qual é o problema com <em>Tijolo</em>, exatamente? Um tijolo não ilustra uma imagem “perigosa” o suficiente? Mesmo sendo um tijolo de heroína? OK, as pessoas não saberiam exatamente do que é feito o tijolo ao olharem a capa do DVD, e <em>O Tijolo de um Crime</em> soa até mais nonsense do que <em>A Ponta&#8230;</em> Mas dava pra ter refletido um pouquinho mais, na minha opinião. Que tal a velha tática do subtítulo-muleta? Sugestões: <em>Brick &#8211; Crimes no Colégio; Brick &#8211; O Segredo do Tijolo; Brick &#8211; Um Tijolo muito Louco; </em>etc.</p>
<p>[2] OK, alguém está de brincadeira. Não é possível que ninguém tenha lembrado que um filme do Ridley Scott foi lançado aqui em 2003 com o título <em>Os Vigaristas</em>. Qual é exatamente a necessidade de tornar tudo genérico? Será que as distribuidoras consideram o público brasileiro tão tapado que um título como <em>Os Irmãos Bloom</em> não é considerado “informativo” o suficiente? (Obviamente a resposta é sim, QED.)</p>
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		<title>A Arte De Arruinar A Diversão Alheia</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 19:46:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Pinder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Postado por Rodrigo Pinder

Como este será um post informal (i.e. inútil), valerei-me da velha técnica de começar com uma anedota para ganhar simpatia.
Eu devia ter uns 13 ou 14 anos quando fui ao cinema ver Anjo Malvado (aquele onde o primo do Frodo, Macaulay Culkin, é um anjo malvado). O filme abre com um jogo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=280&subd=discretoblog&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Postado por </em><em><a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/rodrigopinder/">Rodrigo Pinder</a></em></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-478" title="partypooper" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/partypooper.jpg?w=450&#038;h=423" alt="partypooper" width="450" height="423" /></p>
<p>Como este será um post informal (i.e. inútil), valerei-me da velha técnica de começar com uma anedota para ganhar simpatia.</p>
<p>Eu devia ter uns 13 ou 14 anos quando fui ao cinema ver <em>Anjo Malvado</em> (aquele onde o primo do Frodo, Macaulay Culkin, é um anjo malvado). O filme abre com um jogo de futebol colegial (meados de 90 foi a época em que o <em>soccer</em> começou a ficar semi-popular nos EUA) e, como esperado, alguém faz um gol. Nesse momento, um homem sentado no fundão da sala se levantou e gritou GOOOOOOOOL! com toda força de seus pulmões. Todo mundo riu. Foi a melhor parte do filme. E o cara não abriu mais a boca até o final.</p>
<p>Esse momento ficou gravado na minha memória mais do que o próprio filme [1], evidência de que esse tipo de manifestação inspirada é raríssimo.</p>
<p>As verbalizações mais freqüentes são invariavelmente inúteis e quase certamente incômodas, a sala de cinema tratada como a sala da casa da mãe no almoço de Domingo. Isso faz meu sangue ferver. Eu entenderia se alguém gritasse &#8220;fogo&#8221; ou &#8220;estupro&#8221;, ou algo do tipo. Nesses casos hipotéticos eu até apoiaria interromper a projeção e acender as luzes. Mas esses casos hipotéticos nunca aconteceram em nenhuma das sessões em que estive. Papo furado, no entanto, sempre foi quase certeza.</p>
<p>Decidido a fazer alguma coisa, embarquei em uma pesquisa antropológica onde defini os conceitos básicos da Arte De Arruinar A Diversão Alheia (ou ADAADA, porque eu gosto de palíndromos). A mais importante descoberta foi que, apesar da espontaneidade e do improviso serem inerentes à pratica desse hábito, é possível definir sete grupos que compartilham certos padrões de comportamento. Conheça-os após o jump.</p>
<p><span id="more-280"></span></p>
<p>Com vocês, os 7 principais tipos de Pessoas Que Falam Durante Filmes:</p>
<p style="text-align:center;"><strong>O <span style="font-weight:normal;"><strong>T<span style="font-weight:normal;"><strong>urista</strong></span></strong></span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><img style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="TURISTA" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/turista.jpg?w=269&#038;h=269" alt="TURISTA" width="269" height="269" /></strong></p>
<p>O turista é um dos tipos mais irritantes, porque ele não está particularmente interessado no filme. Ele está no cinema porque não tem nada melhor pra fazer. Se o filme ficar &#8220;chato&#8221;, ele vai começar a conversar com a pessoa ao lado (geralmente eles andam em matilhas). Se o celular tocar, ele vai atender. Os mais altruístas recentemente descobriram a mensagem de texto, então se você tiver sorte não vai precisar aguentar alguém buzinando no seu ouvido, só uma luz forte na sua cara.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>O Crítico</strong></p>
<p><strong><img style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="CRITICO" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/critico.jpg?w=269&#038;h=269" alt="CRITICO" width="269" height="269" /></strong></p>
<p><strong><span style="font-weight:normal;">O crítico tem tendências esquizofrênicas e acredita que a sala de cinema é um mundo idílico de fantasia, uma Nárnia pessoal onde seus comentários são pertinentes e/ou engraçados. Ele sempre tem uma opinião, e sempre quer compartilha-la. É o cara que diz &#8220;mas isso é impossível!&#8221; durante <em>Missão Impossível</em>.</span></strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong>O Narrador</strong></p>
<p><strong><img style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="NARRADOR" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/narrador.jpg?w=269&#038;h=269" alt="NARRADOR" width="269" height="269" /></strong></p>
<p>Outra anedota: fui ver Wall-E, já esperando os &#8220;ohs&#8221; e &#8220;ahs&#8221; das meninas; os robôs são realmente fofinhos. O que eu não esperava era a moça sentada ao meu lado descrevendo <em>tudo</em> que acontecia no filme, para ninguém em particular. &#8220;Ih, ele esmagou a baratinha!&#8221;; &#8220;Aaah, ele tá seguindo ela!&#8221; Ad nauseum. Não foi a primeira vez que eu fui exposto a esse tipo de pessoa, mas foi a primeira vez que havia uma cadeira vazia entre nós, o que me fazia imaginar se não havia um cego invisível sentado ali.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Janus</strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><img style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="JANUS" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/janus.jpg?w=269&#038;h=269" alt="JANUS" width="269" height="269" /></strong></p>
<p style="text-align:left;">Janus é um deus romano que ocasionalmente resolve pegar um cineminha. Porque ele é um deus, ele ocupa duas poltronas. Janus tem duas cabeças. Uma delas, sempre confusa, pergunta o que está acontecendo no filme, e a outra explica. Ocasionalmente elas trocam de papel. Janus pode parecer arrogante ao ignorar as súplicas dos meros mortais, mas se você reparar bem, ele não tem orelhas.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>O Interativo</strong></p>
<p><strong><img style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="INTERATIVO" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/interativo.jpg?w=269&#038;h=269" alt="INTERATIVO" width="269" height="269" /></strong></p>
<p>Existe um estereótipo racial comum nos EUA: afro-americanos (lá nos EUA você não pode dizer &#8220;negro&#8221; nem &#8220;índio&#8221;) com mania de falar alto não só durante o filme, mas <strong>com</strong> o filme. Lembram daquela cena em <em>Todo Mundo em Pânico</em>, onde a platéia vibra e comemora ao coletivamente esfaquear a afro-americana que não calava a boca de jeito nenhum? Lembram em <em>Virgem de 40 Anos</em>, onde o vendedor afro-americano assistindo <em>Madrugada dos Mortos</em> começa a gritar BITCH, GET OUT OF THE ROOM! Então. Mas ao contrário dos americanos, já vi pessoas de todas as raças fazendo isso. Deve ter algo a ver com o hábito brasileiro de assistir novelas. Se você pensar bem, novelas são <em>feitas</em> pra você falar com elas, cada pausa dramática pontuando um espaço para o espectador encaixar um &#8220;ai jesus&#8221; ou um &#8220;bem-feito.&#8221;</p>
<p style="text-align:center;"><strong>O Troll</strong></p>
<p><strong><img style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="TROLL" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/troll.jpg?w=269&#038;h=269" alt="TROLL" width="269" height="269" /></strong></p>
<p>Você está se divertindo, e ele odeia isso. Trata-se de um organismo movido a schadenfreude, tão desprovido de auto-estima que seu egocentrismo o leva a querer aparecer mais que o próprio filme, através de surtos histéricos em momentos importantes. Como um vírus faminto para o qual cada &#8220;ssshhhh&#8221; é uma célula suculenta, suas manifestações são proporcionais às reações que ele consegue. Não o alimente.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>O Coringa</strong></p>
<p><strong><img style="display:block;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0 initial initial;" title="CORINGA" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/coringa.jpg?w=269&#038;h=269" alt="CORINGA" width="269" height="269" /></strong></p>
<p>Também conhecido como &#8220;espírito de porco&#8221;, a priori você vai achar que ele é um palhaço, talvez um membro da espécie acima. Mas logo você vai perceber que ignorar não adianta, porque ele não está atrás de coisas mundanas como atenção. Trata-se de um Agente do Caos, cujo objetivo é fazer você perder as estribeiras e quebrar seus códigos morais, como aqueles que o impedem de gritar &#8220;calaboca filho da puta!&#8221; Cuidado. Não seja intimidado por seu terrorismo. Você é melhor que isso.</p>
<p style="text-align:left;">P.S.: Infelizmente, não posso oferecer nenhum insight relevante sobre como identificar essas aberrações da natureza fora da sala; filas têm a tendência de desumanizar todo mundo igualmente. Se tem uma coisa que eu odeio mais que pessoas falando no cinema, são filas. Eu nem conseguiria categoriza-las em espécies, porque só consigo lembrar de uma: a lenta.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>[1] Na verdade eu me lembro bastante do filme, graças à absorção por osmose ocorrida quando me encontrava nas proximidades de uma TV transmitindo-o. Ele termina com uma Escolha de Sofia de quinta categoria, a mãe na beira de um penhasco com um filho pendurado em cada mão: o demônio que ela pariu e o anjo que ela adotou. A resolução desse DUHlema é uma metáfora perfeita para a carreira do Culkin.</p>
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		<title>Por que eu me desiludi com os festivais de cinema</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 05:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiano Ristow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[desilusão]]></category>
		<category><![CDATA[estreias]]></category>
		<category><![CDATA[festivais]]></category>
		<category><![CDATA[festival do rio]]></category>
		<category><![CDATA[filmes]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Fabiano Ristow

Eu disse no Twitter que me desiludi com festivais de cinema porque a maior parte dos filmes realmente bons (os ruins ou medíocres não contam) acaba estreando depois, e foi como peidar na missa. 
Antes de qualquer coisa, eu queria deixar claro que é uma postura pessoal e continuo achando totalmente válido [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=698&subd=discretoblog&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/fabianoristow">Fabiano Ristow</a></em></p>
<p><img src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/10/desilusao.jpg?w=320&#038;h=276" alt="desilusão" title="desilusão" width="320" height="276" class="aligncenter size-full wp-image-713" /></p>
<p>Eu disse no Twitter que me desiludi com festivais de cinema porque a maior parte dos filmes realmente bons (os ruins ou medíocres não contam) acaba estreando depois, e foi como peidar na missa. </p>
<p>Antes de qualquer coisa, eu queria deixar claro que é uma postura pessoal e continuo achando totalmente válido e bonito todo mundo indo nos festivais. Na verdade, eu adoraria estar no Festival do Rio vendo filmes também, mas não estou. E a grande surpresa é que isso não me faz mais sentir culpado.</p>
<p>Minha desilusão, em termos gerais, é fruto de problema financeiro. Eu cheguei à conclusão de que, se você tá com grana e tempo sobrando, o festival <em>é</em> aproveitável. Caso contrário, desilusão. Pouco vale o esforço.</p>
<p>Enfim, o que me responderam no Twitter foi mais ou menos isso:</p>
<p><strong>1) Claro que filmes bons não estream. Por exemplo: &#8220;Exemplo#1&#8243;, &#8220;Exemplo#2&#8243;, &#8220;Exemplo#3&#8243; etc.</strong><br />
Sim, eu estou ciente disso. Alguns dos meus filmes favoritos eu vi em festivais e nunca estrearam. (sério) Mas são minoria. É uma proporção de ¼, sendo otimista. (Lembrando que filmes ruins ou medíocres não entram no cálculo, porque senão fica fácil, ok?)</p>
<p><span id="more-698"></span></p>
<p><strong>2) Mesmo assim, eles existem. Então, no fim, vale a pena.</strong><br />
Vale se você tem dinheiro e tempo o suficiente pra ver tudo de uma vez só num espaço de dez dias, o que não é o meu caso. Depois de um tempo, você percebe que não consegue fazer mais nada a vista, só parcelado.</p>
<p><strong>3) De qualquer forma, mesmo estreando, demora pra caralho.</strong><br />
Sim, por isso que eu veria um filme com todo o prazer do mundo se eu tivesse tempo e disposição. Mas, não tendo, eu posso aguentar seis meses assistindo a outros bons filmes. Eu realmente perdi aquela urgência que praticamente nos obriga a ver um filme quando ele aparece numa sessão única, como se um bilhete lotérico premiado passasse voando ao seu lado e aquele fosse o seu único momento de ficar milionário. Eu estou confiante de que isso não tem nada a ver com cinefilia em decadência, mas com ansiedade menor – ou ansiedade com outras coisas, o que, de qualquer forma, admito não saber se é melhor.</p>
<p><strong>4) Você vê poucos filmes.</strong><br />
Talvez. Há vários anos eu vejo mais de 20 filmes no Festival do Rio. Depois, vou até São Paulo e assisto a mais 20 na Mostra (e compro a camisa). Eu reconheço que pra muita gente isso é pouco. Pra algumas pessoas, festivais são momentos em que elas veem, tipo, 150 filmes. Elas vão numa sessão atrás da outra, e durante dez dias elas eventualmente matam a fome com um pastel do china da esquina. Eu já fiz isso, mas não tenho mais <del datetime="2009-10-01T04:55:34+00:00">idade</del> tempo. Além disso, eu tenho um sério problema: eu gosto de <em>refletir</em> sobre os filmes que vejo. Eu não tenho a capacidade de fazer isso vendo dez por dia. Quando o filme é bom e complexo, eu preciso digeri-lo por horas, às vezes dias. É horrível, mas eu sinto <em>prazer</em> nisso.</p>
<p><strong>5) Na verdade, MILHÕES de filmes não estream. É só saber procurar. Você não sabe procurar.</strong><br />
O meu critério é pesquisar sobre os filmes e diretores e descobrir quais foram aclamados em outros festivais e por críticos que admiro e em cuja opinião confio. Eu usava o critério <em>Gostei-da-sinopse-e-vou-ver</em>, mas eu o abandonei porque não valia a pena: eu vi filmes ruins e não eram de graça.</p>
<p><strong>6) Mas, cara, tem toda aquela VIBE CINÉFILA NO AR.</strong><br />
Não me importo.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/discretoblog.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/discretoblog.wordpress.com/698/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/discretoblog.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/discretoblog.wordpress.com/698/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/discretoblog.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/discretoblog.wordpress.com/698/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/discretoblog.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/discretoblog.wordpress.com/698/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/discretoblog.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/discretoblog.wordpress.com/698/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=698&subd=discretoblog&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">ristow</media:title>
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			<media:title type="html">desilusão</media:title>
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		<item>
		<title>Esperei o DVD: Pr&amp;$$@910</title>
		<link>http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/29/esperei-o-dvd-pr910/</link>
		<comments>http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/29/esperei-o-dvd-pr910/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 18:25:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Pinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Esperei o DVD]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[alex proyas]]></category>
		<category><![CDATA[calvície]]></category>
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		<category><![CDATA[nicolas cage]]></category>
		<category><![CDATA[presság1o]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Rodrigo Pinder

Todo mudo já viu esse, certo? Não preciso colocar um aviso de SPOILER aqui, preciso?
Bom, talvez eu precise. Talvez o que é óbvio para mim não seja tão óbvio para outras pessoas. Talvez exista um propósito no universo, um Objetivo Maior, um Plano Inefável. Ou talvez a vida seja apenas uma série [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=520&subd=discretoblog&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Postado por </em><em><a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/rodrigopinder/">Rodrigo Pinder</a></em></p>
<p><em><img class="aligncenter size-full wp-image-530" title="knowing_movie_image_nicolas_cage__4_" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/knowing_movie_image_nicolas_cage__4_.jpg?w=500&#038;h=333" alt="knowing_movie_image_nicolas_cage__4_" width="500" height="333" /></em></p>
<p>Todo mudo já viu esse, certo? Não preciso colocar um aviso de SPOILER aqui, preciso?</p>
<p>Bom, talvez eu precise. Talvez o que é óbvio para mim não seja tão óbvio para outras pessoas. Talvez exista um propósito no universo, um Objetivo Maior, um Plano Inefável. Ou talvez a vida seja apenas uma série de acontecimentos randômicos, porém inevitáveis. De onde viemos? Para onde vamos? Por que eu sou obrigado a compartilhar das músicas ruins que meus vizinhos ouvem?</p>
<p>Estas são as questões fundamentais da existência humana, e uma dramatização envolvendo um cético deparando-se com uma prova inegável de presciência sobrenatural poderia ser um jeito intrigante de explorá-las, mas os três roteiristas deste filme aparentemente estão mais preocupados com (a) catástrofes, (b) terror fantasmagórico e (c) Nicholas Cage correndo e/ou gritando com pessoas.</p>
<p>Os apologistas de <em>Dark City</em> vão ter que me desculpar, mas Alex Proyas nunca teve muita sensibilidade para lidar com roteiros. Não dava pra esperar que ele tivesse, por exemplo, os cojones de cortar o que é provavelmente o prólogo mais dramaticamente inútil de todos os tempos, ou exigir uma revisão no segundo ato, prolongando a descoberta e criando suspense através da ambiguidade. Como não há espaço para dúvidas e logo fica claro que as previsões são à prova de balas, a tensão é natimorta, a duração um mero capricho e cada obstáculo um exercício de futilidade.</p>
<p><span id="more-520"></span></p>
<p>O véu de inteligência e auto-importância é esfarrapado demais pra esconder o fato de que isso é basicamente <em>Transformers </em>com uma premissa &#8220;intrigante&#8221;. Tudo é desculpa para BANG CRASH POW, a &#8220;trama&#8221; consistindo numa série de situações nonsense e descaradamente convenientes. Aparentemente, &#8220;predestinação&#8221; tem uma profunda conexão com &#8220;pessoas agindo como idiotas&#8221; (o que acontece talvez mais aqui do que nos próprios filmes do Michael Bay), a necessidade dramática atropelando qualquer chance de caracterização como um rolo compressor carnavalesco: ninguém age como um ser humano normal se não for conveniente.</p>
<p>Amostra 1: depois de pesquisa exaustiva, astrofísico renomado está convencido de que parte de uma seqüência de números indica as datas e a quantidade de mortes de grandes catástrofe, mas idéia de que o restante dos números podem, por acaso, indicar, digamos, o <strong>local</strong> desses desastres sequer passa pela sua cabeça até o GPS do carro o lembrar que latitude e longitude existem, ao convenientemente passar pelo exato local da próxima catástrofe no exato momento em que ela acontece. POW BANG CRASH, plano-seqüência caótico que deve ter sido um inferno pra coreografar[1].</p>
<p>Amostra 2: mesmo astrofísico tenta se aproximar de uma mulher que pode ser a chave de todo o &#8220;mistério&#8221;, e para isso usa o próprio filho, pois a mulher convenientemente tem uma filha da mesma idade. A idéia da cena é até interessante, mas a execução patética: &#8220;eu estou extremamente preocupado com alguma coisa e definitivamente não estou sendo completamente honesto&#8221; é o que a expressão do personagem sugere desde o começo. Estaria Nic Cage interpretando o pior ator do mundo, que por acaso também é o astrofísico mais incompetente do mundo?</p>
<p>Eu poderia citar exemplos até o fim desse post (como o &#8220;amigo cético&#8221;, que num filme serviria como compasso de sanidade, mas neste produto audiovisual é reduzido a um mero mecanismo de negação, declarando a todo momento que lagartos gigantes não existem enquanto é repetidamente pisoteado por um Godzilla metafórico), mas isso seria fácil demais. O ponto é que tudo isso é perfeitamente compreensível quando se lida com o tipo de projeto que pinguepongueou durante anos e aterrissou no colo dos creditados depois de passar por um número indeterminado de sabe-se lá quais mãos.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-677" title="knowing10" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/knowing10.jpg?w=500&#038;h=208" alt="knowing10" width="500" height="208" /><em>WHOOOOOOOSSSSSSHHHHHHRRRRRRKKKKKKSSSSSHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!</em></p>
<p>O produto final é claramente uma cria bastarda rejeitada por diversos Frankensteins, e só não é uma ofensa completa em termos de desperdício (o pouco de existencialismo que há no filme é tão burocrático que soa como exposição) porque uma versão boa desse conceito já existe: <em>O Juízo Final</em>, de Michael Tolkin (1991). Recomendado para pessoas interessadas em uma visão realmente desesperadora da “certeza do que está por vir”.</p>
<p>Pode-se argumentar que os filmes não são exatamente similares, que este é ambíguo sobre o que exatamente está controlando tudo. Na minha opinião, isso é uma falácia. Não há qualquer ambigüidade aqui, e o último plano está basicamente esfregando isso na sua cara. O “quem” não é importante, e sim o “como” e o “porquê.” Esse filme é sobre anjos e o Apocalipse. Eles tem asas. Por que aliens teriam asas? Eu digo porque. Porque esse roteiro passou na mão de cristãos, judeus e ateus.</p>
<p>Mais uma evidência de que o objetivo aqui é demográfico (agradar o máximo possível de pessoas e ofender o mínimo), o visual sci-fi permite explorar alegorias bíblicas desgastadas sem fazer os ateus e agnósticos revirarem os olhos, além de garantir uma rede de segurança contra os religiosos mais fanáticos, que não costumam gostar de coisas bíblicas que não são exatamente como está escrito na Bíblia. Resultado: um filme completamente subordinado, sem nenhuma vida própria. Em algum momento alguém pode ter acreditado nessa idéia de verdade (provavelmente o cara que escreveu o primeiro draft), mas a quimera retardada que ela se tornou é disaster-porn.</p>
<p>Os valores de produção impedem que ele se torne um possível candidato para um possível futuro MST3K? Eu não saberia dizer. Apreciar histeria num nível tão-ruim-que-é-bom em longas nunca foi muito a minha praia; logo a graça se esvai e tudo que sobra é constrangimento. É por isso que eu nunca assisti <em>Plan 9 From Outer Space</em> até o fim, e nem pretendo. “Sim, é bem ruim, já entendi, haha. Agora coloca <em>Cidadão Kane</em> aí que eu preciso purificar a minha alma.”</p>
<p>A conclusão final é tão previsível quanto o filme: o maior desastre que o Nicholas Cage não consegue impedir são suas contínuas tentativas de esconder a própria calvície (rimshot). Não, sério, como um cara aparentemente tão vaidoso (a peruca que ele usou em <em>Motoqueiro Fantasma</em> levava 3 horas para ser aplicada) se sujeitou a fazer<em> Adaptação</em>? Eu sei, eu sei; ele queria outro Oscar. Em todo caso, ele devia fazer filmes de época; pelo menos ia poder usar chapéu.</p>
<p>(Ainda bem que eu fiz uma nota de rodapé. Terminar com uma piada tão fácil ia ser tão filisteu.)</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-671" title="nicolas-cage-hair-is-a-bird" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/nicolas-cage-hair-is-a-bird.jpg?w=472&#038;h=375" alt="nicolas-cage-hair-is-a-bird" width="472" height="375" /></p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>[1] Aparentemente o Proyas quer copiar <em>Children of Men</em>, mas há um problema nesse espectro e ele se chama MPAA. Enquanto o Cuarón pode se dar ao luxo de espirrar sangue na câmera, <em>Know1ng</em> é um projeto que já nasceu no berço confortável do PG-13. Não é que eu queira ver gore, é que o filme quer mostrar catástrofes de forma extremamente detalhada, e não dá pra fazer isso só com concreto estraçalhado e metal retorcido. Essas coisas têm a tendência de reduzir o corpo humano ao seu estado básico de ossos e líquidos. Ignorar esse fato é banalizar a situação.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Advogado do Diabo: A Ingrata Tarefa de Defender Anticristo</title>
		<link>http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/24/advogado-do-diabo-a-ingrata-tarefa-de-defender-anticristo/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 16:32:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Pinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[anticristo]]></category>
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		<category><![CDATA[willem dafoe]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Rodrigo Pinder
 

Nenhum filme fez mais barulho em Cannes do que Anticristo, inclusive no senso literal: risos e gemidos incrédulos durante os momentos mais chocantes da projeção foram um mero prelúdio para a trilha cacofônica de aplausos e vaias (as vaias venceram) que acompanhou os créditos finais. Críticos estupefatos imediatamente condenaram-no como ofensivo, questionando sua [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=425&subd=discretoblog&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Postado por </em><a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/rodrigopinder/"><em>Rodrigo Pinder</em></a></p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-435 aligncenter" title="antichrist-dir-lars-von-trier" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/antichrist-dir-lars-von-trier.jpg?w=500&#038;h=335" alt="boo" width="500" height="335" /></p>
<p>Nenhum filme fez mais barulho em Cannes do que <em>Anticristo</em>, inclusive no senso literal: risos e gemidos incrédulos durante os momentos mais chocantes da projeção foram um mero prelúdio para a trilha cacofônica de aplausos e vaias (as vaias venceram) que acompanhou os créditos finais. Críticos estupefatos imediatamente condenaram-no como ofensivo, questionando sua presença entre a seleção oficial do festival; alguns ficaram especialmente indignados ao descobrir que Lars Von Trier dedicara um filme contendo mutilação genital explícita a Andrei Tarkovsky.</p>
<p>A fogueira estava acesa, e o júri ecumênico (cuja função habitual é premiar um filme que promova “valores espirituais e humanistas”) se sentiu na obrigação de despejar mais lenha, desdobrando uma manobra agressiva: <em>Anticristo</em> recebeu um Antiprêmio (lol), por sua “visão misógina.” O júri de verdade, por sua vez, indicou-o à Palma de Ouro e premiou Charlotte Gainsbourg por sua (corajosa, assustadora) atuação. A verdade é que o filme estava fadado a provocar controvérsias e reações radicais do tipo ame-ou-odeie desde sua concepção.</p>
<p>Quando lidando com uma obra extremamente pessoal e totalmente destituída de convenções de gênero (apesar de vendida como “terror”), é difícil tentar impor uma síntese dialética à sua recepção e chegar a um consenso do tipo “fãs de isso e aquilo vão gostar.” Sua apreciação vai depender muito do quanto você se sintonizar com a sensibilidade bizarra do filme. Mas isso não funciona para a mídia, que trabalha com rótulos de caracteres limitados. Afinal, seria <em>Anticristo</em> uma bomba, uma piada, uma obra-prima ou o quê?</p>
<p><span id="more-425"></span></p>
<p>Sempre o provocador, Lars Von Trier ativamente se recusou a oferecer insights, assumindo em entrevistas uma postura enigmática (“Não tenho desculpas para o filme além de acreditar totalmente nele – o filme mais importante da minha carreira”) e debochada (“Eu sou o maior diretor vivo”). Mas em notas de produção ele disse algo um pouco mais esclarecedor: aparentemente, o filme foi uma espécie de “terapia” para a depressão da qual o diretor sofria. Vamos refletir sobre isso por um segundo, sim?</p>
<p>Eu falo por experiência própria, e qualquer pessoa que já sofreu de depressão vai confirmar: no fundo do poço, enxergar as coisas de forma racional é tentar pregar neblina na parede. Uma mente fragilizada é um balão cheio de ar, e cada idéia destrutiva serpenteando em seu subconsciente um alfinete. Qualquer movimento em falso e POW – sem perceber, você já está deturpando valores, planejando vingança ou entupindo um parágrafo com metáforas prosaicas.</p>
<p>É fácil desprezar <em>Anticristo</em> como misógino (e, por conseqüência, Von Trier como louco). Você nem precisa ver o filme, na verdade: o último T do título é representado no trailer e no pôster pelo símbolo de Vênus; você pode sair da sala no momento em que ele pipocar na tela, acusando o filme de misoginia semiótica. Mas vamos supor que você decidiu ficar e assistir, lembrando que o Lars fez uma carreira vitimizando mulheres com as quais dizia se identificar:</p>
<p>A história é dividida em quatro capítulos, &#8221;Grief&#8221;, &#8220;Pain (Chaos Reigns)&#8221;, &#8220;Despair (Gynocide)&#8221; e &#8220;The Three Beggars&#8221;, além de um prelúdio e um epílogo. O prólogo, filmado em lírico preto-e-branco e super slow-mo, apresenta uma perda colossal carregada de culpa intrínseca: o casal de protagonistas (identificados apenas como Ele e Ela) faz sexo apaixonadamente enquanto seu filhinho despenca pela janela numa tentativa frustrada de pegar flocos de neve. O orgasmo é atingido no exato momento do impacto.</p>
<p>A partir daí, somos apresentados a um melodrama bergmanesco com toques de (sim) Tarkovsky, onde Ela sofre de depressão maníaca e Ele (que por acaso é um psicoterapeuta) critica o jeito com que essa depressão é lidada. Como Thomas Edison em Dogville, suas boas intenções carregadas de arrogância têm conseqüências desastrosas: contrariando todas as regras da psicanálise, Ele decide tratá-la, pois “ninguém a conhece como eu”. Vencida pelo cansaço, Ela joga todos os seus remédios no vaso sanitário.</p>
<p>Ele desenha uma pirâmide num pedaço de papel e, ao forçá-la a confrontar os próprios medos, descobre que uma cabana na floresta chamada Eden (wink wink) se encontra numa posição privilegiada, mas não exatamente no topo. Essa não é a única descoberta que ele fará. Um efeito impressionista de árvores em movimento com imagens fantasmagóricas subliminares depois, e estamos na cabana onde Ela havia previamente passado um tempo com o filho para escrever uma tese (nunca terminada, somos informados).</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-445" title="antichrist04" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/antichrist04.jpg?w=500&#038;h=212" alt="antichrist04" width="500" height="212" /></p>
<p>Em uma série de exercícios psicológicos, Ele chega cada vez mais perto de descobrir o que está no topo daquela pirâmide, mas estaria sua virtuose new age fazendo mais mal do que bem? Quando sua suposta “paciente” tem um surto de libido, fazer sexo com ela talvez seja o menos recomendável, e Ele obviamente sabe disso, o que é enfatizado quando comenta, pós-coito: “Isso não está funcionando.” Parabéns, Sherlock, e aqui nós chegamos a um dos fatos que muitos críticos parecem ignorar: Ele é claramente um completo idiota.</p>
<p>No final de “Pain”, qualquer pretensão de realismo é enfaticamente defenestrada. Se você revirar os olhos no momento em que a raposa falar, sua experiência provavelmente está fadada a seguir ladeira abaixo a partir daí. Como anunciado, Ela é tomada pelo desespero e inflige atos de crueldade cada vez mais macabros e elaborados. Nossa reação automática é achar impossível que Ele consiga sequer se mover depois de toda dor física que sofre, mas aqui vem a parte irônica: por que não pensamos o mesmo sobre a dor psicológica que Ela sentiu?</p>
<p>O gênero feminino <em>não é</em> o “vilão” do filme. A fonte de maldade é a Natureza (o que é telegrafado bem cedo). O “Anticristo” do título não é Ela, mas sim age <em>através</em> dela: animais em cenas grotescas sugerem um mundo criado não por Deus, mas por Satã. A brutalidade, indiferença e inconseqüência da Natureza são idéias sedutoras para uma mente fragilizada. Essa sedução é ilustrada em um plano recorrente que mostra a nuca da vítima. Repare na última vez que isso acontece. E lembre que os olhos de Willem Dafoe são originalmente azuis.</p>
<p>Eu não vou entrar em mais detalhes, mesmo porque, se eu tiver um problema com o filme, é o fato dele se tornar muito explicativo conforme se aproxima do final, mostrando coisas e depois falando sobre elas, o que soa um pouco como justificativa, o próprio conceito que o Von Trier supostamente busca desmoronar com sua abordagem sem compromisso. Eu também não pretendo de forma alguma <strong>recomendar</strong> <em>Anticristo</em> aqui, o que é minha postura habitual perante experiências ativamente desagradáveis.</p>
<p>Muita gente simplesmente risca a linha em certas coisas, e <em>Anticristo</em> deve conter provavelmente todas elas. Sexo explícito? Pode apostar. Por volta do primeiro minuto, há um plano (belíssimo, nem um pouco erótico) de penetração em extreme close-up. Gore? Que tal uma analogia explícita envolvendo um filhote de pássaro caindo do ninho, sendo atacado por formigas e depois despedaçado por uma ave de rapina? “Blasfêmia”? Se você acredita nesse conceito, o título é suficiente.</p>
<p>Mas seja qual for sua reação às idéias controversas e às imagens explícitas, por mais repulsivos que os atos dos personagens pareçam, não há como negar que, formalisticamente, o filme é o trabalho de um mestre. Esteticamente quase um anti-dogma (exceto pelo jump-cut ocasional), aqui o Lars se vale de todos os artifícios à disposição (iluminação artificial, câmera lenta, props e até CGI) com extrema desenvoltura, criando um mise-en-scene espetacularmente sobrenatural e arrancando atuações espantosas do mínimo elenco.</p>
<p>Sim, Anticristo é em grande parte absolutamente ridículo, e eu não duvido que em outro momento da minha vida eu mesmo o teria desprezado. É perfeitamente possível argumentar que suas idéias e imagens pintam um cenário louco e obsceno demais para justificar a própria existência. Mas seu criador sabe disso, e não faz a mínima questão de esconder. Outra coisa sobre depressão é que ela pode fazer você perder completamente a vergonha de compartilhar suas idéias mais absurdas. Para um cineasta, isso às vezes significa fazer um filme.</p>
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		<title>Tudo no mesmo saco</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 03:44:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiano Ristow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Politica]]></category>
		<category><![CDATA[congresso]]></category>
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		<category><![CDATA[mídia]]></category>
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		<description><![CDATA[Postado por Fabiano Ristow

Sarney disse ontem que a mídia tinha passado a &#8220;ser inimiga das instituições representativas&#8221;, porque ela mesma estaria se colocando como representante do povo, um papel que deveria ser do Congresso, assim criando-se um embate entre os dois.
Naturalmente, a mídia caiu em cima e criticou a suposta crítica à mídia, e quando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=422&subd=discretoblog&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/fabianoristow">Fabiano Ristow</a></em></p>
<p><img src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/sarney.jpg?w=400&#038;h=300" alt="sarney" title="sarney" width="400" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-423" /></p>
<p>Sarney disse ontem que a mídia tinha passado a &#8220;ser inimiga das instituições representativas&#8221;, porque ela mesma estaria se colocando como representante do povo, um papel que deveria ser do Congresso, assim criando-se um embate entre os dois.</p>
<p>Naturalmente, a mídia caiu em cima e criticou a suposta crítica à mídia, e quando hoje a assessoria de Sarney <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1307158-5601,00.html">disse</a> que ele na verdade não criticou a mídia e sim fez uma &#8220;exposição teórica sobre o antagonismo do imediatismo da mídia eletrônica ao prazo dos mandatos parlamentares&#8221;, a mídia criticou o fato de ele ter dito que não era uma crítica à mídia.</p>
<p>Talvez, se amanhã o Sarney criticar a crítica à não-crítica dele, haverá uma crítica à crítica e assim sucessivamente. Bem, como nem eu entendi o que eu acabei de falar, deixa eu ir direto ao ponto.</p>
<p><span id="more-422"></span></p>
<p>Eu acho que Sarney disse merda sim, mas não pelo motivo que tá todo mundo dando. Eu não vejo o discurso dele como uma crítica à mídia.</p>
<p>Não é verdade que a mídia se coloca como representante do povo? Eu acho que é.</p>
<p>E não é verdade que isso cria um embate mídia x &#8220;instituições representativas&#8221;? Eu acho que sim.</p>
<p>Então qual é o erro?</p>
<p>O erro de Sarney é achar que esse embate é um erro. Isso se ele realmente achar um erro &#8211; mas mesmo supondo que ele não tenha criticado nada, apenas exposto o antagonismo entre as duas partes e etc etc, ainda assim há outro erro: a comparação é ruim.</p>
<p>Primeiro porque a mídia representa o povo de uma forma e com uma finalidade tão diferentes da do Congresso que não vejo nem como colocar tudo num mesmo saco. A mídia dá voz ao povo não para se passar pelo Congresso, pelo contrário, é para se contrapor a ele. O Congresso representa o povo na hora de criar as leis que teoricamente são de interesse público. A mídia não quer criar lei, ela quer apontar a sujeira.</p>
<p>Segundo porque, representação por representação, acho que ninguém se sente realmente representado pelo Congresso. Ou sente?</p>
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		<title>Enquanto eu via True Blood, eu pensava o seguinte&#8230;</title>
		<link>http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/15/enquanto-eu-via-true-blood-eu-pensava-o-seguinte/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 08:14:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiano Ristow</dc:creator>
				<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[anna paquin]]></category>
		<category><![CDATA[hbo]]></category>
		<category><![CDATA[série]]></category>
		<category><![CDATA[sookie]]></category>
		<category><![CDATA[true blood]]></category>
		<category><![CDATA[vampiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Fabiano Ristow

Ninguém aguenta mais ouvir falar em True Blood, de modo que vou fazer apenas alguns blocos de comentários aleatórios, primeiro sobre a série em geral e depois sobre o season finale.
*Eu sabia que haveria vampiros e estava pronto pra aceitar o universo fantasioso. Mas aí entrou uma garota que lê mentes. Depois [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=407&subd=discretoblog&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/fabianoristow">Fabiano Ristow</a></em></p>
<p><img src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/sarah.jpg?w=500&#038;h=750" alt="sarah" title="sarah" width="500" height="750" class="aligncenter size-full wp-image-409" /></p>
<p>Ninguém aguenta mais ouvir falar em True Blood, de modo que vou fazer apenas alguns blocos de comentários aleatórios, primeiro sobre a série em geral e depois sobre o season finale.</p>
<p>*Eu sabia que haveria vampiros e estava pronto pra aceitar o universo fantasioso. Mas aí entrou uma garota que lê mentes. Depois um homem que se transforma em cachorro. Quando eu ouvi alguém mencionando a existência de dragões, eu percebi que a série e eu, nós teríamos problemas. Com um bom roteiro, a gente acredita até em fauno. Sem, não dá pra esperar que aceitemos qualquer delírio de criança.</p>
<p>*Falando em criança, a série só não é infantil porque é adolescente. Ela reúne todos os ingredientes selecionados especialmente para fazer borbulhar os hormônios de fanboys em puberdade. A receita é clássica: violência gratuita, pessoas bonitas e sexo. De preferência, pessoas bonitas fazendo sexo com violência gratuita. Pensei pra mim: “Falta a lésbica sexy”. Aí contrataram a <del datetime="2009-09-16T03:58:27+00:00">Rachel Evan Woods</del> Evan Rachel Wood pra interpretar a Rainha dos vampiros, uma lésbica sexy. Royal flush.</p>
<p>(Falando em Rachel Evan Woods&#8230; No passado ela era indicada ao Oscar, hoje ela interpreta uma lésbica sexy cuja única função na trama é explicar pro público através de diálogos expositivos como matar o Vilão. Ps.: Ela joga dados enquanto faz isso.)</p>
<p><span id="more-407"></span></p>
<p>*Eu me pergunto como uma cidade do interior pode reunir uma quantidade tão absurda de pessoas bonitas. Será que em Bon Temps há uma academia que a população frequenta enquanto não está fugindo de um mênade controlador de mentes e distribuição gratuita de suplementos alimentares pela prefeitura? Vamos refeltir.</p>
<p>*A série deveria evitar efeitos especiais. Primeiro os vampiros deveriam parar de andar na velocidade da luz, tipo The Flash. É um fast foward tão descarado que se você prestar atenção consegue ver também as árvores se mexendo em alta velocidade. E eu não sei exatamente o que os responsáveis pelos efeitos especiais fazem quando Sam se transforma num cachorro, mas eu apostaria num frame do ator seguido do frame de um cachorro ligados por um cross dissolve.</p>
<p>*Eventualmente, descobrimos que Sam não vira apenas um cachorro, mas <em>qualquer animal que ele quiser</em>, tipo uma <em>mosca</em> &#8211; o que pros roteiristas é uma solução muito conveniente pra resolver, por exemplo, uma encurralada.</p>
<p>*Os vampiros choram sangue. Isso está errado. Eu sei que eles só bebem sangue, mas olha só. Uma cena não pode ser supostamente dramática se há <em>sangue</em> escorrendo na cara dos atores. Vocês se lembram do tapa-olho que o Tom Cruise usou em Operação Valquíria, certo? E que nenhuma cena podia ser dramática porque Tom Cruise com um tapa-olho não pode ser nada senão algo ridiculamente hilário, certo? Então, é mais ou menos a mesma coisa.</p>
<p>*Se há problemas com o roteiro (eu sinto que estou sendo generoso), por outro lado a direção tem seus momentos de inspiração, especialmente a direção de atores. Anna Paquin consegue criar uma Sookie carismática com uma atuação não-sensacionalista e pé-no-chão – eu ia simplificar dizendo “uma atuação não exagerada”, mas na verdade <em>é</em> exagerada. Adina “Color Purple” Porter (piadinha by @auf), a mãe da Tara, me fez ficar com os olhos molhados em absolutamente todas as suas aparições, uma pena que ela tenha sido pouco explorada. (Mas como a personagem dela sequer existia no livro original, acho que estamos no lucro.) Mas o maior destaque é Michelle “Maryann” Forbes. É o personagem mais alanballesco, com uma capacidade hilária e ao mesmo tempo assustadora de lidar sarcástica e impassivamente com qualquer situação.</p>
<p>*A segunda temporada é infinitamente melhor que a primeira. Toda a subtrama da Sociedade do Sol é absurdamente engraçada e chocante, e o clímax reunindo a busca por Godric e a batalha entre vampiros e fanáticos religiosos, todo esse clímax tem ares épicos. E é ali que a série deixa de ser uma mera trivialidade adolescente pra virar um suspense com uma impressão digital própria. É também o momento em que o sexo é usado pra explorar ambivalência de caráter e deturpação religiosa – algo que não é tão original, mas Ryan &#8220;Jason&#8221; Kwanten e Anna &#8220;Sarah&#8221; Camp fazem tudo com tanta dignidade que você quase consegue encostar na tensão sexual suspensa no ar.</p>
<p>*Infelizmente, Stephen Moyer é um ator constrangedor. (E QUASE que ele se chama Stephenie Meyer). Você olha pro Vampiro Biu e quase consegue ouvi-lo dizer: “My name is Bill. I&#8217;m a mainstream vampire. I want to mingle amongst the humans. That&#8217;s why I make this face. All humans look like this, right? Huh? What do you mean &#8216;no&#8217;? No wonder everybody freaks out when they look at me. Why didn&#8217;t you warn me earlier? Are you people retarded? Geez.” (por Rodrigo Pinder, clap clap)</p>
<p>Agora algo sobre o season finale.</p>
<p>*Como eu já cansei de dizer, é um episódio medíocre de uma série medíocre, que basicamente reúne todos os defeitos e virtudes da série. É a amostra representativa perfeita, a gota de sangue que diagnostica toda a doença. Mas eu admirei como toda aquela porraloquice de casamento com Deus Chifrudo e ovo de avestruz foi tratada com certa <em>ironia</em>, como se alguém por trás estivesse dizendo: “Tudo isso é ridículo. Não levem a sério. Riam.”</p>
<p>*A morte da Maryann está entre as melhores cenas de toda a série. É uma cena ridícula, na verdade, se você for pensar: um touro surge das sombras e fura sua barriga enquanto você agradece achando que está em contato com Deus. Seria ridícula se não fosse comovente. Apesar de todo o caos que Maryann causou em Bon Temps, ali ela não é nada além de uma inocente fanática lutando por um sentido na vida enquanto toda a sua esperança desmorona mais rápido que uma chifrada no estômago e ela encara a verdade mais dolorosa que um crente pode saber: a de que não há um Deus.</p>
<p>*Eggs é um personagem que pode ser resumido a um minimonólogo do tipo: “Olá. Eu sou negro e modelo e vim fazer par romântico com a outra personagem negra. Eu descobri que matei um monte de gente e me sinto muito culpado por isso, mesmo sabendo que eu estava sendo controlado por forças sobrenaturais. Portanto, sinto que vou surtar e tomar alguma atitude evidentemente inexplicável como pegar uma faca e desabafar com o policial alcoólatra da cidade. Essa é a oportunidade perfeita para eu levar um tiro na cabeça, morrer e sair da série, afinal, eu nunca fui realmente um personagem, eu era só um dispositivo temporário que os roteiristas encontraram para ativar a participação da Tara, que já na primeira temporada vinha demonstrando sinais de desgaste com toda aquela coisa de mãe bêbada e satânica.”</p>
<p>E agora uma consideração final.</p>
<p>Nosso amigo Luis Calil me pergunta por que eu continuo assistindo a uma série que considero medíocre quando há outras melhores por aí. É que eu fico curioso. Só isso. Mas a terceira temporada estreia sóóóóó em junho de 2010. Quem sabe até lá eu perco a curiosidade.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Pena de Morte: Sem Graça</title>
		<link>http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/07/pena-de-morte-sem-graca/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 17:04:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Politica]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[ateu]]></category>
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		<category><![CDATA[michael shermer]]></category>
		<category><![CDATA[pena de morte]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia evolucionista]]></category>
		<category><![CDATA[vingança]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Luis Calil

Aqui vão algumas considerações sobre a pena de morte que eu precisava tirar da cabeça, inspiradas por este excelente artigo de Michael Shermer:
Se a preferência por pena de morte se dá pelo desejo de uma satisfação emocional de punição e vingança, de uma atitude “olho por olho”, então ela é uma preferência [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=398&subd=discretoblog&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/yellowcalx">Luis Calil</a></em></p>
<p style="text-align:center;"><em><img class="size-full wp-image-400 aligncenter" title="barbie_electric_chair" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/barbie_electric_chair.jpg?w=262&#038;h=350" alt="barbie_electric_chair" width="262" height="350" /></em></p>
<p>Aqui vão algumas considerações sobre a pena de morte que eu precisava tirar da cabeça, inspiradas por <a href="http://skepticblog.org/2009/09/01/thoughts-on-prisoner-771782/">este excelente artigo</a> de Michael Shermer:</p>
<p>Se a preferência por pena de morte se dá pelo desejo de uma satisfação emocional de punição e vingança, de uma atitude “olho por olho”, então ela é uma preferência predominantemente religiosa, justificada pela idéia dum Inferno onde o criminoso sofrerá de forma bem mais perversa do que passar o resto da vida numa cela com cama, vaso, revistas, cigarros, TV, etc. (Apesar de Cristo ter dito alguma coisa sobre mostrar a outra bochecha&#8230;)</p>
<p>Para um ateu, como eu, isso não cola. Quando um criminoso é executado, ele deixa de estar consciente e, portanto, deixa de ter oportunidades de sofrer. Pode-se dizer que tirar o seu direito de viver é a punição, mas quando esse direito for removido, o criminoso não vai estar acordado para reclamar. É por isso que eu costumo falar que é muito mais satisfatório, para um ateu sádico, ver o criminoso sofrendo por décadas na gaiola do que sofrendo alguns anos e morrendo.</p>
<p><span id="more-398"></span></p>
<p>Essa posição foi dificultada pra mim quando vi <a href="http://www.ted.com/index.php/talks/dan_gilbert_asks_why_are_we_happy.html">uma palestra do psicólogo Dan Gilbert</a> apontando algo meio contra-intuitivo sobre felicidade. Ele fez a seguinte pergunta: Um ano depois, quem é mais feliz, um cara que ganhou na loteria ou um cara que ficou paraplégico? A resposta parece óbvia, mas de acordo com estudos feitos sobre esses dois grupos de pessoas, ela não é. Um ano depois, ambos estariam num nível de felicidade bem aproximado. Gilbert vai mais longe ainda: ele afirma que a maioria dos acontecimentos na sua vida, sejam positivos ou negativos, não vão ter quase nenhum efeito após alguns meses.</p>
<p>Então, se o criminoso se acostumar com sua situação na cadeia e voltar a viver uma vida relativamente “agradável”, ele passar o resto da vida lá não será muito satisfatório pra quem quer o ver sofrer. Por outro lado, para quem não acredita em diabinhos com tridentes espetando bundas levadas[1], um criminoso morto não vai sofrer nem um pouco[2]. Talvez a solução seja piorar as condições na cadeia – algo em que o Brasil já é craque.</p>
<p>Se não se pode conseguir satisfação por punição de um jeito ou de outro, talvez seja melhor dar um passo pra trás e perguntar algo mais pertinente: essa satisfação tem alguma utilidade prática? Ela ajuda a amenizar a dor da perda, ou sair do estado de luto? Eu não tenho experiência com isso, então não poderia opinar, nem pretendo investigar estudos psicológicos sobre o tema (por enquanto), porque eu tenho mais o que fazer (e.g. procrastinar), mas considerando que “olho por olho” é uma atitude universal, talvez seja possível propor uma explicação lógica para essa satisfação, usando psicologia evolucionista:</p>
<p>Há 100 mil anos, numa pequena comunidade típica caçadora-coletora, pré-autoridade política, punição <em>era</em> morte. Eles não se davam ao trabalho de construir gaiolas, como fazemos hoje, para eliminar as maçãs ruins do resto. Se algum primitivo criminoso ou “psicopata” saísse causando problemas, o único jeito de detê-lo seria executá-lo. Vingança era algo útil para uma comunidade, e associa-la à satisfação emocional contribuiria para tal comunidade. Povoados que gostavam de matar as maçãs ruins teriam vantagem sobre os povoados mais pacíficos.</p>
<p>Eu não sei se isso funciona, mas parece explicar em parte nossa insistência em querer “olho por olho, dente por dente”. E se, como disse Ghandi, “um olho por um olho deixa o mundo todo cego” (e, supostamente, “um dente por um dente deixa todo mundo banguela”), nossa espécie retardada parece preferir ficar cega e satisfeita a enxergar e ignorar.</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>[1] Bundas Levadas, bom nome pra banda hardcore gay.</p>
<p>[2] A não ser, é claro, na espera no corredor da morte. Saber que você irá morrer logo é mais agonizante e perturbador do que esperar indefinidamente pela morte num lugar só.</p>
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		<title>Onde o livro não tem vez</title>
		<link>http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/03/onde-o-livro-nao-tem-vez/</link>
		<comments>http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/03/onde-o-livro-nao-tem-vez/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 02:19:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiano Ristow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[a estrada]]></category>
		<category><![CDATA[charlize theron]]></category>
		<category><![CDATA[comarc mccarthy]]></category>
		<category><![CDATA[the road]]></category>
		<category><![CDATA[viggo mortensen]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Fabiano Ristow

O Festival de Veneza começou ontem e um dos filmes queridinhos é “A estrada”, de John Hillcoat, e você precisa vê-lo. Primeiro porque ele é baseado no livro do Cormac McCarthy, o mesmo cara que escreveu “Onde os fracos não têm vez”, que você gosta. Essa associação entre as duas obras vai [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=383&subd=discretoblog&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/fabianoristow">Fabiano Ristow</a></em></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-386" title="theroad" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/theroad.jpg?w=450&#038;h=298" alt="theroad" width="450" height="298" /></p>
<p>O Festival de Veneza começou ontem e um dos filmes queridinhos é “A estrada”, de John Hillcoat, e você precisa vê-lo. Primeiro porque ele é baseado no livro do Cormac McCarthy, o mesmo cara que escreveu “Onde os fracos não têm vez”, que você gosta. Essa associação entre as duas obras vai ser o chamariz que todas as campanhas de divulgação vão explorar para atrair público. Vão explorar como um urso polar em dieta proteica há três semanas explora as estranhas de uma foca robusta. O filme vai estampar “Do autor de Onde os Fracos Não Têm Vez” em todos os trailers, pôsteres e spots de TV. Ele vai se apoiar nisso como um amputado se apoia em outras pessoas pra subir num ônibus.</p>
<p>Segundo porque, assistindo ao filme, você não precisa ler o livro. Eu sei que existe uma espécie de regra tácita nos orientando a nunca dizer uma frase como “Pra que ler se vai ter um filme”, mas é isso, não leia o livro, veja o filme. Basicamente é o tipo de livro que te faz pensar a cada dois minutos: “Isso ficaria bacana num <em>filme</em>”.</p>
<p><span id="more-383"></span></p>
<p>A primeira vez que você pensa isso é na página 1, quando descobrimos que a história é ambientada num mundo pós-apocalíptico, completamente destruído e habitado por pouquíssimas pessoas &#8211; que basicamente passam todo o seu tempo procurando comida enlatada ou matanto/roubando outras pessoas.</p>
<p>Mas aí você poderia pensar que o cenário pode até ser cinematograficamente estimulante, principalmente nas mãos de um diretor como George Romero, mas que isso não justificaria evitar o livro, já que, em muitas ocasiões, a graça está no estilo do escritor. Na ironia, por exemplo, ou na sensação de casualidade que Saramago conseguia dar às situações com o uso do vernacular e frases longas. Mas não é o caso.</p>
<p>Cormac tem um estilo direto e seco. A poesia dele não tem enfeite. Cada frase não ocupa mais de uma linha. Tipo esse parágrafo.</p>
<p>Esse estilo não é só perfeitamente transponível para as telas como pode dar um toque mágico se bem usado. Vocês lembram daquele clima seco e silencioso [1] de “Onde os fracos não têm vez”? É exatamente aquilo. Em outras palavras, quando você se familiariza com o estilo do autor, é a hora em que pensa: “Isso ficaria bacana num <em>filme</em>”.</p>
<p>Dentro desse cenário de fim de mundo, há uma estrada (ver título). E pela estrada caminham os dois protagonistas: um Homem e um Menino, rumo a um Lugar Desconhecido. Nós nunca conhecemos os nomes do pai e do filho, porque é super TEMDÊMCIA fazer um filme ou livro com Personagens Sem Nome, ainda mais quando você quer inserir uma temática do tipo &#8220;Um Mundo Sem Identidade&#8221;. Também não é explicado por que o mundo se encontra devastado. [2]</p>
<p>O fato é que os dois caminham pela estrada. E é isso. Às vezes chove. Às vezes eles comem. Às vezes eles não comem. Às vezes eles dormem. Às vezes eles não dormem. Às vezes eles ficam com caganeira. Etc.</p>
<p>Tudo isso bem descrito. E com &#8220;bem descrito&#8221;, eu me refiro a páginas descrevendo os passos, o tempo, a chuva, a noite, o abrir de uma lata. Páginas. Se um dia houver uma epidemia global de zumbis, é esse o livro que você precisa ler, não <a href="http://www.amazon.com/Zombie-Survival-Guide-Complete-Protection/dp/1400049628">esse</a>. Ocasionalmente aparecem alguns coadjuvantes (Homens Maus) que inserem um momento de ação. Mas é sempre bem rápido. Apenas o suficiente pra você pensar: “Isso ficaria bacana num <em>filme</em>”.</p>
<p>Uma coisa interessante é que Cormac, além de uma marca estilística, tem uma temática também. Tanto aqui quanto em “Onde os fracos não têm vez” ele parece interessado em admirar a bondade e inocência infantil. Em ambas as obras a criança é o único ser imbuído de solidariedade, da capacidade de dar sem pedir nada em troca. Vocês lembram que em “Onde os fracos não têm vez” o Josh Brolin só consegue um gole de cerveja de uns adultos que passavam depois de dar um casaco pra eles? (Era um casaco? Não era? Tanto faz.) E que o Javier Barden, por outro lado, consegue a ajuda de umas crianças sem precisar dar nada em troca? Em “A estrada” vocês vão ver várias cenas iguaizinhas.</p>
<p>Eu tenho fé que o filme vai ser bom. [3] Dizem que a atuação do Viggo Mortensen (ele é o protagonista) é memorável, melhor que a de &#8220;Senhores do crime&#8221;. E outra coisa: apesar de eu não recomendar o livro para ninguém, eu não poderia desencorajar ninguém de o ler. Não é um livro <em>ruim</em>. Mas é aquela coisa. Pra que ler se vai ter o filme.</p>
<p>[1] &#8220;Onde os fracos não têm vez&#8221; não tem trilha sonora, aliás.</p>
<p>[2] No filme, aparentemente, vai ter uma explicação. Algo envolvendo Homem Maltrata Natureza ou Bomba Nuclear Explode. Sei lá. Trailer:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/03/onde-o-livro-nao-tem-vez/"><img src="http://img.youtube.com/vi/hbLgszfXTAY/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>[3] Um internauta do You Tube também acha que o filme vai ser bom e foi categórico em seu argumento: &#8220;This is gonna be﻿ like No Country with Aragorn in it! It&#8217;s gonna be one badass movie!&#8221;. Essa frase me lembrou <a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=16086752">disso</a>.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/discretoblog.wordpress.com/383/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/discretoblog.wordpress.com/383/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/discretoblog.wordpress.com/383/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/discretoblog.wordpress.com/383/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/discretoblog.wordpress.com/383/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/discretoblog.wordpress.com/383/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/discretoblog.wordpress.com/383/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/discretoblog.wordpress.com/383/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/discretoblog.wordpress.com/383/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/discretoblog.wordpress.com/383/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=383&subd=discretoblog&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Grizzly Bear &#8220;AmericanIdolizam&#8221; Seu Novo Single</title>
		<link>http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/03/grizzly-bear-americanidolizam-seu-novo-single/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2009 03:14:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Calil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Beyonce]]></category>
		<category><![CDATA[fãs]]></category>
		<category><![CDATA[Grizzly Bear]]></category>
		<category><![CDATA[Jay-Z]]></category>
		<category><![CDATA[Michael McDonald]]></category>
		<category><![CDATA[Ready Able]]></category>
		<category><![CDATA[While You Wait for the Others]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por Luis Calil


Ele meio que lembra um urso. Polar.
Pense na sua música favorita desses últimos tempos. Qualquer uma. Agora imagine que a banda decidiu remover a gravação vocal original, que você já conhece tão bem quanto a palma da sua mão [1]. Apreensivo? Imagine então que o cantor que eles decidiram chamar pra gravar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=discretoblog.wordpress.com&blog=3883558&post=360&subd=discretoblog&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Postado por <a href="http://discretoblog.wordpress.com/author/yellowcalx">Luis Calil</a></em></p>
<p style="text-align:center;"><em><span style="font-style:normal;"><br />
<img class="size-full wp-image-365 aligncenter" title="michael_mcdonald" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/michael_mcdonald.jpg?w=356&#038;h=237" alt="michael_mcdonald" width="356" height="237" /></span></em></p>
<p style="text-align:center;"><em>Ele meio que lembra um urso. Polar.</em></p>
<p>Pense na sua música favorita desses últimos tempos. Qualquer uma. Agora imagine que a banda decidiu remover a gravação vocal original, que você já conhece tão bem quanto a palma da sua mão [1]. Apreensivo? Imagine então que o cantor que eles decidiram chamar pra gravar um vocal substituto é o Ed Motta. A não ser que a música que você escolheu <em>seja</em> do Ed Motta, a idéia deve soar no mínimo maliciosa.</p>
<p>Foi justamente isso que a devidamente venerada banda indie-folk-rock-psicodélico-etc Grizzly Bear decidiu fazer pro lado-b do novo single deles, <a href="http://grizzly-bear.net/news/2423/grizzly-bear-releases-second-single-while-you-wait-for-the-others-worldwide-today/">“While You Wait for the Others”</a>. O convidado foi Michael McDonald, o equivalente americano a essa modalidade de cantores soul/brega tipo Ed Motta, Fábio Junior, etc. De acordo com <a href="http://www.pastemagazine.com/articles/2009/09/the-man-your-mom-and-grizzly-bear-both-love-michae.html">essa entrevista</a>, McDonald é fã da banda, e foi inicialmente convidado só pra adicionar alguns backing vocals aqui e ali (como se essa banda, onde todos os membros cantam em praticamente todas as músicas, precisasse de mais backing vocals). Acabou que eles gostaram tanto das adições do barbudo grisalho que decidiram empurrar de lado o vocal maravilhosamente tremido e aveludado de Dan Rossen e colocar a monstruosidade que é a voz de McDonald no cockpit.</p>
<p>O resultado é monstruosamente divertido. Escutem:</p>
<p><span id="more-360"></span></p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/03/grizzly-bear-americanidolizam-seu-novo-single/"><img src="http://img.youtube.com/vi/-C50shSSyjA/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>As afetações e melismas dessa performance do McDonald, numa música ruim, seriam basicamente intragáveis, mas a composição robusta de “While You Wait” garante um habitat adequado. Cada entortada na linha vocal é refrescante, especialmente pra alguém que já ouviu essa música num loop infinito.[2]</p>
<p>Isso me lembra das vezes que assisti <em>American Idol</em> e pensei no quanto todas aquelas vozes “épicas” seriam desperdiçadas em canções banais. Este lado-b é o exemplo do quão agradável e (sim) emocionante pode ser colocar esses tipos treinados/afetados numa música que você realmente gosta. Por mais que ele soe pastelão, McDonald também soa como se estivesse incorporando a música com toda a sua alma, o que eu inevitavelmente interpreto como um elogio à banda e ao seu trabalho. O que me leva a outra notícia Grizzly Bearica:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://discretoblog.wordpress.com/2009/09/03/grizzly-bear-americanidolizam-seu-novo-single/"><img src="http://img.youtube.com/vi/DaJpCkmp0Z4/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Sim, aqueles ali são Jay-Z e Beyonce curtindo <a href="http://www.youtube.com/watch?v=XcQAOfa__ro">“Ready, Able”</a> ao vivo num show que a banda fez em NY esse domingo. Não é adorável? Jay-Z também deu uma <a href="http://www.mtv.com/news/articles/1620444/20090831/jay_z.jhtml">entrevista</a> recentemente falando o quanto ele é fã de Grizzly Bear e o quanto ele espera que o “indie rock motive o hip-hop a ir mais longe”. Embora essa última afirmação seja implausível, o seu elogio ao Grizzly me fez lembrar que eu decidi investigar a banda em 2007 depois de ouvir artistas admiráveis (The National, Feist, Radiohead) falando variações de “eles são a melhor banda do momento.”</p>
<p>Eu só percebi recentemente que acho mais agradável quando outros músicos aprovam uma banda que eu gosto do que quando a crítica o faz. Não faz diferença se o músico é alguém que eu respeito (<a href="http://www.prefixmag.com/news/jonny-greenwood-expresses-his-love-for-grizzly-bea/20903/">Jonny Greenwood</a>) ou não (Michael McDonald); inclusive, o meu respeito pelo músico que elogia uma banda favorita minha inevitavelmente sobe. Seja a Miley Cyrus reclamando do quanto ela ficou decepcionada por não poder ter conhecido o Thom Yorke no último Grammy, ou o Thom Yorke colocando Burial pra tocar num webcast e dançando como um maníaco &#8211; essas pessoas gostam do que eu gosto, e por isso eu gosto mais delas. É uma lógica de Ensino Médio, mas é inescapável.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-370   aligncenter" title="grizzly-bear" src="http://discretoblog.files.wordpress.com/2009/09/grizzly-bear.jpg?w=437&#038;h=292" alt="grizzly-bear" width="437" height="292" /></p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p>[1] De onde saiu essa expressão? Quem fica olhando pra própria mão e decorando as linhas? Ciganos? Eu não faço idéia de como é a palma da minha mão. Se eu tivesse numa situação onde as mãos de várias pessoas são cortadas e misturadas (idéia pra <em>Jogos Mortais VI</em>?), eu não conseguiria achar a minha. A não ser que as outras pessoas fossem negras.</p>
<p>[2] Inclusive, o Dan Rossen roubou uma das variações da melodia pros seus shows ao vivo mais recentes: é a que o McDonald faz no segundo refrão quando canta “We all fall through”. Notei pela primeira vez quando assisti o webcast[3] do show deles no festival da Pitchfork. Dan cantou essa variação e deu um sorrisinho olhando pro lado – eu havia interpretado como “Olha só, até que saiu legal.” Agora eu descobri que é o sorriso de um ladrão bem sucedido.</p>
<p>[3] O webcast do show do Grizzly Bear no festival Pitchfork foi gravado (por mim, um verdadeiro fã dedicado) e pode ser baixado <a href="http://www.megaupload.com/?d=LWRHYCNT">aqui</a>. Eles tiveram problemas de som, o que foi estressante e sugou um pouco da energia. Mas mesmo com problemas, a magia do Grizzly é evidente.</p>
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