SPIFF – Sexta 24

Postado por Luis Calil

O Silêncio de Lorna
(Irmãos Dardenne) – 8
Típica excelência Dardennesca. Tá tudo aí: narrativa espetacularmente econômica (a revelação da morte de um personagem é quase subliminar), os detalhes sugestivos, os momentos perturbadores que surgem da lógica inescapável da história (a cabeçada na parede é “dolorosa”), e aproximadamente no meio do filme, eu percebi que estava mais emocionalmente envolvido com a protagonista do que eu jamais tive na filmografia dos Dardenne. Nunca antes eu tinha visto um personagem deles num momento de felicidade, e a idéia de que ela ia eventualmente acabar fez meu estômago revirar. A “mudança” psicológica por qual a protagonista passa no terceiro ato é tematicamente simples e perturbadora, mas ela acabou distanciando o meu envolvimento na história. Mas é impossível não admirar.

Meu Winnipeg (Guy Maddin) – 6
Ocasionalmente hilário, mas a narração pirada e melodramática do Maddin fica monótona após um certo tempo, e as imagens – expressivas mas cansativamente frenéticas – servem mais para colorir o texto dele do que pra funcionar por si só ou adicionar novas dimensões. Eu consigo citar vários detalhes da prosa de Maddin (“toboganing children”) que eu adorei, mas as melhores cenas foram as recriações de momentos da sua infância com sua família (a maior parte interpretada por atores comicamente incompetentes). Se o filme inteiro fosse daquele jeito eu teria provavelmente o amado.

Queime Depois de Ler (Joel & Ethan Coen) – 8
Ocasionalmente hilário – Parte II, mas não tem a riqueza inventiva e emocional de O Grande Lebowski. Em outras palavras, eu não me importei muito com nada do que estava acontecendo, e as risadas eram secas e meio vazias. O que é a intenção, sim. É um filme sobre completos idiotas, ao contrário do Lebowski, que era um idiota admirável. Mas pra um filme funcionar sem nenhum ponto de identificação, ele teria que compensar formalmente ou tematicamente (ou pelo menos me fazer rir o suficiente pra esquecer). Não é o caso. Os Coen adicionam duas camadas paralelas de subtexto envolvendo o 11 de Setembro – uma realçando a paranóia desastrada dos personagens, e outra mostrando como a falha de comunicação entre a CIA e o FBI (e nesse caso, o Hardbodies) causou terríveis consequências – mas nenhuma das duas é particularmente incisiva ou desenvolvida. Eu ia ficar com um 7 respeitável pra esse, mas a profundamente engraçada cena final empurrou um pouco a nota.

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1 comentário

Arquivado em Cinema

Uma resposta para “SPIFF – Sexta 24

  1. Paula

    Adorei “O silêncio de Lorna”. Li um comentário pela internet de alguém que dizia que o filme trata bem a idéia de que tentar mudar, reconhecer um erro ou fazer a coisa certa nem sempre é recompensado imediatamente e até mesmo pode trazer mais angústia. Achei uma interpretação interessante. Um sentimento bem realista, não só uma estética. Curti.

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