Enquanto eu via True Blood, eu pensava o seguinte…

Postado por Fabiano Ristow

sarah

Ninguém aguenta mais ouvir falar em True Blood, de modo que vou fazer apenas alguns blocos de comentários aleatórios, primeiro sobre a série em geral e depois sobre o season finale.

*Eu sabia que haveria vampiros e estava pronto pra aceitar o universo fantasioso. Mas aí entrou uma garota que lê mentes. Depois um homem que se transforma em cachorro. Quando eu ouvi alguém mencionando a existência de dragões, eu percebi que a série e eu, nós teríamos problemas. Com um bom roteiro, a gente acredita até em fauno. Sem, não dá pra esperar que aceitemos qualquer delírio de criança.

*Falando em criança, a série só não é infantil porque é adolescente. Ela reúne todos os ingredientes selecionados especialmente para fazer borbulhar os hormônios de fanboys em puberdade. A receita é clássica: violência gratuita, pessoas bonitas e sexo. De preferência, pessoas bonitas fazendo sexo com violência gratuita. Pensei pra mim: “Falta a lésbica sexy”. Aí contrataram a Rachel Evan Woods Evan Rachel Wood pra interpretar a Rainha dos vampiros, uma lésbica sexy. Royal flush.

(Falando em Rachel Evan Woods… No passado ela era indicada ao Oscar, hoje ela interpreta uma lésbica sexy cuja única função na trama é explicar pro público através de diálogos expositivos como matar o Vilão. Ps.: Ela joga dados enquanto faz isso.)

*Eu me pergunto como uma cidade do interior pode reunir uma quantidade tão absurda de pessoas bonitas. Será que em Bon Temps há uma academia que a população frequenta enquanto não está fugindo de um mênade controlador de mentes e distribuição gratuita de suplementos alimentares pela prefeitura? Vamos refeltir.

*A série deveria evitar efeitos especiais. Primeiro os vampiros deveriam parar de andar na velocidade da luz, tipo The Flash. É um fast foward tão descarado que se você prestar atenção consegue ver também as árvores se mexendo em alta velocidade. E eu não sei exatamente o que os responsáveis pelos efeitos especiais fazem quando Sam se transforma num cachorro, mas eu apostaria num frame do ator seguido do frame de um cachorro ligados por um cross dissolve.

*Eventualmente, descobrimos que Sam não vira apenas um cachorro, mas qualquer animal que ele quiser, tipo uma mosca – o que pros roteiristas é uma solução muito conveniente pra resolver, por exemplo, uma encurralada.

*Os vampiros choram sangue. Isso está errado. Eu sei que eles só bebem sangue, mas olha só. Uma cena não pode ser supostamente dramática se há sangue escorrendo na cara dos atores. Vocês se lembram do tapa-olho que o Tom Cruise usou em Operação Valquíria, certo? E que nenhuma cena podia ser dramática porque Tom Cruise com um tapa-olho não pode ser nada senão algo ridiculamente hilário, certo? Então, é mais ou menos a mesma coisa.

*Se há problemas com o roteiro (eu sinto que estou sendo generoso), por outro lado a direção tem seus momentos de inspiração, especialmente a direção de atores. Anna Paquin consegue criar uma Sookie carismática com uma atuação não-sensacionalista e pé-no-chão – eu ia simplificar dizendo “uma atuação não exagerada”, mas na verdade é exagerada. Adina “Color Purple” Porter (piadinha by @auf), a mãe da Tara, me fez ficar com os olhos molhados em absolutamente todas as suas aparições, uma pena que ela tenha sido pouco explorada. (Mas como a personagem dela sequer existia no livro original, acho que estamos no lucro.) Mas o maior destaque é Michelle “Maryann” Forbes. É o personagem mais alanballesco, com uma capacidade hilária e ao mesmo tempo assustadora de lidar sarcástica e impassivamente com qualquer situação.

*A segunda temporada é infinitamente melhor que a primeira. Toda a subtrama da Sociedade do Sol é absurdamente engraçada e chocante, e o clímax reunindo a busca por Godric e a batalha entre vampiros e fanáticos religiosos, todo esse clímax tem ares épicos. E é ali que a série deixa de ser uma mera trivialidade adolescente pra virar um suspense com uma impressão digital própria. É também o momento em que o sexo é usado pra explorar ambivalência de caráter e deturpação religiosa – algo que não é tão original, mas Ryan “Jason” Kwanten e Anna “Sarah” Camp fazem tudo com tanta dignidade que você quase consegue encostar na tensão sexual suspensa no ar.

*Infelizmente, Stephen Moyer é um ator constrangedor. (E QUASE que ele se chama Stephenie Meyer). Você olha pro Vampiro Biu e quase consegue ouvi-lo dizer: “My name is Bill. I’m a mainstream vampire. I want to mingle amongst the humans. That’s why I make this face. All humans look like this, right? Huh? What do you mean ‘no’? No wonder everybody freaks out when they look at me. Why didn’t you warn me earlier? Are you people retarded? Geez.” (por Rodrigo Pinder, clap clap)

Agora algo sobre o season finale.

*Como eu já cansei de dizer, é um episódio medíocre de uma série medíocre, que basicamente reúne todos os defeitos e virtudes da série. É a amostra representativa perfeita, a gota de sangue que diagnostica toda a doença. Mas eu admirei como toda aquela porraloquice de casamento com Deus Chifrudo e ovo de avestruz foi tratada com certa ironia, como se alguém por trás estivesse dizendo: “Tudo isso é ridículo. Não levem a sério. Riam.”

*A morte da Maryann está entre as melhores cenas de toda a série. É uma cena ridícula, na verdade, se você for pensar: um touro surge das sombras e fura sua barriga enquanto você agradece achando que está em contato com Deus. Seria ridícula se não fosse comovente. Apesar de todo o caos que Maryann causou em Bon Temps, ali ela não é nada além de uma inocente fanática lutando por um sentido na vida enquanto toda a sua esperança desmorona mais rápido que uma chifrada no estômago e ela encara a verdade mais dolorosa que um crente pode saber: a de que não há um Deus.

*Eggs é um personagem que pode ser resumido a um minimonólogo do tipo: “Olá. Eu sou negro e modelo e vim fazer par romântico com a outra personagem negra. Eu descobri que matei um monte de gente e me sinto muito culpado por isso, mesmo sabendo que eu estava sendo controlado por forças sobrenaturais. Portanto, sinto que vou surtar e tomar alguma atitude evidentemente inexplicável como pegar uma faca e desabafar com o policial alcoólatra da cidade. Essa é a oportunidade perfeita para eu levar um tiro na cabeça, morrer e sair da série, afinal, eu nunca fui realmente um personagem, eu era só um dispositivo temporário que os roteiristas encontraram para ativar a participação da Tara, que já na primeira temporada vinha demonstrando sinais de desgaste com toda aquela coisa de mãe bêbada e satânica.”

E agora uma consideração final.

Nosso amigo Luis Calil me pergunta por que eu continuo assistindo a uma série que considero medíocre quando há outras melhores por aí. É que eu fico curioso. Só isso. Mas a terceira temporada estreia sóóóóó em junho de 2010. Quem sabe até lá eu perco a curiosidade.

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12 Comentários

Arquivado em TV

12 Respostas para “Enquanto eu via True Blood, eu pensava o seguinte…

  1. Você é louco. True Blood só tem gente feia. Só a Rachel Evan Woods que é bonita, e ela entrou agora. O Jason é ligeramente bonito mas o resto é uma desgraça e fala caipirês.
    Ok, eu adoro a série mesmo assim. O roteiro é uma desgraça, você não mencionou isso.
    Sam: “I’m a shapeshifter.”
    Sookie: “Shut the fuck up!”

    Mas True Blood é a única série que eu baixo assim que passa nos EUA e fico ansiosa para ver. Eu gosto do climinha meio Twin Peaks de Bon Temps sabe…

  2. Certeza que o Alan Ball ri da cara da humanidade em seu quarto, posição fetal, “eles cairam, todos eles, direitinho”. Mas também não consigo explicar direito porque continuo vendo essa caçamba. Tits and butts, sei lá.

  3. Nelson

    Eu concordo com a absoluta maioria em relação aos personagens.
    Mas acho que a série está indo bem justamente porque assumiu a tosquice e tenta conviver bem com ela, tipo um terror trash (que eu não ouso comparar com Arrasta-me para o inferno porque não sou insano) de quase boa qualidade.
    E, quanto ao roteiro e efeitos especiais, vamos combinar que nós somos da geração que idolatra Heroes :P
    Mas a razão de continuar vendo… bem, tits and butts indeed. Mais butts do que tits, claro.

  4. Ricardo

    custava avisar que tem spoiler pra quem nao viu o ultimo episodio ainda? humpf!

  5. “É que eu fico curioso.”

    A curiosidade matou Eric Bana.

    Uma vez o MDA mencionou que havia um episódio em HEROES que era espetacular, apesar da série ser fraca. Curioso (olha aí o problema), eu assisti uns 15 episódios dessa merda só pra chegar no tal capítulo especial (na verdade, eu parei de assistir corretamente lá pelo sétimo, e fui vendo os episódios seguintes em fast forward). Não valeu a pena. Eu aprendi essa lição do jeito difícil.

    Eu te garanto, um episódio de algo genuinamente inteligente e rico como THE WIRE, você não vai querer nem lembrar o que são vampiros ou pra que eles servem.

    E eu discordo com o seu comentário sobre chorar sangue e tapa-olho. Eu não vejo nada de errado com nenhum desses elementos. Inclusive, um tapa-olho é até legal de um jeito pulp, Tarantino, etc.

  6. Texto legal, mas vale lembrar que a Evan Rachel Wood (e não “Rachel Evan Woods”) nunca foi indicada ao Oscar – embora merecesse, ela está espetacular em “Aos Treze”!

    • Fabiano Ristow

      Eu já sei por que eu confundi. Na verdade foi a Holly Hunter e na época eu só pensava que não, deveria ter sido a Wood. O poder do autoconvencimento. :(

  7. Haha, acontece. Mas a Holly Hunter (uma das minhas atrizes favoritas, pena que nunca mais apareceu num bom filme) foi indicada como coadjuvante- e merecia ganhar. A Evan, se fosse indicada, seria como atriz principal. No lugar dela o Oscar escolheu outra adolescente, daquele filme das baleis. Uma escolha ridícula, diga-se de passagem.

    Ainda não vi True Blood ( e adoro a séria anterior do Ball, Six Feet Under), tô me aguentando, mas adoro ler os textos sobre a série, vai entender.

  8. Já vi as três primeiras temporadas de The Wire (favorita dos milênios todos. só não vi o resto ainda pq tá tudo na casa dos 65%) mas a caralha da vontade de ver True Blood não passa, de vera.

  9. ehehehehe

    Esta série ainda vai dar muito o que falar…

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    Felicidades para você e seus leitores!

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  10. Bells

    desculpa, mas o roteiro não faz O MENOR SENTIDOOOO

    Alguém me explica porque eles choram sangue! Alguém me explica porque eles tomam aquele sangue artificial. Alguém aí ia sentar e rir se soubesse que o cara ali do teu lado é um vampiro? Fala sérioooooooooooo. E os personagens não são nada bonitos. E a cara da Anna Paquin é sempre a mesma.

    Stop em True Blood, Play no Drácula.

  11. Pior que fã de True Blood é só fã de vampiro.

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