Filme Brasileiro Engajado – Parte 2

Postado por Fabiano Ristow

Uma consideração sobre Tropa de Elite 2:

O lado bom do filme é que ele a princípio está acima de julgamento moral, não vai ter gente politicamente correta falando que é fascista, etc. Eu não lembro muito do primeiro (exceto que é igualmente medíocre), mas acho que dessa vez ficou mais claro que o Capitão Nascimento é um personagem e não só a voz do Padilha (apesar de certos didatismos), especialmente porque ele emite algumas opiniões absurdas demais pra serem heroicas – tudo através do mesmo voice over eterno, redundante e não perspicaz, e sempre com muitos palavrões pra acrescentar “humor” (porque eu desconfio que brasileiro tem uma tendência a considerar palavrão em qualquer contexto dentro de um filme como sendo humor, o que eu infelizmente detectei quando por alguma razão que agora me escapa à memória eu decidi ver Os Normais no cinema).

É muito fácil gostar de Tropa de Elite 2 porque como todo mundo já falou funciona basicamente como uma catarse de nós, classe média indignada com a corrupção , e dessa vez não tem nem como sentir culpa porque não tem a galera da PUC fumando maconha, etc. Ele funciona como cinema também, porque é bem montado (o que salvou a primeira sequência meio batida relacionando o discurso estereotipado e engraçadinho do Homem da Esquerda [eu não sabia que o Marcelo Freixo fazia mesmo uma ponta] deslocado da realidade à Realidade Cruel) e o Wagner Moura está incrível a ponto de ter fechado minha garganta perto do final. Mas é só, funciona. Ele aciona o mecanismo de convencimento pelas vias emocionais (“isso é verdade, eu li no jornal, muito bom” e o “agora eu já nem sei mais se é assim mesmo que as coisas são, mas se tá batendo no governo então o filme é foda, muito bom”). Mas como cinema é apenas medíocre e quando eu saí da sessão eu me senti um corno desiludido por ter acredito que aquilo era tão bom.

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3 Comentários

Arquivado em Cinema

3 Respostas para “Filme Brasileiro Engajado – Parte 2

  1. Fausto

    Er. Pelo menos ficou melhorzinho do que o seu post sobre O Ano em Que Meus Pais…

  2. Rodrigo Pinder (não logado)

    Aparentemente, o consenso geral é de que a parte mais “engraçada” de Os Normais 2 é quando o Luis Fernando Guimarães manda o vizinho “chupar um caralho.”

  3. Rodrigo Pinder

    Olha só, logou automático.

    Enfim, eu devo ver TE2 só quando passar na TV, então infelizmente não tenho nada pra contribuir aqui. Circulando.

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