Arquivo da categoria: Cinema

A Origem Da Conquista Do Planeta Dos Macacos Também Se Levanta

Postado por Rodrigo Pinder

O título original de Planeta dos Macacos: A Origem é Rise of the Planet of the Apes, similar a G.I. Joe: The Rise of Cobra, aqui chamado de A Origem de Cobra, ou quiçá o próximo filme de Christopher Nolan, The Dark Knight Rises, mas definitivamente não como o filme anterior de Christopher Nolan, A Origem. Seria concebível alguém enxergar um padrão aí, talvez um serial killer que decifrou uma mensagem nesse padrão depois de uma maratona de Fringe e decidiu se fantasiar de macaco e matar o John Lightgow, que além de estar em Planeta também participou da série Third Rock From The Sun com Joseph-Gordon Levitt, que por sua vez está em A OrigemRise of Cobra e The Dark Knight Rises. Hello. Is this on?

Oi. Por motivos entediantes demais pra comentar, faz mais de um ano que eu não escrevo aqui. Decidi voltar em fluxo de consciência seguindo o “raciocínio” mais imbecil que consegui pensar porque eu escolhi falar de um filme de ação com pretensões sci-fi que não faz o menor sentido. Não me entendam mal, Planeta dos Macacos: A Origem é um bom filme e tem grandes momentos. E, claro, 100% deles envolvem macacos. O problema, como já se suspeitava desde o trailer, é o quociente Homo Sapiens, que parece ter sido definhado de propósito, como se torna-lo psicologicamente bidimensional deixasse os macacos mais verossímeis como criaturas visualmente tridimensionais, ou algo assim. Acompanhem-me enquanto eu tento explicar o que diabos eu estou dizendo, se é que eu ainda me lembro como se usa isso aqui.

KEEP WALKING>

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Arquivado em Atualidade, Ciência e Tecnologia, Cinema

Depressão, desespero e tranquilidade no fim do mundo, tudo ao mesmo tempo

Postado por Fabiano Ristow

“Sookie”

Um fator angustiante para quem já teve depressão de verdade: “Melancolia” a ilustra perfeitamente. Não a introduz, nem a desenvolve, apenas a despeja lá em seu estado mais avançado e cruel, no ponto em que a pessoa não consegue mais se mexer, quando perde noção de consequência ou não se importa mais com ela, ou, como resumiu nosso amigo Rodrigo Pinder ao falar de “Anticristo”, quando “a mente fragilizada é um balão cheio de ar, e cada ideia destrutiva serpenteando em seu subconsciente um alfinete”. Ou você entende, ou acha exagero. Não é exagero. Talvez esse tenha sido um erro do Lars Von Trier. Ele não pede licença para apresentar a depressão. Se você não tem experiência com ela, direta ou indiretamente, será como uma incógnita, um filme com uma personagem misteriosa, ou, como algumas pessoas gostam de definir, “maluca” – porque é mais fácil. Mais uma vez, não que elas tenham culpa. Vai ver o Trier fez mesmo um filme fechado demais. Tanto ele quando a Kirsten Dunst já sofreram com a depressão, e eles sabem que não adianta explicá-la sem parecer meio ridículo e incompreensível para quem está de fora, e não fizeram esforço para desmistificá-la, apenas para retratá-la. Ela existe, é daquele jeito, e é isso.

Com relação aos outros personagens de “Melancolia”, não sei se dá para dizer o mesmo. São muito improváveis. Stellan Skarsgård é um empresário fanático e ganancioso demais, Charlotte Rampling é uma mãe pessimista e amargurada demais, Alexander Skarsgård é um marido bonzinho e compreensível demais, Brady Corbet é um aprendiz manipulável e ingênuo demais, e Kiefer Sutherland é um cunhado insensível e arrogante demais. Talvez a história de vida de cada um deles os tenha tornado realmente assim, mas Trier não dá seus históricos. Mais uma vez dispensa satisfações e você se vê na única saída possível, a de tentar desesperadamente entender com muito esforço e imaginação quem são aquelas pessoas e por que elas são desse jeito. Eu não sei por que Trier fez isso. Talvez ele tenha tido a intenção de criar personagens estereotipados que não devem ser encarados literalmente, e sim sob a perspectiva de uma mente depressiva e deturpada, que enxerga qualquer traço de personalidade como um golpe de faca. Talvez ele tenha cagado a capacidade de compor personagens humanos e identificáveis (não necessariamente realistas) como ele já fez outras vezes como poucos. De qualquer forma, o resultado é que, se você não conseguiu estabelecer simpatia com a Dunst e a sua depressão já no começo, é possível que nessa altura você encare “Melancolia” como uma piada sem graça.

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Dez Trailers Memoráveis da Última Década

Postado por Fabiano Ristow

A não ser que você seja uma pessoa amargurada, assistir aos trailers antes do filme começar é uma das experiências interessantes no ritual de ir ao cinema, mesmo que não seja a principal. É provável que alguns esperem que um bom e honesto trailer apresente uma pequena prévia do que será o filme. Mas aí você pega o caso de Dama na Água, por exemplo, cujo teaser indica que se trata de uma fantasia doce – quando na verdade é também um suspense/terror. Ele é então um trailer trapaceiro? O que é um trailer bom? Basicamente, eu consigo pensar em dois casos: o que termina e te deixa pensando “Eu preciso ver esse filme” e o que tem uma boa edição. É curioso como um trailer elegantemente editado é o suficiente pra me fazer crer que o filme precisa ser visto, ainda que muito comumente ele tenha sido produzido por um departamento publicitário sem nenhuma relação com o diretor e suas ideias.

Então listei os 10 trailers memoráveis dos anos 2000, pra mim, que são um caso ou o outro, ou ambos. Em ordem alfabética:

A.I. Inteligência Artificial (2001)

É o trailer que absorve toda a sua atenção imediatamente. O feixe de luz que jorra na tela escura nos primeiros segundos é tipo uma representação visual da trilha do Zbgniew Preisner, na qual uma nota aguda surge de repente de um acorde grave. A partir daí parece que você está em um plano transcendental pós-morte, as mensagens na tela falam de um menino que caminha indistinguível em direção à câmera justamente como um fantasma. Depois que você entende que é um robô, parte da letra “A” se solta e forma a sigla “A.I.” – o título -, num truque de design tão perfeito que até hoje tenho vontade de pendurar o logo desse filme na parede do meu quarto.

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Autoexclusão Não Intencional Em Se Tratando De Cinema

Postado por Fabiano Ristow

“Filme de arte”

Mais alguns casos de pessoas fazendo coisas e tendo em retorno exatamente o contrário do que elas esperavam.

Eu vi esse editorial hoje chamado “Nojento”, do Cahiers du Cinema. Ele diz que o rótulo “filme de festival”, dado por comitês e mecanismos franceses a certos filmes que precisam de apoio, é falso e nojento. (só reforçando que falso e nojento é o rótulo “filme de festival”, não o “filme de festival”) Rotular um filme como “filme de festival” seria marginalizá-lo e eventualmente destruí-lo, já que o colocaria numa classe separada dos “filmes reais” (i.e. filmes comerciais, que são exibidos pra maioria). E aí o texto aponta a ironia que é filmes sendo subestimados e excluídos por causa de um rótulo dado por grupos que foram criados originalmente justamente para promover a diversidade.

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Uncle Boonmee Que Lembra o Outro Filme do Joe

Postado por Fabiano Ristow

“Até que enfim”

Um monstro bizarro de olhos vermelhos surgir no escuro depois de uma sequência de uns dez minutos mostrando nada além de um búfalo na floresta, em “Uncle Boonmee”, soou, por incrível que pareça, previsível, ainda que essa seja uma das primeiras cenas. Foi uma espécie de deja vu. Eu reagi exatamente da mesma forma que os personagens reagem quando, pela primeira vez (no filme, não na vida deles), ficam diante de um evento sobrenatural e abrupto: momentaneamente surpreso, mas não exatamente impressionado, apesar do Joe (ou Apichatpong Weerasethakul, prefiro o mais fácil – embora eu saiba pronunciar a versão tailandesa) conseguir aqui materializar essas cenas absurdas da forma mais elegante até hoje.

Provavelmente também da mesma forma que Joe reage quando vê um fantasma na vida real. Numa noite em um hotel em Paris, ele viu uma mulher de branco desaparecer perto da cama dele, ficando transparente, “como em um filme”, ele descreveu. Cineastas competentes geralmente conseguem transportar uma situação real para as telas mantendo as implicações e atmosfera do evento original; quando esse momento envolve um fator incomum e estranho, no entanto, é preciso de um diretor num patamar acima.

Em estilo, tema e humor, “Uncle Boonmee” poderia ser uma continuação de “Mal dos trópicos”. Ele, mais uma vez, coloca monstros, espíritos e animais falantes na nossa frente sem recorrer com antecedência a nenhuma estratégia narrativa convencional (e.g. com o objetido de nos fazer aceitar fantasia) e ainda assim PLAYS naturalmente. Na realidade, a essa altura do campeonato, vendo “Boonmee”, eu sequer me sinto assistindo a uma fantasia, o que talvez seja o trunfo do Joe. O que, obviamente, não torna menos engraçado e incrível quando uma pessoa diz para a mãe que copulou com um macaco.

Sobre o que essas relações íntimas e cruas entre homem (e mulher) e natureza significam, eu tenho minhas teorias pretensiosas, mas, no caso de “Boonmee”, estão conectadas entre si muito mais numa esfera emocional do que racional – diferentemente de “Mal dos trópicos”, onde eu conseguia enxergar um ponto claro sobre o papel do amor e da sexualidade. Agora, é mais como se eu estivesse vendo borrado, sem conseguir detectar onde termina uma forma. Mas se o Joe me perguntasse numa festa se eu entendi o filme, com sorte eu diria “sim”, caso eu já tivesse tomado mais que três taças de vinho.

Ainda que eu não necessariamente concorde. Pra mim é óbvia a mensagem sobre um retorno à natureza e o papel que a tecnologia e o nosso estilo de vida desempenham para impedir isso – morra de surpresa, há uma parte do filme que se passa no campo e outra na cidade -, mas se existe alguma valorização em relação a esse processo, se é uma apreciação (espero que não) ou apenas uma constatação, não sei, ou não me importo, enfim. A forma com que o Joe pinta isso é poderosa por si só. Tem uma cena mais para o fim que é uma das coisas mais aterrorizantes, claustrofóbicas e misteriosas dos últimos tempos – ela é filmada com a câmera na mão, e a simples mudança imprevisível de estilo imediatamente já eleva a tensão.

Mas ver “Boonmee” foi como ver um filme excelente pela segunda vez, já sabendo dos spoilers. Você consegue se empolgar, mas não se surpreende mais, nem é tão mágico quanto a primeira assistida. E, mesmo se fosse o meu primeiro filme do Joe, não faria cócegas em “Mal dos trópicos” (e ainda acho “Síndromes e um século” mais legal, ironicamente por razões opostas: muito menos pela bizarrice, mais pela tranquilidade). Eu acho que todo mundo que votou em “Boonmee” em Cannes nesse ano viu a filmagrafia do Joe no ano passado, e pensou que seria uma ótima ideia premiá-lo pelo conjunto da obra e pelo tempo que o mundo perdeu sem a visibilidade que ele merece. Eu teria feito o mesmo.

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Filme Brasileiro Engajado – Parte 2

Postado por Fabiano Ristow

Uma consideração sobre Tropa de Elite 2:

O lado bom do filme é que ele a princípio está acima de julgamento moral, não vai ter gente politicamente correta falando que é fascista, etc. Eu não lembro muito do primeiro (exceto que é igualmente medíocre), mas acho que dessa vez ficou mais claro que o Capitão Nascimento é um personagem e não só a voz do Padilha (apesar de certos didatismos), especialmente porque ele emite algumas opiniões absurdas demais pra serem heroicas – tudo através do mesmo voice over eterno, redundante e não perspicaz, e sempre com muitos palavrões pra acrescentar “humor” (porque eu desconfio que brasileiro tem uma tendência a considerar palavrão em qualquer contexto dentro de um filme como sendo humor, o que eu infelizmente detectei quando por alguma razão que agora me escapa à memória eu decidi ver Os Normais no cinema).

É muito fácil gostar de Tropa de Elite 2 porque como todo mundo já falou funciona basicamente como uma catarse de nós, classe média indignada com a corrupção , e dessa vez não tem nem como sentir culpa porque não tem a galera da PUC fumando maconha, etc. Ele funciona como cinema também, porque é bem montado (o que salvou a primeira sequência meio batida relacionando o discurso estereotipado e engraçadinho do Homem da Esquerda [eu não sabia que o Marcelo Freixo fazia mesmo uma ponta] deslocado da realidade à Realidade Cruel) e o Wagner Moura está incrível a ponto de ter fechado minha garganta perto do final. Mas é só, funciona. Ele aciona o mecanismo de convencimento pelas vias emocionais (“isso é verdade, eu li no jornal, muito bom” e o “agora eu já nem sei mais se é assim mesmo que as coisas são, mas se tá batendo no governo então o filme é foda, muito bom”). Mas como cinema é apenas medíocre e quando eu saí da sessão eu me senti um corno desiludido por ter acredito que aquilo era tão bom.

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Pelo 3D

Postado por Fabiano Ristow

O desenrolar natural era mesmo que o 3D se tornasse moda, mas a coisa ta ficando séria. Dá uma olhada no trailer do Resident Evil 3, ou 4, enfim:

Notem que não é tanto um trailer de um filme quanto de uma tecnologia. Eles escancaram que o filme foi gravado com a mesma câmera de Avatar com o mesmo mérito que outros trailers esfregam que o filme ganhou a Palma de Ouro. E seguem cenas exibicionistas de objetos voando na tela. Aparentemente todas as cenas desse Resident Evil 4 ou 5 serão uma desculpa pra mostrar objetos voando na tela. Óculos voando na tela. Cacos de vidro voando na tela. Se tiver uma cena em que um personagem cospe um chiclete, não tenho dúvidas que ele voará na tela, EM TRÊS DÊ (e em câmera lenta).

Hoje foi anunciado que teremos mais uma seqüência de “O chamado”, em 3D (naturalmente), e “the studio says it hopes to ‘reinvent’ the Ring franchise by making it ‘more teen-centric than the first.’” Bons tempos aqueles em que se fazia continuação por ter mais história pra contar.

O Felipe lembrou que, com a invenção do cinema falado, começou uma corrida armamentista pros filmes acompanharem a nova tecnologia, e meu medo é que o mesmo esteja acontecendo com o 3D. Pelo menos o diálogo tem alguma função narrativa, enquanto o 3D, dadas as amostras, será um show-off infanto-masturbatório de Hollywood. Reflitão/

Sem falar que é um recurso excludente e humilhante pra quem já usa óculos.

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