Arquivo da categoria: Literatura

Littell diz que você também faria

Postado por Fabiano Ristow

Fui no Orkut e outros sites ver o que o pessoal achou do romance As Benevolentes, do norte-americano Jonathan Littell. Um número considerável de leitores estava torcendo para os protagonistas, ou ao menos demonstraram insatisfação com o destino cruel de alguns coadjuvantes. Tudo muito bem, tudo muito bonito, se não fosse o fato de (quase) todos os personagens da história serem nazistas, comporem altos escalões responsáveis pela execução de campos de concentração, ou terem matado pelo menos um inocente à queima-roupa.

Não, não está surgindo uma onda de neonazistas (espero). Da mesma forma que as pessoas não apoiavam o crime organizado quando pediam um final feliz para Tony Soprano (sim, é uma comparação que veio à minha cabeça aleatoriamente). Esses personagens ganham a empatia do público porque não são tratados sob uma perspectiva maniqueísta; são vistos como seres humanos, atrozes mas também apaixonados, cheios de dúvidas e, principalmente, com problemas psicológicos.

(Não, eu não torci para um final feliz em nenhum dos dois casos.)

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Artistas Sonham Com Capas Adequadas?

Postado por Luis Calil

Philip K. Dick, prolífico escritor americano de ficção-científica que produziu obras constantemente inventivas dos anos 50 até o começo dos anos 80, não parece ter tido sorte com capas. A maioria tinha pouca, ou nenhuma, relação com o conteúdo do livro, e por mais interessantes e surreais que fossem, isso me parece um problema. (nota: a capa acima é boa e tem tudo a ver com o livro)

Pega A Scanner Darkly (traduzido estupidamente como O Homem Duplo aqui no Brasil): é um livro nostálgico inspirado nos tempos de junkie do Dick. Fala sobre Robert Arctor, um viciado paranóico que suspeita que sua casa está sendo espiada pela polícia. E está: Arctor na verdade é Fred, um policial investigando tráfico de drogas que instalou scanners na casa, que gravam tudo que ele e seus amigos fazem e falam. O problema é que Arctor/Fred está tomando tanta Substância D – uma nova e poderosa droga – que ele não entende mais que Arctor e Fred são a mesma pessoa: ele.

A trama faz parecer um thriller psicológico, e o livro é isso, em parte, mas ele também é um retrato engraçado e melancólico de um grupo de pessoas completamente perdidas. Ele funciona quase como uma seqüência de Jovens, Loucos e Rebeldes que se passa 20 anos depois, num futuro onde toda a exuberância vista no filme virou decadência.

Os artistas das capas do livro não parecem ter recebido as informações dos parágrafos acima. Eles não parecem ter recebido informação alguma. Alguns deles provavelmente nem sabiam que estavam fazendo capas pra esse livro em particular. As publicações de Scanner dão uma nova dimensão àquela velha idéia de que não se pode julgar um livro pela capa.

E ao invés de citar as capas de A Scanner Darkly uma por uma e apontar o que há de errado, eu resolvi mostrar isso através de uma historinha ilustrada inspirada por elas. Veja bem:

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