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A Arte De Arruinar A Diversão Alheia

Postado por Rodrigo Pinder

partypooper

Como este será um post informal (i.e. inútil), valerei-me da velha técnica de começar com uma anedota para ganhar simpatia.

Eu devia ter uns 13 ou 14 anos quando fui ao cinema ver Anjo Malvado (aquele onde o primo do Frodo, Macaulay Culkin, é um anjo malvado). O filme abre com um jogo de futebol colegial (meados de 90 foi a época em que o soccer começou a ficar semi-popular nos EUA) e, como esperado, alguém faz um gol. Nesse momento, um homem sentado no fundão da sala se levantou e gritou GOOOOOOOOL! com toda força de seus pulmões. Todo mundo riu. Foi a melhor parte do filme. E o cara não abriu mais a boca até o final.

Esse momento ficou gravado na minha memória mais do que o próprio filme [1], evidência de que esse tipo de manifestação inspirada é raríssimo.

As verbalizações mais freqüentes são invariavelmente inúteis e quase certamente incômodas, a sala de cinema tratada como a sala da casa da mãe no almoço de Domingo. Isso faz meu sangue ferver. Eu entenderia se alguém gritasse “fogo” ou “estupro”, ou algo do tipo. Nesses casos hipotéticos eu até apoiaria interromper a projeção e acender as luzes. Mas esses casos hipotéticos nunca aconteceram em nenhuma das sessões em que estive. Papo furado, no entanto, sempre foi quase certeza.

Decidido a fazer alguma coisa, embarquei em uma pesquisa antropológica onde defini os conceitos básicos da Arte De Arruinar A Diversão Alheia (ou ADAADA, porque eu gosto de palíndromos). A mais importante descoberta foi que, apesar da espontaneidade e do improviso serem inerentes à pratica desse hábito, é possível definir sete grupos que compartilham certos padrões de comportamento. Conheça-os após o jump.

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Arquivado em Ciência e Tecnologia, Cinema, Geral, meta, Religião

Recapitulando: 13/07/08

Postado por Luis Calil

Discreto Blog inicia sua campanha para a presidência da França.

Esta semana, aprendemos que:

*A linha que separa comédias do Blake Edwards de O Exorcista é espantosamente tênue.

*Os últimos 21 anos nos proporcionaram uma série de filmes incríveis.

*A Carla Bruni, além de ser fenomentalmente atraente, canta bem e tá pegando o presidente da França. Ponto para Sarkozy.

E em homenagem ao mestre avant-garde Stan Brakhage (citado numa das listas), aqui vai um dos meus curtas favoritos dele, Black Ice (1994):

“Imagine um olho não governado por leis de perspectiva criadas por homens, um olho não influenciado por lógica de composição, um olho que não responde ao nome de tudo mas que deve conhecer cada objeto encontrado na vida através da aventura da percepção. Quantas cores há num campo gramado para o bebê que engatinha, ainda não consciente do ‘Verde’? Quantos arcos-íris a luz pode criar para um olho desprovido de tutela? Imagine um mundo vivo povoado de objetos incompreensíveis e cintilando ao longo de uma gama infinita de movimentos e de inúmeras gradações de cor. Imagine um mundo ‘anterior ao conhecimento, antes de a palavra ser.'”
– Stan Brakhage

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Recapitulando: 06/07/08

Postado por Luis Calil

“Nem tudo são flores.”

Esta semana, aprendemos que:

*Rodrigo Pinder acredita que a melhor forma de descrever Agente 86 é compará-lo a uma sopa fria à base de vegetais hortícolas.

*Rejeitar e espancar o seu filho pentelho é um ato “heróico”, segundo Fabiano Ristow.

*Cloverfield falhou pois Syd Field e a realidade não são compatíveis.

*Mesmo depois de passar 6 anos em cativeiro com guerrilheiros, pegar uma porrada de doenças e sofrer, Ingrid Betancourt ainda consegue ser mais sensata que Fabiano Ristow.

*Trailers são ruins, executivos de Hollywood fazem más escolhas, e Nicolas Cage é calvo.

*Aparentemente, o papel mais memorável de Mathieu Almaric, um dos maiores atores vivos, foi uma pontinha em Munique.

E para continuar o Humor Radioheadiano de semana passada, aqui vai um vídeo onde Thom Yorke (o vocalista) e Ed O’Brien (guitarrista) fazem sexo no palco, a partir de 1:30, durante uma performance de “Myxomatosis”:

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Recapitulando: 29/06/08

Postado por Luis Calil

No book for you!

Esta semana, aprendemos que:

*O Yahoo está desenvolvendo uma tecnologia de leitura mental, e testando-a em seus usuários.

*Fabiano Ristow acha que os leitores do Discreto Blog são vilões imorais anti-semitas, e recomenda um livro.

*Literatura é inútil, e deve ser excluída da sociedade o mais rápido possível, como uma praga. Para substituí-la, usaremos gráficos.

*Aquela música histérica e bombástica que você ouve em trailers de blockbusters foi composta por uma banda com um nome altamente pretensioso. (“Experimental Sounds”? Não tão enganando ninguém)

*Ristow tenta resistir à abolição da literatura, mas, como todo mundo sabe:

*Um jeito infalível de conseguir um emprego na Pixar é falar em público como eles devem fazer o trabalho deles.

*Rodrigo foi à padaria e não voltou mais. Quem pode culpá-lo?

E algum gênio fez esse Overdub de “15 Step” do Radiohead:

Reflita sobre isso, enquanto eu tento parar de rir.

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Pior que odiar Literatura é “odiar” quem a odeia?

Postado por Fabiano Ristow

O texto do Luis sobre a comunidade “Eu odeio literatura” deu o que falar. Em poucas horas, o post do Discreto Blog apareceu entre os 20 mais acessados da blogosfera wordpressiana brasileira. Muito bonito, mas para a gente só importa quando nossa popularidade for grande o suficiente para conseguirmos garotas e dinheiro. Heh.

Houve repercussão fora daqui também. O que me (nos) chamou mais atenção foi a resposta do jornalista Paulo Polzonoff Jr. em seu site. Num texto muito bem escrito (sem sarcasmo), ele questiona a atitude do Luis em fazer comentários “jocosos” às citações dos membros da comunidade.

Leiam o texto na íntegra.

“Muito mais assustador do que ver (ler) pessoas que odeiam livros e que acham que tudo deva ser queimado é ver (ler) pessoas que, por mais livros que devorem, são incapazes de compreender e aceitar o outro”, diz Polzonoff. Faz sentido. Mas eu gostaria de opinar.

O problema não é eles não gostarem de literatura; minha mãe não gosta de ler, e nem por isso a considero pior que os outros. O problema é a intolerância implícita (ou até explícita) nas mensagens. Muitas daquelas pessoas não se limitam a dar sua opinião pessoal; elas vão além, porque julgam quem lê, seja condenando a professora de literatura, seja chamando os escritores de vagabundos; ou pregam atos de certa inspiração infanto-fascista, como a queima (veja só) de livros. A crítica não é tanto à opinião quanto à postura.

Temos de ter a humildade de saber que nossas visões sobre as coisas são exclusivamente nossas. Só então a gente pode mudar a forma de pensar das pessoas que nos cercam (e vice-versa), pelo diálogo, não pela ignorância.

Paulo diz em seu texto: “O fato é que literatura não é para todos – assim como a linguagem de programação não é para todos, a física nuclear não é para todos e a matemática não é para todos.”

Sim. Eu, por exemplo, odeio matemática, não é para mim. A diferença é que reconheço sua importância. O teclado em que digito agora não existiria sem ela. Nem o livro como o conhecemos, na verdade, se pensarmos que dela dependem as poderosas máquinas dos parques gráficos das editoras. Todas aquelas matérias são importantes, não duvido disso.

Mas, aqui, gostaria de incluir um adendo. Na minha opinião, o que torna a literatura fundamental e essencial para a nossa existência é, como o Paulo colocou em seu texto, “sua capacidade de compreender os outros”. Talvez seja esse seu diferencial. A arte, não só a literatura, nos torna pessoas mais civilizadas. E, como seres humanos que vivem em função da interação com outros seres humanos, o que há de mais valioso que isso?

Ps.: O Discreto Blog da Burguesia aproveita para dizer que agora nosso endereço também é http://www.discretoblog.com.br. Atualizem, se quiserem, seus Blogroll, feeds, post-it etc. :) Beijos discretos.

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Recapitulando: 22/06/08

Postado por Luis Calil

Esta semana, aprendemos que:

*Você não precisa gastar dinheiro com o Guia da Folha; Rodrigo Pinder pode resumi-lo e zoá-lo para você. Não, não é um incômodo.

*Os piratas são espertos, Saramago já não é mais, e nós talvez sejamos frutos de alienígenas.

*Mesmo quando Ristow viaja para a Itália, ele não consegue parar de pensar em videogames.

*As capas dos livros de Philip K. Dick são frequentemente incoerentes, e frequentemente hilárias.

*Em breve, poderemos escolher a orientação sexual dos filhos e, portanto, livrar o mundo de pessoas como o Ristow.

*Viagens no tempo, coelhos metálicos, masturbação, solipsismo e pedofilia são materias férteis para sequências.

*Rodrigo Pinder, afobado como sempre, não espera nem uma semana para falar novamente sobre o Guia da Folha.

PS: Amiga do blog Janaína traz imagens do amplo vandalismo em Berlim. É um vexame, não é?

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Recapitulando: 15/06/08

Postado por Luis Calil

Esta semana, aprendemos que:

*Ter que escrever um post de introdução que não seja redundante pode levar a extrema auto-indulgência e auto-masturbação. Agora sabemos como Adaptação surgiu.

*Se um chinês te encher, fale que a mãe dele é uma grande tartaruga. Tiro e queda.

*Radiohead é foda. E continuará sendo.

*O Ristow gosta de criticar, ofender e humilhar crianças como a Daniela Piepszyk.

*Mesmo quando Rodrigo Pinder interage com cinéfilas bêbadas, ele não consegue se divertir.

*Edward Norton consegue maravilhar motoboys brasileiros, mesmo sem a roupa de Hulk.

*Yisrayl Hawkins, o líder da seita poligâmica que disse que o mundo ia acabar na última quinta, sabe o que está fazendo.

*Pessoas adoram histórias melodramáticas/inspiradoras sobre doenças e morte, como P.S. Eu Te Amo. Nós somos uma espécie muito estranha.

*Oliver Stone é um maldito oportunista.

*Cariocas não devem ser permitidos em concertos, sob hipótese alguma.

*Mesmo basicamente concordando que Fim dos Tempos não presta, eu e Ristow ainda conseguimos falar uma quantidade enorme de merda.

PS: Eu te amo.

PPS: Não, isso foi uma piada. Eu não amo nossos leitores. Mas nós agradecemos sua presença. Voltem sempre.

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