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Como nosso cérebro atrapalha a eleição

Postado por Fabiano Ristow

Meu post anterior: ignore-o. Ele acaba de se tornar completamente obsoleto por causa desse TEXTO que o Luis achou e me mostrou.

Ele basicamente argumenta, com sustentação científica, como é esperado que as pessoas ajam de forma tão retardada e imbecil em épocas de eleição.

Isso por causa do princípio já conhecido de que a gente costuma basear nossas opiniões nas nossas crenças e não nos fatos. A gente interpreta a informação de forma que ela seja compatível com o que a gente já tinha como verdade. Daí deturpamos e selecionamos as notícias à vontade para que possamos xingar muito no Twitter como se fôssemos extremamente politizados e antenados, quando na verdade não estamos sendo autoconsciente o suficiente para perceber a imbecilidade do próprio comportamento (ver o post anterior).

Como resultado, temos a ironia de que as opiniões mais fortes acabam sendo proferidas justamente por quem é mal informado (eu adicionaria preconceituoso também). A pessoa cata as informações superficiais, faz uma coleção de opiniões usando a estupidez como critério de filtro e sai esbravejando o que é “incontestavelmente correto”, atitude relacionada à síndrome do “Eu sei do que estou falando”, conforme o texto. É exatamente o que eu falei sobre o extremismo disfarçando a própria ignorância. Obrigado, ciência.

Na internet, principalmente, é facílimo fazer essa seleção burra. Se você tivesse ideia da quantidade de pessoas que eu considerava espertas e sensatas que me encaminharam e-mails-spam.

O artigo aponta que uma possível solução para esse problema é distribuir uma injeção de autoestima, já que as pessoas com esse remédio estariam mais propensas a mudarem de opinião (por que isso soa óbvio para mim?). Eu insisto: terapia é ótimo para isso. Bolsa Psicologia neles.

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Arquivado em Ciência e Tecnologia, Politica

Tweets #perspicazes, #politizados

Postado por Fabiano Ristow

Um dos mais graves problemas de uma sociedade não-educada (e.g. Brasil) é a falta de autoconsciência de seus integrantes, e as eleições da Era Twitter conseguiram explicar pra gente um pouco mais da profundidade dessa doença.

Os sintomas começaram muito antes das eleições, quando as pessoas perceberam que poderiam bancar o quinto poder e bater na imprensa, sentir aquele prazer de afetar o que seria “intocável”. Para isso, bastava metralhar um xingamento, pedir para os seus amigos retuitarem, e em poucas horas a expressão estaria em exposição nos trending topics mundiais, deixando os homens de preto que comandam a mídia maligna constrangidos diante da comunidade internacional. Além disso, sabe-se que dar reply obriga o seu tweet a aparecer na timeline do seu alvo, o que na escala do Crítico equivale a penetrar na sede de um serviço de inteligência proferindo verdades inconvenientes. Embriagadas com esse poder, as pessoas então evacuaram tweets direcionados a jornais, revistas e jornalistas.

Eu acho que essa vontade de criticar a imprensa devia ser uma espécie de desejo reprimido ao longo de muitas décadas, e, como geralmente acontece quando desejos reprimidos são liberados, as pessoas passaram a agir de forma irracional e contraditória.

Por exemplo, acusando a imprensa de parcialidade (era sempre um choque quando eu lia um tweet com essa informação extremamente original e ousada) e em seguida mandando o link de um blog obscuro de algum jornalista demitido e partidário (obviamente o símbolo da análise equilibrada e precisa). Ou dizendo que a imprensa acusa sem provas e em seguida encaminhando aos seus 80 contatos um email-spam com um texto com letra fonte 27 e frases como “REPASSE . . . NÃO SE ESQUEÇA TEMOS 87% DE NOSSA POPULAÇÃO NA INTERNET” explicando por quê o candidato é o Diabo e contendo histórias obviamente verídicas (já que o texto não está atrelado aos interesses negros dos grandes editores). De forma geral, todos passaram de vitimas da Grande Imprensa a estudiosos da imprensa, e o Brasil, como já disseram, virou a faculdade de Comunicação mais chata do mundo.

(Só reforçando que meu problema não é com as críticas à imprensa, que deve ser questionada, sim. É com essa coisa de falar e fazer pior, entende.)

Uma das maravilhas que os brasileiros descobriram no Twitter é que eles poderiam legitimar a Crítica Sem Embasamento, por causa do limite de caracteres. Antes, era meio complicado criticar num blog porque blog está relacionado ao conceito de “texto”, que por sua vez está relacionado ao conceito de argumentação, o que é um pesadelo para uma sociedade não-educada (e.g. Brasil). As Críticas Sem Embasamento vieram, principalmente, em forma de piadinhas envolvendo a afetação física e a roupa dos candidatos (“Serra é o Pink do Pink e Cérebro #fato” / “HAHAH GENIO RT A Dilma parece o Walter Mercado masculinizado”, etc), provavelmente porque o brasileiro tem essa noção de que Humor = stand up comedy brasileira (um lágrima acaba de escorrer sobre meu rosto).

Vieram também na forma de uma coisa que surge quase que automaticamente quando você tem o ambiente perfeito para falar sem ser questionado (se alguém te der reply sempre existe a opção de ignorar ou, melhor ainda, bloquear): o extremismo. O extremismo é um recurso maravilhosamente conveniente e satisfatório pra quem não tem ideia do que está falando, porque você pode até falar de forma vaga, mas fala tão enfaticamente que passa a ter a ilusão que a pessoa do outro lado vai pensar: “Caramba, se ele é tão contundente e seguro nessa opinião, então ela só pode ser verdadeira”. Ou seja, é a arma perfeita para disfarçar a própria ignorância e insegurança, e você nem precisa argumentar. Imagina o prazer que isso dá.

O mais incrível é que uma quantidade assustadora desses comportamentos parece ter sido engatilhada totalmente inconscientemente. Quase não se parou para pensar: “Meu Deus, o que eu estou falando?”. A internet tem uma característica terrível que é registrar tudo o que você fala. Daqui a alguns anos, essas pessoas vão ler o que escreveram, e aí vai valer como dez anos de terapia. Aliás, o que as eleições na Era Twitter nos ensinaram, principalmente, é que o brasileiro precisa de terapia. O Bonner acabou de anunciar na televisão que a Dilma está eleita, se for esperta ela faz o Bolsa Psicologia.

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