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Girl Talk Não Nos Convidou

Postado por Luis Calil

Ao me posicionar em frente ao palco Indie do festival Planeta Terra, às 02:00am, pra ver meu último show da noite, eu reparei (lembrei, na verdade) em algo que me deixou semi-apreensivo: o Girl Talk não tem banda; é só um cara e uns laptops. Não que Yeasayer ou Phoenix – outras bandas que também tocaram no festival – sejam o auge do carisma no palco, ou que as fantasias dos “dançarinos” de Of Montreal fossem visualmente instigantes, mas pelo menos essas bandas fornecem algum tipo de distração, algo pra observar enquanto você escuta o som (nem que seja pro meu colega Fabiano Ristow reparar que certo guitarrista de certa banda parece o Fiuk).

Na verdade, o conceito de um show onde o palco e o artista não são o centro das atenções é algo extremamente nobre; a música eletrônica ao vivo sempre operou dessa forma, desinflando o ego dos artistas, colocando o foco no prazer e movimento e interesse visual da própria platéia. O festival Planeta Terra, no entanto, não é uma boate ou uma rave, e indies são treinados por experiência a olhar pro palco. Eu temia que a plateia não fosse ficar visualmente distraída o suficiente pra se entregar ao show – a não ser que o Girl Talk tivesse um às na manga.

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Arquivado em Atualidade, Música

SPIFF – Quinta 23

Postado por Luis Calil

Adoração (Atom Egoyan) – 6
Qual é o ponto de começar o seu filme com a narrativa fragmentada e não-cronológica se você vai terminá-lo com monólogos explicativos longos e chatos recitados pela sua esposa? Fala sério. E como o D’Angelo disse, ocasionalmente surgem idéias no filme sobre terrorismo que, se fossem apropriadamente dramatizadas, teriam gerado um filme muito mais fascinante que o atual. O modus operandi do Egoyan – a fragmentação confusa citada acima – ainda é (inicialmente) excitante o suficiente pra valer a pena, sem falar nas ocasionais bizarrices, como a discussão com o taxista do sanduíche e a Sra. Egoyan aparecendo na rua usando máscaras do Oriente Médio. Mas ainda to esperando um Exótica 2.

Duska (Jos Stelling) – 3
Típica comédia preciosa deadpan de cinema de arte europeu, só que ainda mais retardada e previsível do que de costume, como Whisky para retardados. Eu não entendi o que o final “simbólico” teve a ver com o resto do filme, e nem quero. A única coisa que me manteve na cadeira foi o fato de que a atuação do cara que fez o Duska tinha momentos cômicos inspirados. Eu declaro que “Duska” a partir de agora é oficialmente gíria para “Mancada”.

Depois da Escola (Antonio Campos) – 9
Eu tava na Livraria Cultural ontem checando a sessão de CDs e fiquei alegremente surpreso quando achei o excelente disco novo do Burial – um artista obscuro o suficiente pra causar tal surpresa – numa das prateleiras. Minha reação foi pegar meu celular e tirar uma foto da minha mão segurando o disco, pra mostrar pros meus amigos fãs de Burial, nenhum dos quais possui o CD em si. Esse meu gesto é parte do tema de Afterschool, que lida com como a nossa capacidade e vontade de filmar e gravar e exibir nossas vidas (pelo o YouTube, por exemplo) afeta o jeito que nós comportamos. O próprio Campos chamou o filme de “ficção-científica no presente”, o que soa correto. O protagonista, Rob, é um Holden Caulfield da vida, usando essa recente tecnologia para tentar encontrar momentos não afetados, momentos de verdade pura. Campos, um pirralho (25 anos) filho de brasileiros, apresenta a jornada de Rob de uma forma extremamente perturbadora, capaz de causar lágrimas de orgulho em Michael Haneke (que não parece ser o tipo que chora). Um soco no estômago. Quero rever.

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SPIFF – Quarta 22

Postado por Luis Calil

Enquanto um cara conversa com sua esposa na Argentina via webcam aqui do meu lado esquerdo, e outro utiliza a foto de um pênis negro no seu MSN no meu lado direito…

A Rotina Tem Seu Encanto (Yasujiro Ozu) – 5
Quando o Ozu descobrir qual é tal encanto, por favor me avisar  – ele não chegou lá ainda. As composições são frequentemente elegantes e confiantes, obviamente o trabalho de alguém que dirigiu por várias décadas, e ele faz certas observações (aparentemente) pertinentes sobre o Japão pós-Segunda Guerra (título alternativo: Saquê & Chope: Embebedando Para Esquecer a Dor), mas a montagem e as atuações rígidas e primitivas dão uma leve impressão de novela mexicana, só que sem o melodrama histérico. Um moleque sentado na minha frente comentou com os amigos – quando ocorreu algum problema na exibição e as luzes acenderam por alguns segundos – que “não é pra ter história ou um clímax, é um retrato do Japão naquela época.” Correto, mas eu não quero ver um retrato. Eu quero que alguém dê um soco na minha cara com o retrato do Japão no meio.

Na Mira do Chefe (Martin McDonagh) – 8
Tecnicamente não está no festival, mas merece ser citado. Escrito por um dramaturgo aclamado, você nota imediatamente que o filme tem uma sensibilidade distinta. A trama fala de dois assassinos profissionais que são enviados pra cidade Belga medieval de Bruges para esperar a barra limpar em Londres depois de um serviço. Um filme convencional teria usado os primeiros 10 minutos para introduzir os dois assassinos, estabelecer suas personalidades distintas, mostrar seu conforto em ambientes urbanos e mostrar o assassinato em si que leva a essa fuga; McDonagh abre já em Bruges, com a comédia de peixes-fora-d’água (mais sutil do que se espera) a todo vapor. Os diálogos frequentemente saem do assunto principal e vão parar em pequenos becos sem saídas extremamente engraçados, lembrando Tarantino e Shane Black. Até o anão do filme foge do seu típico papel de humor barato e vira um personagem quase tridimensional (ele usa antidepressivos e é racista). Está sendo exibido comercialmente – corram.

Horas de Verão (Olivier Assayas) – 8
Ristow postou ali embaixo se gabando do realismo de Gomorrah; se ele está tentando armar uma competição de “Quem faz o Realismo Mais Ultra-Hardcore?”, o Assayas chegaria pelo menos nas semi-finais. É um drama familiar – tematicamente, está no território de Toy Story 2, i.e., o dilema entre o valor histórico e o valor pessoal de um objeto de arte – como Rachel, mas sem a histeria do roteiro que lutava contra o Dogmamento do Demme. E ele possui vários detalhes extremamente sutis, totalmente irrelevantes à história, que deixam a experiência mais vívida e rica: em um momento, um dos personagens num restaurante caminha até um garçon, que está anotando algo em cima do balcão, e pede um café. O garçon sorri para ele e continua fazendo o que estava fazendo, e o personagem pausa por um milésimo de segundo em desconforto. O filme poderia ter perdido esse momento, mas foram coisas assim que me fisgaram com tanta força (há vários outros exemplos, que eu nao lembro mais por ter preguiça de fazer anotações durante a sessão). Rodrigo Pinder achou “muito francês – ninguém parava de falar!”, mas quando se tem Juliette Binoche, Charles Berling e Jeremie Renier falando o diálogo, reclamar é de mau gosto.

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Reduzindo a Mostra de SP a Comentários Banais

Postado por Luis Calil


                                                                        Muito caro!”

Amanhã eu chego em São Paulo e começo a assistir filmes de arte da Mostra de SP aos montes por 6 dias, e de quebra o show do The National no TIM Festival. Tentarei providenciar curtos comentários sobre tais filmes de arte e tal show do The National diariamente neste local. Você pode querer checar aqui de vez em quando essa semana. Você pode não querer fazer isso. A escolha é sua. Ninguém vai ter forçar a fazer nada. Cada um Vive Como Quer.

Essa é a minha provável programação, caso você queira me perseguir:

Terça 21

Procedimento Operacional Padrão – 14:50 – Unibanco Arteplex
Novo filme do Errol Morris. Fabiano Ristow uma vez me pediu pra fazer um trabalho de faculdade dele sobre um documentarista, e eu fiz um enorme sobre a vida e filmografia de Errol Morris. Eu tirei a maior nota da sala dele. Agora eu estou recompensando o Morris.

O Casamento de Rachel – 17:40 – HSBC Belas Artes
Raquel está se casando.

Sinédoque, Nova Iorque – 21:40 – IG Cine
Charlie Kaufman está debutando.

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