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Como Melhorar WALL-E

Postado por Luis Calil

WALL-E é excelente. Isso é óbvio. Desde o trailer, eu já previa. A estratégia de preterir diálogo por boa parte da duração; a situação Sisífica do ingênuo protagonista; a sátira direta e potente de consumismo e indolência; o design magnífico dos cenários futuristas; a graciosa história de amor “artifcial”. Estamos falando aqui do melhor trabalho da Pixar, possivelmente. Não consigo lembrar de nenhuma cena sem começar a lacrimejar.

O problema com WALL-E é que ele é claramente excelente. Não há nada que eu possa elogiar que centenas[1] de críticos (pagos) já não tenham elogiado – e de um jeito muito mais eficiente, um jeito que deixa claro que ele estão sendo pagos ($$$). Mas eu não quero simplesmente mudar de assunto. Devo reconhecer a existência desse brilhante conto de ficção-científica no Discreto Blog, que, se tem alguma utilidade, é falar de coisas que valem a pena.

(E se você ousou não assisti-lo na estréia, faça-me o favor: feche o browser agora [o post não vai sair daqui] e vá. Sim, agora. Literalmente. Agora. Vá.)

Então, ao invés de digitar burocraticamente comentários redundantes sobre a magnificência de WALL-E, vou falar sobre o que eu teria feito se eu tivesse a mesma premissa, uma equipe gigantesca de animadores e 120 milhões de dólares (!) nas minhas mãos. Sim, nas minhas perversas mãos.

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Artistas Sonham Com Capas Adequadas?

Postado por Luis Calil

Philip K. Dick, prolífico escritor americano de ficção-científica que produziu obras constantemente inventivas dos anos 50 até o começo dos anos 80, não parece ter tido sorte com capas. A maioria tinha pouca, ou nenhuma, relação com o conteúdo do livro, e por mais interessantes e surreais que fossem, isso me parece um problema. (nota: a capa acima é boa e tem tudo a ver com o livro)

Pega A Scanner Darkly (traduzido estupidamente como O Homem Duplo aqui no Brasil): é um livro nostálgico inspirado nos tempos de junkie do Dick. Fala sobre Robert Arctor, um viciado paranóico que suspeita que sua casa está sendo espiada pela polícia. E está: Arctor na verdade é Fred, um policial investigando tráfico de drogas que instalou scanners na casa, que gravam tudo que ele e seus amigos fazem e falam. O problema é que Arctor/Fred está tomando tanta Substância D – uma nova e poderosa droga – que ele não entende mais que Arctor e Fred são a mesma pessoa: ele.

A trama faz parecer um thriller psicológico, e o livro é isso, em parte, mas ele também é um retrato engraçado e melancólico de um grupo de pessoas completamente perdidas. Ele funciona quase como uma seqüência de Jovens, Loucos e Rebeldes que se passa 20 anos depois, num futuro onde toda a exuberância vista no filme virou decadência.

Os artistas das capas do livro não parecem ter recebido as informações dos parágrafos acima. Eles não parecem ter recebido informação alguma. Alguns deles provavelmente nem sabiam que estavam fazendo capas pra esse livro em particular. As publicações de Scanner dão uma nova dimensão àquela velha idéia de que não se pode julgar um livro pela capa.

E ao invés de citar as capas de A Scanner Darkly uma por uma e apontar o que há de errado, eu resolvi mostrar isso através de uma historinha ilustrada inspirada por elas. Veja bem:

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